<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003</id><updated>2012-02-16T04:20:08.712-08:00</updated><category term='Sociologia'/><category term='Música'/><category term='Miscelânea'/><category term='História'/><category term='Cinema'/><category term='Religião'/><category term='Engenharia'/><category term='Psicologia'/><category term='Física'/><category term='Filosofia'/><category term='Matemática'/><category term='Poesia'/><category term='Prosa'/><category term='Política'/><category term='Mulheres'/><category term='Economia'/><title type='text'>Parnaso</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>269</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-2569677251464792448</id><published>2010-09-26T17:30:00.000-07:00</published><updated>2010-09-27T17:43:05.562-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><title type='text'>Guia de tresleitura</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No mês de setembro, o caso mais exemplar de charlatanismo jornalístico que encontrei foi no blog da The Economist. Leiam o texto do "M.S." &lt;a href="http://www.economist.com/blogs/democracyinamerica/2010/09/obama_derangement_syndrome"&gt;aqui&lt;/a&gt; e o artigo do Dinesh D'Souza que gerou o comentário &lt;a href="http://www.forbes.com/forbes/2010/0927/politics-socialism-capitalism-private-enterprises-obama-business-problem_print.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Como geralmente faço nessas ocasiões, li, por cortesia, a resposta antes de ler o artigo original. Assim eu deixo que o autor da resposta me mostre ele mesmo quais são os trechos do artigo original que ele considera dignos de serem citados sem que a minha leitura interfira no processo. Esse exercício me permite desconfiar que muita gente escreve respostas na esperança de que os leitores, já convencidos pela aparente razoabilidade da resposta, sintam-se desobrigados de ler o artigo original. De fato, na seção de comentários do blog da Economist há várias invectivas contra a simples necessidade de ler textos de 'alguém' como o D'Souza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo no primeiro  parágrafo, o M.S. conclui que o arrazoado de D'Souza não faz o menor sentido e cita uma conclusão a que este chega no vigésimo nono parágrafo de seu texto: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;If Obama shares his father's anticolonial crusade, that would explain  why he wants people who are already paying close to 50% of their income  in overall taxes to pay even more.&lt;/span&gt; Qualquer pessoa que não tenha lido o artigo de D'Souza concordaria que a relação entre anticolonialismo e tributação parece meio maluca. A frase seguinte do texto original, porém, é essa:  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The anticolonialist believes that since the rich have prospered at the  expense of others, their wealth doesn't really belong to them; therefore  whatever can be extracted from them is automatically just&lt;/span&gt;. Pode-se concordar ou discordar dessa visão do anticolonialismo, mas a essa altura não se pode mais alegar ignorância do nexo lógico da conclusão inicial. Antes de terminar o primeiro parágrafo de seu texto, M.S. dispara: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Message to American billionaires and the people who write for them: &lt;/span&gt;&lt;em&gt;many events and movements in world history did not revolve around marginal tax rates on rich people in the United States.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como diria ele próprio, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;come again? &lt;/span&gt;Sugerir que a idéia de que qualquer acumulação de renda é injusta, e que portanto deve ser redistribuida, contribuiu para o crescimento desenfreado da tributação (especialmente sobre milionários) é então o mesmo que dizer que eventos da história mundial (provavelmente ele está se referindo ao anticolonialismo) giram em torno da tributação sobre milionários? Aqui o procedimento foi o seguinte: atribuir absurdidade, através da omissão de termos explicativos, a uma hipótese com que se pode discordar, mas que nada tem de absurda, e em seguida inverter sujeito e objeto da hipótese e atribuí-la novamente ao autor original. Só mesmo não tendo lido o artigo de D'Souza para não desistir dessa brincadeira após o primeiro parágrafo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais adiante M.S. declara que entende perfeitamente como Barack Obama pensa, já que é assim que pensa a maioria dos que se dizem de centro-esquerda nos EUA. Isso nos leva a concluir que se qualquer grupo numeroso de americanos começar a morar em cima de bananeiras, M.S. entenderá perfeitamente como eles pensam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No pouco espaço que lhe resta, M.S. ainda consegue (a) distorcer uma passagem do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Virtue of Prosperity&lt;/span&gt;, em que fica claro a qualquer leitor mediano que o D'Souza defende, sim, a igualdade de oportunidades -- &lt;span style="font-style: italic;"&gt;the government is obliged to treat all citizens equally&lt;/span&gt; -- ao mesmo tempo em que enaltece as desigualdades de mérito e de inteligência; (b) tecer ilações levianas sobre a história da Índia e envolver a família de D'Souza na bagunça, apenas pra reconhecer mais tarde que era tudo brincadeirinha e que o conhecimento que D'Souza tem sobre o pai de Obama é comparável ao que ele mesmo tem sobre a história da Índia, isto é, nenhum; (c) perguntar aos céus por que, meu Deus, ainda lêem artigos como o de Dinesh D'Souza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já vi semelhante baixeza intelectual na mídia brasileira, mas não esperava coisa parecida na Economist. Por que, meu Deus, ainda lêem artigos como esse?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-2569677251464792448?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/2569677251464792448/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/09/guia-de-tresleitura.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/2569677251464792448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/2569677251464792448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/09/guia-de-tresleitura.html' title='Guia de tresleitura'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-2700733704458789998</id><published>2010-09-10T17:11:00.000-07:00</published><updated>2010-09-10T22:09:23.614-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Eu, substantivo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nota: neste post há spoilers do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Inception&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na aula 64 do curso online, o Olavo faz um resumo de aulas anteriores com ênfase no tema mais importante, o 'eu substantivo' ou 'eu profundo' ou 'alma imortal', aquilo que realmente somos. O que somos, segundo esse conceito, transcende corpo e mente abrangendo-os: quando digo 'eu', certamente não me refiro somente a meu corpo e à minha mente, mas também a eles. Na realidade a 'alma imortal', sendo perene, é maior que qualquer universo físico imaginável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maneira mais fácil de perceber isso é, acho, lembrar que quando pensamos em uma pessoa, pensamos sobre ela, não pensamos ela própria. Se não fosse assim, ela deixaria de ter existência autônoma e seria apenas um objeto do meu pensamento. Da mesma maneira a idéia que faço de mim é apenas um pensamento, não sou eu mesmo; eu, porém, não deixo de existir por isso. Sendo assim, o 'eu substantivo' (o meu e o de qualquer outra pessoa) não pode ser conhecido por pensamento; só pode ser conhecido por intuição ou por 'conhecimento por presença'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já vi o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Inception&lt;/span&gt;, último filme do Cristopher Nolan, sendo criticado por brincar com a noção de realidade, por dissolvê-la na atmosfera do sonho etc. Na realidade o que ele faz é o contrário: no final das contas, Cobb desiste do sonho porque Mal, sua finada esposa e, no sonho, uma projeção de seu subconsciente, é uma 'sombra' quando comparada à Mal real, a Mal-substantiva. Sendo apenas um pensamento, não poderia ser mais que sombra; quando gostamos de alguém, gostamos do 'eu substantivo', não dos pensamentos que ele suscita. Se esse último caso fosse verdadeiro, não precisaríamos lamentar a morte de ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro ponto é que o filme jamais questiona a precedência do estado de vigília sobre o de sono; todos os personagens (exceto as vítimas dos golpes, que apenas de maneira precária são enganadas) parecem estar cientes da distinção entre os dois. Perto do questionamento radical de Descartes, um sonho em que nos basta girar um totem para sabê-lo sonho é brincadeira de criança. Ainda que todo o primeiro plano da ação do filme seja também um sonho, como a tomada final sugere, por que teríamos motivos para nos alarmar se o percebemos tão facilmente? Basta que Cobb preste atenção ao seu totem para percebê-lo também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferentemente do pesadelo de Descartes, aqui o trânsito entre sonho e realidade é até bem previsível: há relação de proporcionalidade entre o tempo transcorrido em ambos; sabe-se o que acontece após a morte em sonho etc. Mais importante que tudo isso, todos os sonhos, não importando em que nível estejam, só fazem sentido quando confrontados com a realidade, e esta nunca deixa de ser reconhecida como tal. De certa maneira, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Inception&lt;/span&gt; é o mais realista dos filmes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-2700733704458789998?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/2700733704458789998/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/09/eu-substantivo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/2700733704458789998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/2700733704458789998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/09/eu-substantivo.html' title='Eu, substantivo'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-2764629654981047605</id><published>2010-08-29T18:46:00.000-07:00</published><updated>2010-08-29T19:42:19.636-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Taxação progressiva</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às vezes o aparato estatal parece tão confuso e cansativo que certas verdades tornadas axiomáticas apenas recentemente nos passam desapercebidas ou, pior, percebemo-las dignas do status de inquestionáveis. Nos EUA, o imposto de renda nasceu em 1913 (antes tinha aparecido provisoriamente em situações excepcionais, como a guerra da secessão) e no Brasil só na década de 20. Afora a distinção radical entre taxação direta (IR) e indireta (imposto sobre serviços, produtos etc.), o que me interessa realmente é o princípio &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ability-to-pay&lt;/span&gt; (paga mais quem pode mais) ou taxação progressiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maneira de justificar esse princípio é sempre retroativa: já que temos que arrecadar uma dinheirama, que paguem mais os que mais podem. Mas isso é tão convincente quanto dizer que o aborto deve tornar-se legal porque muitas o praticam, ou que o homicídio deve ser aceito por ser praticado 50.000 vezes ao ano só no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode parecer exagero de libertarian ensandecido, mas a taxação progressiva é como um roubo institucionalizado, ainda mais porque ela discrimina as vítimas mais opulentas exatamente como o fazem ladrões profissionais. Os ladrões procuram as casas com grandes jardins, torneiras de ouro e TVs de LED; a Receita Federal procura os donos dessas casas. Os assaltantes deixam estar os esfaimados e maltrapilhos; a Receita Federal também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentar argumentar que no final das contas isso é contraproducente para o próprio Estado é inútil por vários motivos, além de me parecer uma espécie de estertor dos derrotados. Idealmente o princípio deveria ser repelido não por comprometer num futuro incerto a bolsa estatal, mas por ser abjeto em si mesmo. De qualquer maneira, é sempre bom lembrar que um aumento salarial representa mais impostos pagos não só pelo funcionário que o recebeu, mas em escala ainda maior pelo empregador. E que o dinheiro que poderia ser reinvestido na empresa (gerando novos e/ou melhores empregos) ou na poupança mesma de seu dono (gerando mais crédito disponível em mercado) é diretamente transferido aos cofres públicos, para o contentamento de burocratas bonachões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A malha fina de que fala a Receita é termo bem empregado; é preciso capturar as mosquinhas que insistem em voar incorruptíveis. Para mais detalhes, leiam &lt;a href="http://mises.org/etexts/rootofevil.asp"&gt;esse&lt;/a&gt; livrinho do Frank Chodorov.