sábado, 26 de dezembro de 2009

Red Right Hand


Take a litle walk to the edge of town
Go across the tracks
Where the viaduct looms,
like a bird of doom
As it shifts and cracks
Where secrets lie in the border fires,
in the humming wires
Hey man, you know
you're never coming back
Past the square, past the bridge,
past the mills, past the stacks
On a gathering storm comes
a tall handsome man
In a dusty black coat with
a red right hand

He'll wrap you in his arms,
tell you that you've been a good boy
He'll rekindle all the dreams
it took you a lifetime to destroy
He'll reach deep into the hole,
heal your shrinking soul
Hey buddy, you know you're
never ever coming back
He's a god, he's a man,
he's a ghost, he's a guru
They're whispering his name
through this disappearing land
But hidden in his coat
is a red right hand

You ain't got no money?
He'll get you some
You ain't got no car? He'll get you one
You ain't got no self-respect,
you feel like an insect
Well don't you worry buddy,
cause here he comes
Through the ghettos and the barrio
and the bowery and the slum
A shadow is cast wherever he stands
Stacks of green paper in his
red right hand

You'll see him in your nightmares,
you'll see him in your dreams
He'll appear out of nowhere but
he ain't what he seems
You'll see him in your head,
on the TV screen
And hey buddy, I'm warning
you to turn it off
He's a ghost, he's a god,
he's a man, he's a guru
You're one microscopic cog
in his catastrophic plan
Designed and directed by
his red right hand

Não tendo lido ainda o Paradise Lost de John Milton, fico grato a Nick Cave pela referência.

What if the breath that kindl'd those grim fires
Awak'd should blow them into sevenfold rage
And plunge us in the Flames? or from above
Should intermitted vengeance Arme again
His red right hand to plague us? what if all
Her stores were op'n'd, and this Firmament
Of Hell should spout her Cataracts of Fire,
Impendent horrors, threatning hideous fall
One day upon our heads; while we perhaps
Designing or exhorting glorious Warr,
Caught in a fierie Tempest shall be hurl'd
Each on his rock transfixt, the sport and prey
Of racking whirlwinds, or for ever sunk
Under yon boyling Ocean, wrapt in Chains;
There to converse with everlasting groans,
Unrespited, unpitied, unrepreevd,
Ages of hopeless end; this would be worse.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Um post autobiográfico

Desde ontem sou engenheiro mecânico-aeronáutico, mas me atenho à primeira metade do termo por gosto e aptidão. A convicção nunca foi tanta que não me fizesse pensar em desistência algumas vezes nesses últimos 5 anos: talvez eu deva agradecer à minha inércia. Achei que seria razoável encerrar o ciclo sem implicar com o discurso prafrentex e bobinho que costuma acompanhar essas ocasiões.

Fiz algumas boas amizades no período, e é por essa e outras que de nada me arrependo. É bem provável que a maioria desapareça em breve, mas fazer o quê: outras surgirão, só não sei se com a mesma inteligência. Também é pouco provável que eu volte a pisar em São José dos Campos.

Percebi que comecei esse blog quando terminei o primeiro ano da faculdade e que, felizmente, não retiro tudo o que disse à época.

Termino com um poema do João Cabral de Melo Neto que sempre me pareceu uma visão simpática e coerente do engenheiro:

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O dilema da inteligência

O sujeito, quando dá conta de si no mundo, pode cair em uma de quatro categorias:

(a) Eu sou inteligente e o resto do mundo também. Essa parece ser a situação mais estimulante; há espaço para competições saudáveis e a vida é um cenário constantemente surpreendente. O simples canto do pássaro trai uma inteligência superior; tudo parece ser de uma complexidade ilimitada ainda que inteligível. Por outro lado, se o sujeito não se podar aqui e ali, começa a surgir uma arrogância panteísta, a idéia de que todas as mentes somadas formam o deus infalível do intelecto.

(b) Eu sou inteligente e o resto do mundo é meio burro. Situação típica nos jovens e nos loucos, e nos jovens loucos. Cada giro que o planeta dá sem minha supervisão parece um desperdício; por não se saber ao certo por que o mundo não pára para ouvir minhas instruções, crescem o senso de injustiça e o ressentimento. O ressentimento, por sua vez, pode fazer com que o louco fique perigoso ou que o jovem nunca cresça.

(c) Eu sou meio burro e o resto do mundo é inteligente. Imagino que aqui predomine um complexo de inferioridade destrutivo ou uma vassalagem resignada, a depender da índole do sujeito. Os mais fleumáticos não devem deixar de se maravilhar, e de se beneficiar, com os prodígios dos outros; os mais agitados vão se valer de meios alternativos como a violência.

(d) Eu sou meio burro e o resto do mundo também. Aqui a aridez intelectual desanima a todos; boas idéias são ceifadas desde a origem por pura incredulidade. O tédio predomina e as perspectivas de melhoras são ridicularizadas: não há salvação e é contraproducente pensar em semelhante fantasia.

Daqueles que ao menos param pra pensar no que vai acima, a maioria parece estar inserida na quarta categoria. Nós só não nos julgamos completamente burros (daí o 'meio') porque reconhecemos que há algo de errado. Ninguém nega que a inteligência existe, mas ela parece estar perdida no passado ou pulverizada no presente. O tipo de inteligência que indubitavelmente existe hoje, o tipo científico, perde o calor da novidade depois de pouco tempo -- a menos que o sujeito, geralmente um da primeira categoria, não consiga perceber seus limites. Os inteligentes de hoje estão enganados e os de ontem entediados.

sábado, 31 de outubro de 2009

É natural ser selvagem

É comum usarem um 'é natural' para justificar desvios comportamentais, mas naturalidade não serve como desculpa quando se sabe que é natural ser selvagem, também. Eu mesmo, na tentativa de irritar amigos esquerdistas, gosto de apontar que tal ou qual atitude do povão, quando convenientemente contrária ao ideário esquerdista, é natural, sugerindo sub-repticiamente que o natural é um encaminhamento divino para o correto.