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-2764629654981047605?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/2764629654981047605/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/08/taxacao-progressiva.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/2764629654981047605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/2764629654981047605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/08/taxacao-progressiva.html' title='Taxação progressiva'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-6229840370011261029</id><published>2010-08-22T19:35:00.000-07:00</published><updated>2010-08-22T20:49:12.762-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Física'/><title type='text'>Sir Isaac não andava de ônibus</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda no tema da percepção direta da realidade, vejam que o John Derbyshire, &lt;a href="http://www.takimag.com/blogs/article/deconstructing_folk_metaphysics/"&gt;nesse&lt;/a&gt; artigo, praticamente declara a total inépcia do que ele chama 'folk metaphysics' para lidar com os cada vez mais complexos problemas da ciência moderna. A mente humana individual não vai ser de muita serventia ao investigar a estrutura profunda da realidade, devendo ser substituída, suponho eu, pelo miraculoso 'método científico'. Não me perguntem quem estaria a guiar o tal método científico; logicamente falando, se não é a mente humana individual, só pode ser a mente humana coletiva, isto é, o consenso científico ou algo que o valha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Derbyshire sugere que a metafísica folk começa a falhar por volta de 1870, citando como exemplo disso a surpresa (surpresa de quem?) ao constatarmos que a reação de sódio com cloro, em circunstâncias propícias, gera o cloreto de sódio ou sal de cozinha, substância radicalmente diferente de seus componentes (um gás venenoso e um metal bastante reativo). Provavelmente Derbyshire também se surpreenderia se lhe constassem que íons de cloro em solução aquosa tampouco têm muita coisa a ver com um gás venenoso, assim como cátions de sódio não são em si metálicos ou sequer palpáveis... ginasianos de química estudam essa e outras reações parecidas com muito mais tédio que assombro, num tópico vestibulando chamado química inorgânica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim ficamos sem saber se a metafísica folk é tão-somente percepções intuitivas e individuais da realidade ou se é a tentativa desastrada de aplicar princípios metafísicos daí extraídos (como o 'like can only come from like') a ordens eminentemente não-metafísicas, como a de uma simples reação química. Se estamos no segundo caso, é preciso reconhecer que ela não servia nem em 1870 nem nos séculos anteriores, que já conheciam a bombástica reação do sal de cozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ao falar das leis de movimento de Newton, porém, que o artigo de Derbyshire cai de uma vez no ridículo. Aí vai o resuminho que ele faz:&lt;blockquote&gt;    Sir Isaac: An object in uniform motion stays that way until a force is applied.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Folk Metaphysician: No it doesn’t. Objects set moving on the level always roll or slide to a stop. Things moving through the air fall to the ground, unless they’re flying. On water, things get carried every which way by currents, and sometimes sink.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sir Isaac: Apply a constant force to a constant mass, you’ll get steady acceleration.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Folk Metaphysician: A horse pulling a wagon is applying constant force to constant mass, isn’t it? So if your so-called “law” is true, why wasn’t 19th-century America full of horses and wagons zipping around at hundreds of miles an hour? Huh?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sir Isaac: Every action generates an equal and opposite reaction.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Folk Metaphysician: So when I push on this wall with my hand. the wall pushes back? What, there’s a little hand in the wall pushing back at mine? Hoo hoo hoo! How’s it know when to stop pushing? Ha ha ha ha!&lt;/blockquote&gt;No primeiro caso, a objeção do folk metaphysician está totalmente correta: não seria possível construir uma ponte ou uma estrada ou qualquer coisa sem levar em conta o efeito do atrito, o mesmo que impede que os objetos continuem se movendo indefinidamente. No segundo caso a objeção poderia ser feita por um aluno de 12 anos que leu sobre força de Newton pela primeira vez, sendo suficiente para acabar com a confusão um professor que lhe explicasse que uma força de atrito dinâmico, de mesma magnitude e em sentido contrário, atua sobre a carroça zerando a força resultante e fazendo com que ela se mova em velocidade aproximadamente constante. No terceiro caso a objeção, creio eu, só existe na cabeça de Derbyshire. Nunca vi semelhante disparate sendo formulado, e vejam que estudei no Brasil. É claro que a parede atua sobre nossas mãos, ou não sentiríamos dor ao socá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma objeção mais inteligente à lei da ação-e-reação de Newton seria observar que, quando estamos num ônibus em processo de frenagem, somos empurrados para frente sem que exerçamos força de reação em quem quer que seja. Temos aí um exemplo de folk metaphysics, e de folk que anda em ônibus, fazendo frente aos desafios da ciência moderna. Hoo hoo hoo!  Ha ha ha ha!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-6229840370011261029?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/6229840370011261029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/08/forca-de-inercia-na-manga.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/6229840370011261029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/6229840370011261029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/08/forca-de-inercia-na-manga.html' title='Sir Isaac não andava de ônibus'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-5018160782490124213</id><published>2010-07-23T18:46:00.001-07:00</published><updated>2010-07-23T18:47:31.281-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>'With or without you' em cerimônia de casamento</title><content type='html'>Bola fora ou é só impressão minha?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-5018160782490124213?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/5018160782490124213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/07/with-or-without-em-cerimonia-de.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5018160782490124213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5018160782490124213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/07/with-or-without-em-cerimonia-de.html' title='&apos;With or without you&apos; em cerimônia de casamento'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-4675493167768363292</id><published>2010-07-09T14:10:00.000-07:00</published><updated>2010-07-09T15:01:44.601-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Matemática'/><title type='text'>Razão espontânea</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na aula 20 do curso de filosofia, Olavo de Carvalho fala da diferença entre razão espontânea e razão refletida. Dá como exemplo de razão espontânea a percepção pré-analítica de um esquema probabilístico, como o resultado em um jogo de cartas. Digo pré-analítica porque o sujeito parece perceber quais são as alternativas mais vantajosas antes mesmo de considerar detidamente a formulação matemática do problema (os jogadores ficam com as palmas das mãos suadas sempre que optam pela alternativa mais arriscada). Apesar de a conclusão mais comum ser atribuir esse conhecimento à inconsciência, o Olavo objeta que esse tipo de conhecimento é tão consciente quanto as considerações matemáticas posteriores, sendo que estas últimas nos dão mais segurança apenas porque são criações dirigidas por nós mesmos, e não algo que nos chega diretamente da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ponto que mais me interessa nessa discussão toda é, claro, como aperfeiçoar a razão espontânea. Alguém fez essa pergunta durante a aula e o Olavo aconselhou a simples abertura intelectual à realidade, a rejeição do senso-comum pré-fabricado etc. Parece mesmo difícil conceber uma maneira de treinar esse tipo de razão, tanto que, na faculdade, quando deparávamos com um exemplo de razão espontânea prodigiosa, atribuíamos o ocorrido à 'inteligência' do sujeito. Só posso dar exemplos da engenharia porque tenho muito pouca experiência com temas filosóficos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na faculdade de engenharia, a minha  impressão era a de que todos os alunos tinham a faculdade de razão refletida mais ou menos equivalente; qualquer discrepância pontual era facilmente explicada por falta de estudo do assunto específico. Já a razão espontânea variava muito, especialmente em problemas de visualização geométrica. Enquanto alguns sofriam para projetar interseções de planos ou desenhar sólidos a partir de suas projeções, outros faziam-no automaticamente e sem precisar seguir o procedimento canônico (o procedimento na mais das vezes os atrapalhava).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro aspecto curioso da razão espontânea é que, além de distribuída desigualmente entre os seres humanos, ela parece ser heterogênea também dentro de cada um deles: enquanto alguns tinham-na desenvolvidíssima para a geometria descritiva e pífia para a álgebra linear, outros, que não podiam desenhar uma pirâmide a partir de suas projeções, intuíam a diagonalização de matrizes sem conhecimento prévio do procedimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos meus melhores amigos da época era quase infalível em estimações aleatórias, como acertar a área superficial do continente africano ou do corpo humano, o peso dos livros em uma biblioteca ou o número de bolas de tênis necessárias para encher uma sala. Numa das vezes em que tentou melhorar a estimativa com cálculos, acabou piorando o número.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-4675493167768363292?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/4675493167768363292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/07/razao-espontanea.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/4675493167768363292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/4675493167768363292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/07/razao-espontanea.html' title='Razão espontânea'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-3921504401700028448</id><published>2010-06-14T20:02:00.000-07:00</published><updated>2010-07-08T20:02:16.963-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Ódio ao sucesso</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É notório o desprezo, ou até mesmo ódio, que o brasileiro tem pelo conhecimento; os personagens do Lima Barreto nos lembram disso o tempo todo. José Guilherme Merquior, que lia muito, foi acusado de terrorismo bibliográfico em debate público por tentar rastrear uma idéia com mais de duas ou três referências. Eu diria que o brasileiro tem ódio ao sucesso alheio, mas por que teria ódio ao conhecimento se ele mesmo não considera isso uma forma de sucesso? Nesse caso acho que há mais birra que ódio; há a simples constatação de que outros têm o que não tenho. Ou, para não desacreditar de todo da raça humana, há a vaga intuição de que o conhecimento nos leva a um mundo mais interessante e, para eles, insondável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o assunto é dinheiro a coisa muda de figura. O dinheiro se transformou no parâmetro preferido de aferição do caráter humano: odeia-se quem não se comporta apropriadamente em relação a ele. Nós armamos esquemas sociais curiosos pra tentar fugir a essa conclusão. Exemplo: emprestamos dinheiro com prodigalidade, mas apenas para aqueles que sabemos serem bons pagadores. Ao mesmo tempo em que afetamos desprendimento em relação a bens materiais, fomentamos um ambiente de execração aos devedores. Pagam-se as dívidas não mais por sentimento de dever, mas por medo de retaliação. Prova disso é que, quando o credor se esquece da dívida, o devedor acompanha-o de bom grado na amnésia contábil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam o caso dos judeus. Até há poucos anos eu supunha ingenuamente que os anti-semitas praticamente inexistiam entre nós. Supunha também que os poucos que existissem justificariam o anti-semitismo com algo mais que o argumento da dominação fiduciária. A totalidade dos anti-semitas que conheço pessoalmente (não são muitos, mas a coincidência já me parece assombrosa) podem até ter motivos mais obscuros para serem anti-semitas, mas, ao tentar explicá-lo, só se lembraram de mencionar episódios de ordem pecuniária, alguns deles pateticamente anódinos. Ainda que não esteja aí o principal motivo, é com esse motivo que eles esperam conquistar nossa empatia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De toda a complexidade da origem do anti-semitismo, pouca coisa parece ter sobrado, no Brasil, além do dinheirismo. Deve servir de consolo aos judeus a percepção de que por aqui todo sucesso financeiro é visto com desconfiança. Poderia haver preconceito mais contraproducente?