Respirar é natural e inevitável; espirrar com estardalhaço também é natural, mas esperamos com certa dose de razoabilidade que o estardalhaço não se dê em público. Fala-se muito em espontaneidade e suas vantagens, mas não há muitas vantagens se você acredita, como eu, que o ser humano precisa de muito treinamento para chegar a ficar tolerável. Cada gesto espontâneo é uma distração do pupilo humano, verdadeiro lapso na escola da vida.

A prova insofismável da tendência humana à selvageria é o bebê recém-nascido: sem a devida instrução, ele permanecerá um nojentinho por tempo indeterminado. Muitos responderiam que a verdadeira tendência humana é a organização, já que, como vemos, acabamos ficando razoavelmente organizados depois de alguns milhares de anos. Acontece que regras de higiene e conduta não são seguidas por convicção individual de todos, e sim porque aqueles poucos que de fato se preocupam com isso convenceram, sabe-se lá como, o resto da população mundial. A hipótese de que o bom e o verdadeiro se confundem é, vemos agora, essencial: se os bons começam a mentir, mentira torna-se verdade e continuamos a nos lambuzar em refeições para sempre.

sábado, 17 de outubro de 2009

Duas dúvidas

1) Dos mitômanos. Como explicá-los? Começam a mentir quando crianças e não conseguem mais parar? Um colega meu já confessou que gosta de mentir para testar sua habilidade de enganar as pessoas. Esse é o tipo mais facilmente explicável e, por isso mesmo, menos interessante. Uma divisão importante é a que separa os que inventam episódios mirabolantes -- os mitômanos na acepção original -- dos exageradores. Esses últimos são capazes de jurar que naquela noite beberam 1 litro de cachaça e não 3 doses; cada conversa nada mais é que um intervalo entre dois eventos pitorescos de suas vidas. Dá vontade de acalmá-los: nós gostamos de vocês assim mesmo, 3 doses já são suficientes. Se confrontados, preferem insistir na mentira ou até aumentá-la, para provar que em verdade estavam sendo conservadores no início. Os mitômanos ao menos têm a chance de ser originais, mas seria decepcionante descobrir que tudo não passa de um esporte. Por hábito, eu acredito de imediato no que as pessoas me dizem a menos que isso me traga algum risco ou seja logicamente impossível. Se alguém se acha mais inteligente por me fazer acreditar numa história falsa, eu me acho mais inteligente por não me importar com isso. Prefiro acreditar que os mitômanos não se podem controlar; as lorotas vão surgindo em cadeia e quando o sujeito dá por si ele mesmo já está convencido da veracidade de suas fantasias. Se for assim, estão perdoados.

2) Do humor em sonhos. Humor é um dos assuntos mais complicados que existem; o humor masculino é totalmente diferente do feminino (esse eu sinceramente acredito que nem sequer existe, a não ser por imitação) e o humor divino permanece um grande mistério: Deus acha graça de alguma coisa? Outro dia sonhei que conversava com um amigo de infância que não vejo há alguns anos e, pedindo notícias de conhecidos em comum, perguntei por onde andava Fulano, sendo que Fulano era o meu interlocutor. 'Ah, é você', me desculpei, e a conversa presseguiu normalmente, sem que ele ou eu estranhássemos a confusão. Pensando bem, lembrei que nunca tive um sonho engraçado, ou melhor, um sonho que me parecesse engraçado no momento do sonho. O enigma estaria solucionado se eu descobrisse que a parte do cérebro responsável pelo humor, se é que isso existe, fica desativada enquanto dormimos, mas nem sequer me lembro de sonhos em que me limito a recordar situações engraçadas. E o episódio com meu amigo de infância, foi piada de quem? Ou isso nem foi uma piada?

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O brasileiro finge que trabalha

Descobri esses dias que, na empresa onde trabalho, o país cujos funcionários ficam até mais tarde trabalhando é o Brasil. O brasileiro trabalha mais, então? Não: trabalha menos. O conhecimento prévio de que vai ser necessário ficar no serviço até altas horas diminui o ritmo e o que se resolve em 8 horas em outros países deve levar 12 por aqui. A hora extra se impõe antes de se fazer necessária.

Agora eu entendo a obsessão que o brasileiro tem por se dizer ocupado. Se não o fizer, vai ser confundido com o grosso dos brasileiros, tidos como preguiçosos. É preciso deixar bastante claro na mesa do bar que trabalham 12, 16 horas por dia; pouco importa se 2 ou 3 delas foram gastas no corredor do cafezinho e outras tantas em sites de notícias.

O mais deprimente é ver o pessoal que vem de fora se adaptando a essa realidade: primeiro tentam esboçar alguma reação, lembram que têm famílias e outros afazeres em casa etc. Depois, mui brasileiramente, desaceleram o trabalho, aproveitam cada oportunidade para interrompê-lo, catimbam mais que time argentino em final de Libertadores. Ouçam o que digo: os brasileiros, e os estrangeiros que se lhes assemelham, apenas fingem que trabalham.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Mudança de endereço

Por motivos técnicos, o endereço do Parnaso mudou. Agora é mntparnaso . blogspot, e não mtparnaso . blogspot. O endereço antigo redireciona pra cá, mas atualizem aí. Até.