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-3921504401700028448?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/3921504401700028448/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/06/odio-ao-sucesso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/3921504401700028448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/3921504401700028448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/06/odio-ao-sucesso.html' title='Ódio ao sucesso'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-1007215459507929136</id><published>2010-06-13T15:09:00.000-07:00</published><updated>2010-06-13T15:11:07.338-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><title type='text'>De quando os presidentes americanos impunham respeito</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TBVXUQOtRhI/AAAAAAAAAB8/RXth3UAKCGs/s1600/Roosevelt_safari_elephant2.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 288px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TBVXUQOtRhI/AAAAAAAAAB8/RXth3UAKCGs/s400/Roosevelt_safari_elephant2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5482384126859101714" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-1007215459507929136?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/1007215459507929136/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/06/de-quando-os-presidentes-americanos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/1007215459507929136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/1007215459507929136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/06/de-quando-os-presidentes-americanos.html' title='De quando os presidentes americanos impunham respeito'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TBVXUQOtRhI/AAAAAAAAAB8/RXth3UAKCGs/s72-c/Roosevelt_safari_elephant2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-5533069394399062840</id><published>2010-06-13T07:55:00.000-07:00</published><updated>2010-06-13T07:57:12.517-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>Na lavanderia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-- Pra terça não dá, tem jogo do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se usam calças em dia de jogo do Brasil?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-5533069394399062840?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/5533069394399062840/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/06/na-lavanderia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5533069394399062840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5533069394399062840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/06/na-lavanderia.html' title='Na lavanderia'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-7711312707604089515</id><published>2010-06-03T12:58:00.000-07:00</published><updated>2010-06-16T18:20:19.793-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>A demonização da carne</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/2jMfYbt_XlM&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/2jMfYbt_XlM&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ABwGF3fZK0I&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/ABwGF3fZK0I&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/a-pHIuoZhCM&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/a-pHIuoZhCM&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Excetuando as peças oficiais protagonizadas pelo próprio presidente ou por colegas de partido, as que vão acima são as piores que já vi na vida. Elas primam, como é bem perceptível, pela sutileza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira pergunta a ser feita é: por que escolheram a carne? Não há indício de que a produção ilegal de carne bovina no Brasil seja um flagelo comparável a outros que existem indubitavelmente: economia informal, corrupção, sonegação de impostos etc. O terceiro vídeo inclusive fala em sonegação fiscal, mas haverá mais sonegação no campo ou na indústria? As grandes movimentações de dinheiro são mais 'secretas' nas grandes fazendas de gado de corte ou nas grandes estatais brasileiras? Num país em que há muitos problemas, exige-se certo senso de prioridades; o que levou o ministério público a priorizar o problema das carnes?  A minha resposta a essa primeira pergunta fica para o fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar, choca, ou deveria chocar, o fato de o MP denegrir justamente o setor da economia em que o Brasil se destaca. O Brasil é o segundo maior produtor de carne bovina do mundo; o maior exportador do mundo. Das 10 empresas que mais exportaram no Brasil em 2008, 4 são de bens de consumo. A JBS, que lida principalmente com carne bovina, aparece em 22o. lugar, com valor de exportação superior a 20% do valor de exportação da Embraer, produtora de aviões quase exclusivamente destinados ao exterior (apareceu aí a Azul, a linha aérea brasileira que paradoxalmente compra aviões brasileiros!). Resta alguma dúvida de por que a balança comercial brasileira ainda pára em pé? Nos setores da economia em que tropeçamos, damos um jeito de responsabilizar maldade, opressão e legado estrangeiros; naqueles em que nos destacamos, cometemos suicídio publicitário. Seria só burrice?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam que no segundo vídeo o sujeito fala em trabalho escravo. Sobre esse assunto fala a senadora Kátria Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA),  nas páginas amarelas da Veja de algumas semanas atrás:&lt;blockquote&gt;A Organização Internacional do Trabalho define o trabalho forçado como aquele feito sob armas, com proibição de ir e vir ou sem salário. Isso, sim, é trabalho escravo, e quem o pratica deve ir para a cadeia. O problema é que, pelas normas em vigor no Brasil, um beliche fora do padrão exigido pode levar o fazendeiro a responder por maus-tratos aos empregados. A NR-31 é uma punição à existência em si da propriedade privada no campo. (...) Imagine a seguinte situação: é hora do almoço, o trabalhador desce do trator, pega a marmita e decide comer sob uma árvore. Um fiscal pode enquadrar o fazendeiro por manter trabalho escravo simplesmente porque não providenciou uma tenda para o almoço do tratorista. Isso é bem diferente de chegar a uma fazenda e encontrar o pessoal todo comendo sob o sol inclemente. São duas situações diferentes. Mas elas provocam as mesmas punições. Isso confunde o pessoal do campo, que passa a se sentir sempre um fora da lei.&lt;/blockquote&gt;Sempre desconfiei que as condições de trabalho nas fazendas brasileiras fossem tão desconhecidas pelos denunciadores de plantão quanto por mim mesmo, até então um completo desinteressado no assunto. Em outro artigo, publicado no Estadão, a mesma senadora continua:&lt;blockquote&gt;Em quase todos os casos, os enquadrados como escravagistas não são processados. E por um motivo simples: não o são. As autuações trabalhistas que apontam prática de trabalho escravo são insuficientes para levar o Ministério Público a oferecer denúncias pela prática de infrações criminais. O resultado é que, enquanto isso não ocorre, o produtor tachado de escravagista fica impedido de prosseguir em seu negócio e acaba falido ou tendo de abrir mão de sua propriedade. A agressão, como se vê, não é somente contra o grande proprietário, mas também contra a agricultura familiar, cuja defesa é o pretexto de que se valem os invasores e difamadores.&lt;/blockquote&gt;Então o MP, incapacitado de levar a cabo as denúncias contra colchões irregularmente fofos, faz o obséquio de espalhar em cadeia nacional que os grandes responsáveis pelo equilíbrio da balança comercial são em verdade ignominiosos senhores de escravos. Quem, afinal, terá melhores condições de descrever a real situação nas fazendas, o governo ou a CNA? Eis os números: "Os grupos móveis de fiscalização do MT percorreram, em sete anos - de 2003 até hoje -, 1.800 fazendas. A CNA, em 90 dias, percorreu mil fazendas e já está promovendo o circuito de retorno, para averiguar as providências tomadas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de completamente inúteis (por apenas promoverem uma transferência de responsabilidades preguiçosa e cínica, do tipo 'já que não fazemos, faça você!, seja consciente!', sem que haja a preocupaçao de fornecer meios para tanto, e sem que haja uma justificativa de por que essa responsabilidade deveria ser nossa), esses anúncios oficiais traem o preconceito brasileiro contra o agronegócio, que se acentua e chega às raias da loucura quando esse agronegócio inclui, como não poderia deixar de fazê-lo, a produção de carnes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O único aspecto meritório das peças publicitárias é o visual; recomendo assistir no mudo, abstraindo as legendas. E bom almoço.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-7711312707604089515?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/7711312707604089515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/06/demonizacao-da-carne.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/7711312707604089515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/7711312707604089515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/06/demonizacao-da-carne.html' title='A demonização da carne'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-5705881538748713782</id><published>2010-05-15T13:53:00.001-07:00</published><updated>2010-05-15T14:56:04.044-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Física'/><title type='text'>O coeficiente de desconhecimento</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entrei um pouco atrasado no curso de filosofia do Olavo de Carvalho, mas acho que ainda consigo alcançar o bonde. Nas primeiras aulas ele fala muito da dificuldade de suprimir o hiato entre discurso filosófico, conceitos universais etc. e a experiência real. Parece que as pessoas desdenham uma apreensão exata da experiência real porque (a) ela seria banal, sendo portanto mais interessante ir direto às fantasias mirabolantes, ou (b) ela seria impossível. No item b incluem-se relativistas, desconstrucionistas etc. que dizem, entre outras coisas, que o que vemos não são os objetos em si, mas uma manifestação fenomênica particular. Por exemplo, podemos ver um elefante pelo lado direito e a 10m de distância, ou a 20m de distância, mas nunca o elefante global, o elefante em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como há os que acham que podemos saber tudo (e se empolgam), há os que acham que não podemos saber nada (e se desesperam). Essa observação do elefante é o tipo da coisa boba que acaba sendo aceita quando expressa em linguagem acadêmica, e simplesmente porque ninguém está treinado pra negar o que é obviamente falso. O Olavo observa que a limitação (se vamos considerar isso uma limitação...) de não podermos observar o elefante dos dois lados simultaneamente corresponde à 'limitação' do elefante de não poder se mostrar da mesma forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O coeficiente de desconhecimento, então, é a medida do que não é potencialmente conhecível: não sabemos não por falha nossa, mas porque tem de ser assim. Acho engraçado quando esses conceitos encontram correspondentes científicos: ninguém sai por aí dizendo que a física está acabada porque não podemos conhecer, exata e simultaneamente, a posição e o momento linear de uma partícula. Pois é precisamente isso que enuncia o princípio da incerteza de Heisenberg: o produto das incertezas de cada grandeza é sempre maior que uma dada constante (no caso, a constante de Planck reduzida dividida por 2), isto é, se conhecemos com precisão a posição da partícula, pouco sabemos sobre seu momento linear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/S-8U6w1fxlI/AAAAAAAAAB0/rU29qX3dbbc/s1600/0a1c02498125a255a2f5b0e58908a8ae.png"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 98px; height: 41px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/S-8U6w1fxlI/AAAAAAAAAB0/rU29qX3dbbc/s320/0a1c02498125a255a2f5b0e58908a8ae.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5471615072052692562" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Mais uma vez, há quem ache que se trata de uma limitação do observador (como o próprio Heisenberg), e há quem acredite que se trata da natureza mesma do sistema, assim como descrita pelas equações da mecânica quântica. O elefante fica mais complexo e nós ficamos mais calmos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-5705881538748713782?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/5705881538748713782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/05/o-coeficiente-de-desconhecimento.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5705881538748713782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5705881538748713782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/05/o-coeficiente-de-desconhecimento.html' title='O coeficiente de desconhecimento'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/S-8U6w1fxlI/AAAAAAAAAB0/rU29qX3dbbc/s72-c/0a1c02498125a255a2f5b0e58908a8ae.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-3721230691981437310</id><published>2010-05-04T17:13:00.001-07:00</published><updated>2010-05-04T18:50:04.789-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>Depois de três meses em Santa Catarina...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha opinião sobre Santa Catarina ainda é, creio, ambígua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morei em Balneário Camboriú, então estive em contato direto com o frenesi juvenil do lugar, o que pode ser desvantajoso num domingo à noite. Conheci o lado mais tradicional do estado em Blumenau, num festival de chopp em que vovôs dançavam com os netos, e em Brusque, comprando toalhas e malhas de frio. Espero um dia tomar um chopp Eisenbahn com meu neto; espero que ele não precise ir a Brusque pra comprar toalhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Balneário, apesar de bem arrumada, não consegue escapar à sina das cidades litorâneas: péssimo atendimento em hotéis e restaurantes, comida sem graça, malandro de sunga no elevador etc. Uma desvantagem peculiar do local é a quantidade assombrosa de argentinos e uruguaios malcriados. Comparado com o Rio, temos ainda um paraíso: as praias são mais bonitas e as banhistas não fazem por menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou voltando a São Paulo por opção própria, mas confesso que certas facilidades da cidade grande já estavam fazendo falta, como poder mandar o carro para a oficina depois das 18.00h e comer um hamburguer depois das 2.00h. Por algum motivo nada misterioso, praia não combina com trabalho depois do expediente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-3721230691981437310?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/3721230691981437310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/05/depois-de-tres-meses-em-santa-catarina.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/3721230691981437310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/3721230691981437310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/05/depois-de-tres-meses-em-santa-catarina.html' title='Depois de três meses em Santa Catarina...'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-7112010681027316760</id><published>2010-05-04T16:24:00.000-07:00</published><updated>2010-05-04T17:10:57.968-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Deus no cinema</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pode vir como surpresa o fato de os maiores filmes de 2009 tratarem, essencialmente, de religião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Avatar&lt;/span&gt; encena uma tribo que às vezes parece se aproximar do cristianismo, às vezes (ou quase sempre) do ambientalismo romântico tão caro aos Camerons da política. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Whatever Works&lt;/span&gt; é mais uma diatribe (a lista vai crescendo) de Woody Allen contra a ingenuidade intelectual de quem nasceu fora de Nova York ou acredita em Deus. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Serious Man&lt;/span&gt;, dos irmãos Coen, ridiculariza a insistência com que o homem tenta interagir com o divino. Não vi &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Invention of Lying&lt;/span&gt;, mas o título é eloquente. E por aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro caso a divindade é imponente e até visualmente fascinante, mas a ganância capitalista parece bastar para destruí-la. No segundo ela nem sequer existe, e qualquer pensamento nesse sentido é ridículo. No terceiro, aprendemos que na mais das vezes é mais sábio deixá-la em paz. O único filme recente em que criador se impõe sobre criatura, em generosa concessão à terminologia, é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Book of Eli&lt;/span&gt;. O Deus desse filme é sem dúvidas poderoso e misterioso, mas não há garantias de que seria um líder inspirado. Denzel Washington, guardião do livro num mundo pós-apocalíptico, raramente cita passagens escriturais e faz um resumo franzino de todo seu aprendizado: dar aos outros mais que a si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em artigo na First Things, Thomas Hibbs comenta que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Perhaps the most instructive lesson to take away from the religious  themes in recent films is the way our popular culture seems to vacillate  between essentially empty conceptions of a transcendent God and  increasingly fertile notions of divine immanence. &lt;/span&gt;O divino pulula no imaginário popular - seja em florestas ou em desertos futurísticos -, mas o Deus que lhe dá nome é cada vez mais banal. Dado esse cenário, faz até sentido ser ateu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-7112010681027316760?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/7112010681027316760/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/05/deus-no-cinema.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/7112010681027316760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/7112010681027316760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/05/deus-no-cinema.html' title='Deus no cinema'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-3198460981869686023</id><published>2010-03-29T17:07:00.001-07:00</published><updated>2010-03-29T17:07:59.422-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>Testando o gerundismo na balada</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu gostaria de estar sabendo o que eu poderia estar fazendo para estar me aproximando de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hã?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi, tudo bem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oiii...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-3198460981869686023?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/3198460981869686023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/03/testando-o-gerundismo-na-balada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/3198460981869686023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/3198460981869686023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/03/testando-o-gerundismo-na-balada.html' title='Testando o gerundismo na balada'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-931634362193519813</id><published>2010-01-20T21:22:00.000-08:00</published><updated>2010-01-20T21:36:08.994-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><title type='text'>Música para os pés</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A música é de grande importância para os corredores, principalmente os de fim de semana, como eu. Outro dia tive de interromper inesperadamente uma corrida porque a bateria do iPod acabou. Um passatempo divertido consiste em antecipar que músicas se adaptam bem à ocasião, sem apelar, é claro, para as obviedades - música eletrônica ou com muitas repetições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi recentemente que músicas de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tempo&lt;/span&gt; mais moderado às vezes funcionam bem, como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sympathy for the Devil&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jigsaw Puzzle&lt;/span&gt; dos Rolling Stones. Minha maior descoberta foi sem dúvidas a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;On Every Street&lt;/span&gt; do Dire Straits: se você conseguir sobreviver aos primeiros minutos, o ritmo final é recompensador. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;There There&lt;/span&gt; do Radiohead tem o mesmo efeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vez de medir a distância que faço num determinado tempo, ou em quanto tempo consigo percorrer certa distância, meço a distância que consigo vencer durante uma playlist. Como venho tentando melhorar meu desempenho, fiz uma mais ortodoxa dessa vez. Aí vai ela, para os curiosos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Megadeth - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Crush 'Em&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;2. Office of Strategic Influence - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Radiologue&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;3. Rory Gallagher - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Moonchild&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;4. The Strokes - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;You Only Live Once&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;5. Wolfmother - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eyes Open&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;6. Arctic Monkeys - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Crying Lightning&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;7. Chickenfoot - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Oh Yeah&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-931634362193519813?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/931634362193519813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/01/musica-para-os-pes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/931634362193519813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/931634362193519813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/01/musica-para-os-pes.html' title='Música para os pés'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-5024376569806235509</id><published>2010-01-12T19:25:00.000-08:00</published><updated>2010-01-13T20:00:45.733-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>The Larry David Syndrome</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/S06W3j3ybDI/AAAAAAAAABs/ETN0vzkK9nk/s1600-h/larry-david.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 318px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/S06W3j3ybDI/AAAAAAAAABs/ETN0vzkK9nk/s320/larry-david.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5426440482294230066" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A síndrome de Larry David consiste em imitar o Larry David. Existem dois tipos de ídolos - os que queremos imitar e os que preferimos admirar contemplativamente, sem manifestações externas. Se não fosse pelo fato de ser milionário e poder pegar a mulher que quiser, não sei se muitos gostariam de ser o Larry David; então não sei dizer se a LDS, com essas enormes ressalvas, é patologia rara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa é certa: a satisfação de tratar as pessoas com a seriedade que elas merecem é impagável. Como estou de férias e vou me mudar em breve, sinto-me livre para imitar o Larry David nas mais diversas ocasiões - restaurantes, bares, consultórios médicos, reuniões familiares etc. Quando não julgam que sou louco, as mulheres adoram. Espero um dia conseguir voltar a levar as pessoas a sério.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-5024376569806235509?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/5024376569806235509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/01/larry-david-syndrome.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5024376569806235509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5024376569806235509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/01/larry-david-syndrome.html' title='The Larry David Syndrome'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/S06W3j3ybDI/AAAAAAAAABs/ETN0vzkK9nk/s72-c/larry-david.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-6612186224013354260</id><published>2010-01-09T18:25:00.000-08:00</published><updated>2010-01-09T20:14:58.335-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Há metafísica na matéria</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ideas have consequences&lt;/span&gt;, do norte-americano Richard M. Weaver, é um daqueles livros que, se fossem lidos e meditados por adolescentes entrando na faculdade mundo afora, melhorariam radicalmente a humanidade. Juntamente com o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;La rebelión de las masas&lt;/span&gt; do Ortega y Gasset e o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Orthodoxy&lt;/span&gt; do Chesterton, ele deveria estar na cabeceira de todos os jovens. Assim como os outros dois, ele tem a capacidade, especialmente admirada por espíritos apressados, de concentrar em poucas páginas uma quantidade atordoante de comentários revolucionários (ainda que não necessariamente originais). Aproprio-me dos termos 'radical' e 'revolucionário' com gosto: por mais que o leitor discorde do autor, sai com a inarredável impressão de ter visitado terrenos inauditos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja-se como exemplo disso o que Weaver tem a dizer em seu sétimo capítulo, chamado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;the last metaphysical right&lt;/span&gt;. Depois de expor em seis capítulos o mundo que ele acredita decadente, chega a hora de sugerir um plano de ação. A que princípio devemos apelar num mundo que aprendeu a viver sem metafísica? Ao último princípio metafísico que nos resta: o da propriedade privada. Aqui há duas observações: (a) o respeito à propriedade privada é dito metafísico porque funciona independentemente de, ou até a despeito de, sua utilidade social, não se reduzindo a mero utilitarismo e (b) a longevidade desse princípio é nada menos que impressionante quando se considera a força que já tiveram alguns de seus adversários. Hoje, se queremos chegar a uma unanimidade numa democracia, o mais seguro a fazer é apelar ao direito à propriedade privada, talvez até mais que ao direito à vida(*).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas mãos das criaturas descritas nos seis primeiros capítulos do livro, o respeito pela propriedade privada pode se transformar, é certo, em mais um artifício para esmagar o pouco de metafísica que resta no mundo. Sob orientação mais saudável a coisa muda de figura por vários motivos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  A propriedade privada está associada à dignidade pessoal porque o que possuimos também nos define. Por mais que seja danoso lembrar-se disso com muita frequência, minhas roupas e objetos pessoais também fazem parte do que se entende por Igor;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O exercício da virtude só é possível num ambiente que encoraja a escolha sob responsabilidade individual; ninguem pode ser prudente ou generoso em relação a bens materiais sem haver antes uma relação direta de propriedade. Weaver observa que costumava ser motivo de orgulho para uma família dar o nome do clã ao produto por eles produzido; há aí um compromisso de qualidade e de responsabilidade que é pulverizado assim que as corporações se tornam impessoais ou, como a própria expressão em português traduz bem, 'sociedades anônimas'(**).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O princípio da propriedade privada é tão dogmático quanto qualquer dogma religioso. A maneira mais certa de encerrar uma discussão sobre o que fazer com meus pertences é simplesmente lembrar que eles são meus pertences. Quem se arriscaria a dizer de onde vem tanta autoridade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais doloroso que seja admiti-lo, partimos de princípios dogmáticos o tempo todo. Seria impossível viver de outra maneira, assim como seria impossível ao matemático provar que a soma dos ângulos internos de um triângulo é 180 graus sem aceitar o quinto axioma de Euclides. Dizem que o esquerdista é quem leva adiante um raciocínio mesmo sem acreditar em seus pressupostos; eu diria que quem faz isso é maluco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(*) Quando eu era criança, apenas duas coisas me afligiam no mundo das idéias - a primeira lei de Newton (princípio da inércia) e o direito que temos de dispor de nossos bens mesmo depois de mortos, isto é, o direito de deixar um testamento. No primeiro caso, vemos a fácil aceitação, por parte de uma população altamente empirista, de um princípio que pode ser tudo, menos empírico; no segundo, vemos o direito a dispor de propriedades persistir mesmo depois de suspenso o direito à vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(**) Crises financeiras como a que acabou de abater o mundo só poderiam existir num contexto de sociedades (e de indivíduos) anônimos. Longe de representar o princípio da propriedade privada na prática, a especulação financeira subtrai o elemento mais importante da aliança: o proprietário.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-6612186224013354260?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/6612186224013354260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/01/ha-metafisica-na-materia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/6612186224013354260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/6612186224013354260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/01/ha-metafisica-na-materia.html' title='Há metafísica na matéria'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-8019035214840967528</id><published>2010-01-04T20:20:00.000-08:00</published><updated>2010-01-13T15:33:54.296-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><title type='text'>O primogênito da modernidade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em vez de tentar adivinhar o que quer dizer 'cultura' para Jacob Burckhardt no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A cultura do renascimento na Itália&lt;/span&gt;, observo apenas que ele exclui desse ensaio quaisquer considerações mais demoradas sobre a economia e sobre as artes plásticas do período. As artes plásticas foram desconsideradas porque ele pretendia escrever um volume separado a respeito (aparentemente nunca concluído); quanto à economia, não sei o que dizer, mas o certo é que não se pode alegar que sua concepção de cultura não era suficientemente ampla - há um segmento inteiro sobre vestuário, língua, etiqueta, festividades sagradas e profanas etc. dos italianos do período.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo sem querer me perder em psicologismos baratos, é difícil não reparar no interesse que um suíço como Burckhardt (em seus últimos anos um catedrático conservador e circunspecto) tem pelas atrocidades da política italiana, interesse que Peter Burke atribui à 'ênfase à percepção do Outro' e à tradição germânica de fascinação pelo demoníaco. Afora a teoria central do livro, Burckhardt é muito moderado, talvez até demais - não sabemos se devemos atribuir a um relativismo bonachão ou à pura encheção de linguiça declarações como as que vão abaixo. A vantagem disso é que Burckhardt repudia as ditas filosofias da história, observando prudentemente que a história é a-filosófica e a filosofia a-histórica. &lt;blockquote&gt;Em obras de história geral, há espaço para diferenças de opinião quanto aos objetivos e premissas ufndamentais, de modo que o mesmo fato pode, por exemplo, afigurar-se essencial e importante a um escritor, mas nada mais do que mero entulho sem qualquer interesse a outra;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) os mesmos estudos realizados para este trabalho poderiam, nas mãos de outrem, facilmente experimentar não apenas utilização e tratamento totalmente distintos como também ensejar conclusões substancialmente diversas,&lt;/blockquote&gt;Quanto à teoria central do livro, a de que o italiano do renascimento é o primogênito da Europa moderna (assim como Petrarca seria o primeiro homem moderno), há boa dose de convicção. Na realidade parece que os capítulos do livro foram escolhidos na medida em que são capazes de verificar essa hipótese. Antes de ir adiante reproduzo o trecho a que me refiro:&lt;blockquote&gt;Na Idade Média, [...] o homem reconhecia-se a si próprio apenas como raça, povo, partido, corporação, familia ou sob qualquer outra das demais formas do coletivo. Na Itália, pela primeira vez, tal véu dispersa-se ao vento; desperta ali uma contemplação e um tratamento objetivo do Estado e de todas as coisas deste mundo. Paralelamente a isso, no entanto, ergue-se também, na plenitude de seus poderes, o subjetivo: o homem torna-se um indivíduo espiritual e se reconhece como tal.&lt;/blockquote&gt;A princípio parece surpreendente que um período que entendia como glória intelectual máxima emular tão perfeitamente quanto possível um outro período, a Antiguidade, seja creditado com tantos pioneirismos - o da biografia moderna, da epistolografia moderna, da apreciação por paisagens em si mesmas, e não apenas como cenários, do escárnio e da espirituosidade modernos, da poesia moderna, das viagens de descobrimento, etc., etc. Explica esse fenômeno a proposição de que foi a união da antiguidade com o espírito italiano, e não a antiguidade sozinha, a responsável por tamanhas façanhas culturais. A questão do pioneirismo em si me parece ociosa - a atividade intelectual do período já permite que ele seja singularizado a despeito disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre que se diz que o cristianismo 'inventou' isso ou aquilo aparece um espertinho lembrando que um monge budista ou um mendigo fez isso ou aquilo uma semana antes. De maneira análoga a existência de exceções parece impossibilitar a existência de qualquer tendência pra certas pessoas. Seria fácil apontar, como de fato se faz com frequência, que os modernos não poderiam ter 'inventado' a autobiografia porque já existem algumas bem notórias no século XII, ou que a busca incessante pela fama individual não é um fenômeno moderno porque era precisamente isso que inflamava os cavaleiros medievais. Quando se trata de preciosismo cronológico a discussão é, repito, ociosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema surge quando o evento mesmo a que se quer atribuir pioneirismo é confuso: entende-se bem o que queremos dizer com caridade cristã; 'consciência individual' e 'modernidade', por outro lado, merecem ser definidos com mais cuidado, algo que Burckhardt não tenta fazer nesse livro. Não é a existência (ou não só a existência) de autobiografias afamadas e de cavaleiros medievais orgulhosos que nos faz suspeitar de que a consciência individual teria surgido muito antes - é antes a existência de todo um período, a Idade Média, em que essas objeções são só manifestações pontuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desprezo com que o período medieval era (e é) tratado por historiadores modernos é tão conspícuo que até os manuais de história brasileiros já ensaiam retratações, abandonando gradativamente - vejam quanta cortesia - o epíteto Idade das Trevas. Burckhardt refere-se ao período como infantil, adjetivo que ele mesmo, mais velho, viria a rejeitar, assim como sua noção de individualismo: "No que diz respeito ao individualismo, eu já não acredito nele". Consta que Burckhardt, quando mais jovem, nutria o desejo de tornar-se um medievalista mas desistiu quando perdeu a fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o relativo desprezo de Burckhardt pela filosofia tenha contribuído para esse estado de coisas. Um período histórico que coroa Cícero - em detrimento de Platão e Aristóteles - como sua figura filosófica suprema deveria levantar suspeitas numa natureza mais dada a considerações desse tipo. Ao discutir a crise renascentista da noção de imortalidade da alma, ou a gradativa substituição, no imaginário da época, do paraíso cristão pelo céu pagão (com todas suas variantes), confesso não perceber qualquer tipo de juízo de valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de alguns pontos já citados aqui, Burckhardt costuma ser criticado por não dar conta das transformações históricas do período que descreve - uns bons 300 anos -, mas isso parece ser um preço baixo a se pagar quando o resultado é uma figura coerente do período como um todo. Em determinado ponto de sua carreira de professor Burckhardt decide dar menos importância aos 'meros fatos' (tendência perigosa quando levada ao extremo - veja-se a incapacidade dos estudantes de hoje de memorizar datas importantes) e concentrar-se no que ele passou a chamar de história cultural. Abriu-se aí um precedente que, apesar de muito criticado, conseguiu chegar até nós com boa vitalidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-8019035214840967528?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/8019035214840967528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/01/o-primogenito-da-modernidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/8019035214840967528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/8019035214840967528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/01/o-primogenito-da-modernidade.html' title='O primogênito da modernidade'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-7073588800678712442</id><published>2010-01-02T17:19:00.000-08:00</published><updated>2010-01-06T17:55:10.019-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>Depois de três meses no Rio...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Certas coisas passam de inaceitáveis a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;guilty pleasures&lt;/span&gt; e daí a completamente naturais numa velocidade que chega a surpreender. O funk é um caso sintomático: parece haver um acordo silencioso segundo o qual os homens não o ridicularizam para que as mulheres possam continuar dançando sem tanto peso na consciência. Assim sai todo mundo ganhando: as mulheres podem dançar sem ser consideradas alienígenas e os homens podem assistir a tudo sem o estigma da depravação. O entretenimento no Rio de Janeiro vive desse acordo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inserção dessas maluquices no que é considerado socialmente aceitável desafia a nossa criatividade. É como se um sujeito dissesse numa conversa informal que desertou do seu pelotão numa guerra e nós tivéssemos de rebater com um comentário conciliador, 'ah, essas guerras são complicadas mesmo'. O sujeito dá uns tapas na mulher e nós observamos que a moça era realmente insuportável. Quando me perguntam o que acho do funk, observo que no estado do Rio de Janeiro não há nada mais natural, deixando por conta do interlocutor a associação entre a frequência de um evento e sua razoabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todos os brasileiros que conheci até hoje, os fluminenses parecem ser os mais orgulhosos de sua terra (seguidos de perto por mineiros e cearenses). De fato há por lá muitas belezas naturais, humanas ou não, mas minha impressão geral foi a de que a desordem impera. Como diria uma atriz global aterrorizada com a capital, 'a lei não funciona e os carros páram em cima das calçadas'. Eis aí mais um bom termômetro civilizacional: o respeito às vagas de estacionamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de algum esforço consegui convencer meus amigos cariocas a reconhecer que o carioca é mais malandro. A amizade tem dessas coisas constrangedoras: cariocas sendo levados à sinceridade sobre si mesmos! O certo é que eles personificam como ninguém (à exceção talvez dos baianos, os cariocas do nordeste) o caráter brasileiro. Sobre o caráter brasileiro creio  já ter falado até demais por aqui. Fica então minha despedida ao Rio, terra muito bonita para onde espero não ter de voltar tão cedo, a menos que de férias.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-7073588800678712442?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/7073588800678712442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/01/depois-de-tres-meses-no-rio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/7073588800678712442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/7073588800678712442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2010/01/depois-de-tres-meses-no-rio.html' title='Depois de três meses no Rio...'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-2131243662272676837</id><published>2009-12-26T13:56:00.000-08:00</published><updated>2010-01-02T14:05:23.250-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Red Right Hand</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/kUlgN__Jrxk&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/kUlgN__Jrxk&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Take a litle walk to the edge of town&lt;br /&gt;Go across the tracks&lt;br /&gt;Where the viaduct looms,&lt;br /&gt;like a bird of doom&lt;br /&gt;As it shifts and cracks&lt;br /&gt;Where secrets lie in the border fires,&lt;br /&gt;in the humming wires&lt;br /&gt;Hey man, you know&lt;br /&gt;you're never coming back&lt;br /&gt;Past the square, past the bridge,&lt;br /&gt;past the mills, past the stacks&lt;br /&gt;On a gathering storm comes&lt;br /&gt;a tall handsome man&lt;br /&gt;In a dusty black coat with&lt;br /&gt;a red right hand&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;He'll wrap you in his arms,&lt;br /&gt;tell you that you've been a good boy&lt;br /&gt;He'll rekindle all the dreams&lt;br /&gt;it took you a lifetime to destroy&lt;br /&gt;He'll reach deep into the hole,&lt;br /&gt;heal your shrinking soul&lt;br /&gt;Hey buddy, you know you're&lt;br /&gt;never ever coming back&lt;br /&gt;He's a god, he's a man,&lt;br /&gt;he's a ghost, he's a guru&lt;br /&gt;They're whispering his name&lt;br /&gt;through this disappearing land&lt;br /&gt;But hidden in his coat&lt;br /&gt;is a red right hand&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;You ain't got no money?&lt;br /&gt;He'll get you some&lt;br /&gt;You ain't got no car? He'll get you one&lt;br /&gt;You ain't got no self-respect,&lt;br /&gt;you feel like an insect&lt;br /&gt;Well don't you worry buddy,&lt;br /&gt;cause here he comes&lt;br /&gt;Through the ghettos and the barrio&lt;br /&gt;and the bowery and the slum&lt;br /&gt;A shadow is cast wherever he stands&lt;br /&gt;Stacks of green paper in his&lt;br /&gt;red right hand&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;You'll see him in your nightmares,&lt;br /&gt;you'll see him in your dreams&lt;br /&gt;He'll appear out of nowhere but&lt;br /&gt;he ain't what he seems&lt;br /&gt;You'll see him in your head,&lt;br /&gt;on the TV screen&lt;br /&gt;And hey buddy, I'm warning&lt;br /&gt;you to turn it off&lt;br /&gt;He's a ghost, he's a god,&lt;br /&gt;he's a man, he's a guru&lt;br /&gt;You're one microscopic cog&lt;br /&gt;in his catastrophic plan&lt;br /&gt;Designed and directed by&lt;br /&gt;his red right hand&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não tendo lido ainda o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Paradise Lost&lt;/span&gt; de John Milton, fico grato a Nick Cave pela referência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;What if the breath that kindl'd those grim fires&lt;br /&gt;Awak'd should blow them into sevenfold rage&lt;br /&gt;And plunge us in the Flames? or from above&lt;br /&gt;Should intermitted vengeance Arme again&lt;br /&gt;His red right hand to plague us? what if all&lt;br /&gt;Her stores were op'n'd, and this Firmament&lt;br /&gt;Of Hell should spout her Cataracts of Fire,&lt;br /&gt;Impendent horrors, threatning hideous fall&lt;br /&gt;One day upon our heads; while we perhaps&lt;br /&gt;Designing or exhorting glorious Warr,&lt;br /&gt;Caught in a fierie Tempest shall be hurl'd&lt;br /&gt;Each on his rock transfixt, the sport and prey&lt;br /&gt;Of racking whirlwinds, or for ever sunk&lt;br /&gt;Under yon boyling Ocean, wrapt in Chains;&lt;br /&gt;There to converse with everlasting groans,&lt;br /&gt;Unrespited, unpitied, unrepreevd,&lt;br /&gt;Ages of hopeless end; this would be worse.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-2131243662272676837?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/2131243662272676837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/12/red-right-hand.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/2131243662272676837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/2131243662272676837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/12/red-right-hand.html' title='Red Right Hand'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-7137241555935416254</id><published>2009-12-13T12:13:00.000-08:00</published><updated>2009-12-26T14:24:32.932-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>Um post autobiográfico</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde ontem sou engenheiro mecânico-aeronáutico, mas me atenho à primeira metade do termo por gosto e aptidão. A convicção nunca foi tanta que não me fizesse pensar em desistência algumas vezes nesses últimos 5 anos: talvez eu deva agradecer à minha inércia. Achei que seria razoável encerrar o ciclo sem implicar com o discurso prafrentex e bobinho que costuma acompanhar essas ocasiões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz algumas boas amizades no período, e é por essa e outras que de nada me arrependo. É bem provável que a maioria desapareça em breve, mas fazer o quê: outras surgirão, só não sei se com a mesma inteligência. Também é pouco provável que eu volte a pisar em São José dos Campos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi que comecei esse blog quando terminei o primeiro ano da faculdade e que, felizmente, não retiro tudo o que disse à época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Termino com um poema do João Cabral de Melo Neto que sempre me pareceu uma visão simpática e coerente do engenheiro:&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/SyVTT0OkPYI/AAAAAAAAAAc/yEL_ytstt8o/s1600-h/o+engenheiro.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/SyVUAA51vZI/AAAAAAAAAAk/6GY3CPwlHe8/s1600-h/o+engenheiro.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 384px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/SyVUAA51vZI/AAAAAAAAAAk/6GY3CPwlHe8/s400/o+engenheiro.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5414826486202219922" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-7137241555935416254?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/7137241555935416254/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/12/um-post-autobiografico.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/7137241555935416254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/7137241555935416254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/12/um-post-autobiografico.html' title='Um post autobiográfico'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/SyVUAA51vZI/AAAAAAAAAAk/6GY3CPwlHe8/s72-c/o+engenheiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-5607719585308883673</id><published>2009-11-12T12:01:00.000-08:00</published><updated>2009-11-12T12:46:27.871-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>O dilema da inteligência</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O sujeito, quando dá conta de si no mundo, pode cair em uma de quatro categorias:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou inteligente e o resto do mundo também&lt;/span&gt;. Essa parece ser a situação mais estimulante; há espaço para competições saudáveis e a vida é um cenário constantemente surpreendente. O simples canto do pássaro trai uma inteligência superior; tudo parece ser de uma complexidade ilimitada ainda que inteligível. Por outro lado, se o sujeito não se podar aqui e ali, começa a surgir uma arrogância panteísta, a idéia de que todas as mentes somadas formam o deus infalível do intelecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(b) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou inteligente e o resto do mundo é meio burro&lt;/span&gt;. Situação típica nos jovens e nos loucos, e nos jovens loucos. Cada giro que o planeta dá sem minha supervisão parece um desperdício; por não se saber ao certo por que o mundo não pára para ouvir minhas instruções, crescem o senso de injustiça e o ressentimento. O ressentimento, por sua vez, pode fazer com que o louco fique perigoso ou que o jovem nunca cresça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(c) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou meio burro e o resto do mundo é inteligente&lt;/span&gt;. Imagino que aqui predomine um complexo de inferioridade destrutivo ou uma vassalagem resignada, a depender da índole do sujeito. Os mais fleumáticos não devem deixar de se maravilhar, e de se beneficiar, com os prodígios dos outros; os mais agitados vão se valer de meios alternativos como a violência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(d) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou meio burro e o resto do mundo também&lt;/span&gt;. Aqui a aridez intelectual desanima a todos; boas idéias são ceifadas desde a origem por pura incredulidade. O tédio predomina e as perspectivas de melhoras são ridicularizadas: não há salvação e é contraproducente pensar em semelhante fantasia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqueles que ao menos param pra pensar no que vai acima, a maioria parece estar inserida na quarta categoria. Nós só não nos julgamos completamente burros (daí o 'meio') porque reconhecemos que há algo de errado. Ninguém nega que a inteligência existe, mas ela parece estar perdida no passado ou pulverizada no presente. O tipo de inteligência que indubitavelmente existe hoje, o tipo científico, perde o calor da novidade depois de pouco tempo -- a menos que o sujeito, geralmente um da primeira categoria, não consiga perceber seus limites. Os inteligentes de hoje estão enganados e os de ontem entediados.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-5607719585308883673?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/5607719585308883673/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/11/o-dilema-da-inteligencia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5607719585308883673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5607719585308883673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/11/o-dilema-da-inteligencia.html' title='O dilema da inteligência'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-6258557134771475230</id><published>2009-10-31T04:22:00.001-07:00</published><updated>2009-11-04T05:27:21.203-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>É natural ser selvagem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É comum usarem um 'é natural' para justificar desvios comportamentais, mas naturalidade não serve como desculpa quando se sabe que é natural ser selvagem, também. Eu mesmo, na tentativa de irritar amigos esquerdistas, gosto de apontar que tal ou qual atitude do povão, quando convenientemente contrária ao ideário esquerdista, é natural, sugerindo sub-repticiamente que o natural é um encaminhamento divino para o correto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respirar é natural e inevitável; espirrar com estardalhaço também é natural, mas esperamos com certa dose de razoabilidade que o estardalhaço não se dê em público. Fala-se muito em espontaneidade e suas vantagens, mas não há muitas vantagens se você acredita, como eu, que o ser humano precisa de muito treinamento para chegar a ficar tolerável. Cada gesto espontâneo é uma distração do pupilo humano, verdadeiro lapso na escola da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prova insofismável da tendência humana à selvageria é o bebê recém-nascido: sem a devida instrução, ele permanecerá um nojentinho por tempo indeterminado. Muitos responderiam que a verdadeira tendência humana é a organização, já que, como vemos, acabamos ficando razoavelmente organizados depois de alguns milhares de anos. Acontece que regras de higiene e conduta não são seguidas por convicção individual de todos, e sim porque aqueles poucos que de fato se preocupam com isso convenceram, sabe-se lá como, o resto da população mundial. A hipótese de que o bom e o verdadeiro se confundem é, vemos agora, essencial: se os bons começam a mentir, mentira torna-se verdade e continuamos a nos lambuzar em refeições para sempre.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-6258557134771475230?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/6258557134771475230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/10/e-natural-ser-selvagem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/6258557134771475230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/6258557134771475230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/10/e-natural-ser-selvagem.html' title='É natural ser selvagem'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-6800661305383369108</id><published>2009-10-17T11:32:00.000-07:00</published><updated>2009-10-26T08:42:28.418-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>Duas dúvidas</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;1) Dos mitômanos. Como explicá-los? Começam a mentir quando crianças e não conseguem mais parar? Um colega meu já confessou que gosta de mentir para testar sua habilidade de enganar as pessoas. Esse é o tipo mais facilmente explicável e, por isso mesmo, menos interessante. Uma divisão importante é a que separa os que inventam episódios mirabolantes -- os mitômanos na acepção original -- dos exageradores. Esses últimos são capazes de jurar que naquela noite beberam 1 litro de cachaça e não 3 doses; cada conversa nada mais é que um intervalo entre dois eventos pitorescos de suas vidas. Dá vontade de acalmá-los: nós gostamos de vocês assim mesmo, 3 doses já são suficientes. Se confrontados, preferem insistir na mentira ou até aumentá-la, para provar que em verdade estavam sendo conservadores no início. Os mitômanos ao menos têm a chance de ser originais, mas seria decepcionante descobrir que tudo não passa de um esporte. Por hábito, eu acredito de imediato no que as pessoas me dizem a menos que isso me traga algum risco ou seja logicamente impossível. Se alguém se acha mais inteligente por me fazer acreditar numa história falsa, eu me acho mais inteligente por não me importar com isso. Prefiro acreditar que os mitômanos não se podem controlar; as lorotas vão surgindo em cadeia e quando o sujeito dá por si ele mesmo já está convencido da veracidade de suas fantasias. Se for assim, estão perdoados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Do humor em sonhos. Humor é um dos assuntos mais complicados que existem; o humor masculino é totalmente diferente do feminino (esse eu sinceramente acredito que nem sequer existe, a não ser por imitação) e o humor divino permanece um grande mistério: Deus acha graça de alguma coisa? Outro dia sonhei que conversava com um amigo de infância que não vejo há alguns anos e, pedindo notícias de conhecidos em comum, perguntei por onde andava Fulano, sendo que Fulano era o meu interlocutor. 'Ah, é você', me desculpei, e a conversa presseguiu normalmente, sem que ele ou eu estranhássemos a confusão. Pensando bem, lembrei que nunca tive um sonho engraçado, ou melhor, um sonho que me parecesse engraçado no momento do sonho. O enigma estaria solucionado se eu descobrisse que a parte do cérebro responsável pelo humor, se é que isso existe, fica desativada enquanto dormimos, mas nem sequer me lembro de sonhos em que me limito a recordar situações engraçadas. E o episódio com meu amigo de infância, foi piada de quem? Ou isso nem foi uma piada?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-6800661305383369108?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/6800661305383369108/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/10/duas-duvidas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/6800661305383369108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/6800661305383369108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/10/duas-duvidas.html' title='Duas dúvidas'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-5086691520037514614</id><published>2009-09-15T19:28:00.000-07:00</published><updated>2009-10-02T16:14:32.998-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>O brasileiro finge que trabalha</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Descobri esses dias que, na empresa onde trabalho, o país cujos funcionários ficam até mais tarde trabalhando é o Brasil. O brasileiro trabalha mais, então? Não: trabalha menos. O conhecimento prévio de que vai ser necessário ficar no serviço até altas horas diminui o ritmo e o que se resolve em 8 horas em outros países deve levar 12 por aqui. A hora extra se impõe antes de se fazer necessária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora eu entendo a obsessão que o brasileiro tem por se dizer ocupado. Se não o fizer, vai ser confundido com o grosso dos brasileiros, tidos como preguiçosos. É preciso deixar bastante claro na mesa do bar que trabalham 12, 16 horas por dia; pouco importa se 2 ou 3 delas foram gastas no corredor do cafezinho e outras tantas em sites de notícias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais deprimente é ver o pessoal que vem de fora se adaptando a essa realidade: primeiro tentam esboçar alguma reação, lembram que têm famílias e outros afazeres em casa etc. Depois, mui brasileiramente, desaceleram o trabalho, aproveitam cada oportunidade para interrompê-lo, catimbam mais que time argentino em final de Libertadores. Ouçam o que digo: os brasileiros, e os estrangeiros que se lhes assemelham, apenas fingem que trabalham.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-5086691520037514614?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/5086691520037514614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/09/o-brasileiro-finge-que-trabalha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5086691520037514614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5086691520037514614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/09/o-brasileiro-finge-que-trabalha.html' title='O brasileiro finge que trabalha'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-159631707047811028</id><published>2009-08-21T15:07:00.000-07:00</published><updated>2009-08-21T15:10:53.121-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>Mudança de endereço</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por motivos técnicos, o endereço do Parnaso mudou. Agora é mntparnaso . blogspot, e não mtparnaso . blogspot. O endereço antigo redireciona pra cá, mas atualizem aí. Até.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-159631707047811028?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/159631707047811028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/08/mudanca-de-endereco.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/159631707047811028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/159631707047811028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/08/mudanca-de-endereco.html' title='Mudança de endereço'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-5844302973389997990</id><published>2009-08-09T15:23:00.000-07:00</published><updated>2009-08-09T17:11:03.854-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religião'/><title type='text'>Cristianismo para crianças</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;Everyone has warned me not to tell you what I am going to tell you in this last book. They all say 'the ordinary reader does not want Theology; give him plain practical religion'. I have rejected their advice. I do not think the ordinary reader is such a fool. Theology means 'the science of God', and I think any man who wants to think about God at all would like to have the clearest and most accurate ideas about Him which are available. You are not children: why should you be treated like children?&lt;/blockquote&gt;É assim que C. S. Lewis começa o quarto e último livro do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mere Christianity&lt;/span&gt;, uma das mais populares introduções ao cristianismo de que se tem notícia. É fato que a última parte do livro vai além da 'plain pratical religion', mas só nesse sentido pode-se dizer que o leitor não é tratado como criança. A maneira como alguns pontos mais espinhosos da doutrina cristã são explicados apela, muitas vezes, ao infantil. A coisa é que se me dissessem que não poderia ser de outra forma eu seria forçado a concordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comentador da Bíblia ou da doutrina cristã em geral enfrenta uma tarefa já em si impossível: reescrever, de maneira a tornar mais compreensível, algo que foi escrito com a melhor terminologia possível. Se a Bíblia é a própria palavra divina, certamente os termos que lá se encontram para descrever uma relação entre entes (por exemplo, Pai, Filho e Espírito Santo) são melhores que quaisquer termos que eu ou você possamos imaginar. Se acontece de essa relação permanecer obscura, outros artifícios (que por definição não são os melhores) devem ser utilizados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse processo o comentador cristão acaba cedendo ao gosto da época (C. S. Lewis faz isso ao chamar o ser humano de 'human machine' repetidas vezes) ou, com menos frequência, descobrindo alternativas geniais. Outras vezes o artifício é simplesmente pueril, como comparar a diferença entre Jesus e o homens com a diferença entre o homem e soldados de chumbo. Malabarismos assim, o próprio Lewis reconhece, servem para que a terminologia original seja melhor compreendida, nunca substituída. São muletas que, graças a nossa inteligência, não precisam ser reutilizadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os símiles de Lewis funcionam muito bem no capítulo sobre a santíssima trindade. Mesmo os cristãos mais esforçados confessam sentir dificuldades para entender o que seria uma divindade que é, 'ao mesmo tempo', pai, filho e espírito santo. Em primeiro lugar é preciso lembrar que nem tudo é necessariamente compreensível: a noção de mistério nunca foi estranha ao cristão. Fazendo um paralelo com a geometria, porém, a coisa parece ficar menos cabeluda. Dois vetores linearmente independentes x e y geram um plano e qualquer outro vetor nesse plano pode ser escrito como combinação linear de x e y. Aos seres que habitam esse plano (isto é, os vetores do plano xy) a noção de profundidade é desconhecida: nem os vetores mais espertos seriam capazes de imaginar o que seria isso. Nós conseguimos imaginar um espaço tridimensional, mas não um quadridimensional, apesar de espaços multidimensionais serem matematicamente manipuláveis. Da mesma maneira, Deus seria um ente 'tridimensional': manipulável (no sentido que podemos falar sobre) teoricamente, mas fora do alcance de nossa imaginação. Deus é um cubo e nós somos as arestas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra questão que gera muita dúvida é o porquê de a Fé ser, por si só, uma virtude. Não só é uma virtude como é uma das três virtudes teologais, juntamente com esperança e amor. A objeção mais comum é a de que acreditar em algo logicamente comprovável não passa de nossa obrigação, assim como é obrigação do estudante de cálculo 'acreditar' no Teorema do Valor Médio após ver sua demonstração. O sujeito que lê o argumento do primeiro motor e sai acreditando num ente que é só potência não necessariamente tem fé; a princípio ele é apenas um bom aluno de lógica. É muito comum, porém, deixarmos de acreditar em algo de que estamos perfeitamente convencidos do ponto de vista lógico: das pessoas que sentem medo de viajar de avião, arrisco dizer que a maioria sabe que esse meio de transporte é mais seguro que o carro. Eles não duvidam das estatísticas, apenas têm medo. Há cristãos que deixam de ser cristãos não por verem uma falha lógica na doutrina, mas porque perdem o interesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, acho que vale mencionar a objeção, já bem batida, segundo a qual em verdade o livre-arbítrio não existe porque, se Deus sabe exatamente o que vou fazer amanhã ou em qualquer futuro mais afastado, não tenho liberdade para fazer diferente. Como resposta eu costumava dizer que, dada a nossa linha do tempo, Deus está fora dela: para ele não existe passado ou futuro. Lewis sugere um jeito melhor, ou, se quiserem, mais didático: Deus seria a folha de papel em que a linha está desenhada. Assim sendo, Deus não prevê, ele vê, mas vê o futuro e o passado assim como nós vemos o presente. Dito dessa maneira, nós, as crianças, entendemos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-5844302973389997990?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/5844302973389997990/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/08/cristianismo-para-criancas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5844302973389997990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5844302973389997990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/08/cristianismo-para-criancas.html' title='Cristianismo para crianças'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-8778000980889409765</id><published>2009-07-28T12:07:00.001-07:00</published><updated>2009-07-28T13:21:28.530-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Psicologia'/><title type='text'>Nietzsche, um filósofo visceral</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É sempre uma satisfação resgatar expressões em desuso ou em mau uso: Nietzsche foi, principalmente no &lt;i&gt;Ecce Homo&lt;/i&gt;, espécie de introdução geral para sua própria obra escrita poucos meses antes de ele enlouquecer, um filósofo visceral. Segundo consta, esse livrinho teria sido, em 1908, tema de uma das reuniões da Sociedade Psicanalítica de Viena, na casa de Freud. Freud teria dito que o livro não poderia ser desconsiderado como produto da insânia porque ainda há nele o domínio da forma, e acrescento que, em verdade, o conteúdo também é coerente com o que Nietzsche vinha escrevendo até então. O mais curioso é que Freud se limitava a discutir o 'caso Nietzsche', e não suas idéias, porque, dada a semelhança entre as invenstigações psicanalíticas e as do filósofo, seria interessante preservar a 'independência de espírito'. Freud chegou a dizer que a riqueza das obras de Nietzsche era tamanha que o impedia de ler mais de meia página (!?) de seus livros, mas cumpre advertir que o artifício de evitar leituras para preservar a pureza de espírito foi, até onde eu saiba, enunciado pela primeira vez pelo próprio Nietzsche. No &lt;i&gt;Ecce Homo&lt;/i&gt; já lemos:&lt;/div&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;Apenas meus olhos puseram fim à bibliofagia, leia-se "filologia": estava salvo dos livros, nada mais li durante anos -- o maior benefício que me concedi! -- Aquele Eu mais ao fundo, quase enterrado, quase emudecido sob a constante imposição de ouvir outros Eus (-- isto significa ler!), despertou lentamente, tímida e hesitantemente -- mas enfim voltou a falar.&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os indícios de loucura são perceptíveis não em incoerências de forma ou de conteúdo, mas nos arroubos de imodéstia e na obsessão pela saúde, digamos, intestinal. Justiça seja feita mais uma vez: não há nada aqui que já não tenha sido anunciado em obras anteriores, apenas agora os ânimos estão exacerbados. Os conselhos dietéticos são, diga-se, uma diversão à parte:&lt;/div&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;Uma refeição forte é mais fácil de digerir do que uma demasiado ligeira. Que o estômago entre inteiro em atividade, primeira condição para uma boa digestão. Deve-se conhecer o tamanho do próprio estômago. (...) Nada entre as refeições, nenhum café: café obscurece. Chá, somente de manhã benéfico. Pouco, porém vigoroso: é prejudicial e debilitante por todo o dia quando fraco demais, mesmo que por um mínimo. (...) Ficar sentado o menor tempo possível; não dar crença ao pensamento não nascido ao ar livre, de movimentos livres -- no qual também os músculos não festejem. Todos os preconceitos vêm das vísceras.&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Devo confessar que simpatizo bastante com a hipótese de uma relação estreita entre dieta (e clima) e disposição intelectual ("o clima alemão em si já é suficiente para desencorajar vísceras fortes, de disposição heróica inclusive (...) Paris, a Provença, Florença, Jerusalém, Atenas -- esses nomes provam algo: o gênio é &lt;i&gt;condicionado&lt;/i&gt; pelo ar seco, pelo céu puro"), apesar de não ir tão longe quando Nietzsche gostaria. Se Nietzsche já tinha deixado claro que noções como 'pecado', 'alma', 'compaixão' etc. são invenções perniciosas de espíritos ressentidos, de espíritos que dizem 'Não', ficamos sabendo no &lt;i&gt;Ecce Homo&lt;/i&gt; que a dieta e o clima substituem-nas como as únicas coisas que de fato importam em nossas vidas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem já leu o &lt;i&gt;The Abolition of Man&lt;/i&gt;, do C. S. Lewis, deve achar esse detalhe bem sugestivo. Nele, Lewis argumenta que a tentativa de produzir juízos de valor sem o auxílio de um código absoluto, inquestionável etc., isto é, amparado apenas no Instinto, ou na Utilidade, ou em algo que o valha, é um exercício fútil porque, cedo ou tarde, o sujeito acaba tendo de se amparar em algo que ele negava de início, a saber, um princípio inquestionável. Por exemplo, quem acredita que preservar a espécie não passa de um instinto, tem de explicar porque devemos obedecer a esse instinto e não ao seu antípoda, o de destruir a espécie. Se dizemos que um instinto é melhor, ou superior, ou mais profundo, ou mais urgente, que outro, já partimos para um juízo de valor que não é em si instintivo. Nietzsche não comete esse erro porque ele não deseja estabelecer uma nova valoração; ele gostaria de suspender toda noção prévia de valor. Devemos admitir que essa proposta ao menos não é auto-contraditória.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lewis lida com essa proposta, apesar de não se referir explicitamente a Nietzsche, ao falar da suspenção total de valores. Se não podemos apelar a princípios absolutos, conhecidos de todos (princípios que não admitem dedução lógica), só nos resta apelar à vontade arbitrária de quem quer que esteja em posição de arbitrar, os quais formam o grupo que Lewis chama &lt;i&gt;the Conditioners&lt;/i&gt;. O &lt;i&gt;conditioner&lt;/i&gt; de Lewis é o super-homem de Nietzsche: o sujeito para quem noções clássicas como bem e mal perderam o significado porque ele mesmo tem liberdade de definir o que é bom e mau. O que está sob julgamento não pode ser também juiz. Apesar de isso ser aparentemente a liberdade suprema, resta a pergunta: o que condiciona os condicionadores? Lewis responde:&lt;/div&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;By the logic of their position they must just take their impulses as they come, from chance. And Chance here means Nature. It is from heredity, &lt;i&gt;digestion&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;the weather&lt;/i&gt;, and the association of ideas, that the motives of the Conditioners will spring.&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-8778000980889409765?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/8778000980889409765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/07/nietzsche-um-filosofo-visceral.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/8778000980889409765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/8778000980889409765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/07/nietzsche-um-filosofo-visceral.html' title='Nietzsche, um filósofo visceral'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-2113155523023532525</id><published>2009-07-17T12:00:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.295-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><title type='text'>Mais poesia brasileira</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desta vez com Cecilia Meireles, uma grata redescoberta. &lt;i&gt;Romanceiro da Inconfidência &lt;/i&gt;deve ter surpreendido os contemporâneos pela forma relativamente comportada -- os 'romances', 84 neste romanceiro, são feitos em redondilhas (versos de 5 ou 7 silábas) com rimas nos versos pares. A forma medieval cabe bem: a temática épico-lírica é o de que Meireles precisava para narrar uma sublevação que, em tese ao menos, foi também épica (em se tratando de história brasileira, sabemos que não é bem assim). A declamação dessas composições era usualmente acompanhada por instrumentos musicais, daí a necessidade da rima.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O tema apequena o livro, é claro, mas está longe de estragá-lo. O que há de épico no alferes Tiradentes é não tanto sua coragem, que não chego a questionar, quanto sua precipitação. Quando a derrota já está certa, o poeta nem sequer pode lamentar a força do adversário, condição necessária para um embate &lt;i&gt;honesto&lt;/i&gt;: lamenta (ou deveria lamentar) o despreparo e a mesquinharia do grupo de revoltosos. Não à toa meus romances preferidos nada têm que ver com o enredo em si. Vamos a um deles:&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;Romance LXXIV ou Da Rainha Prisioneira&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;Ai, a filha da Marianinha!&lt;br /&gt;Ai, a neta do Rei D. João!&lt;br /&gt;- suave princesa de maõs postas,&lt;br /&gt;resplandecente de oração...&lt;br /&gt;Que lindas letras desenhava&lt;br /&gt;a sua delicada mão:&lt;br /&gt;grandes verticais majestosas,&lt;br /&gt;curvas de tanta mansidão!&lt;br /&gt;MARIA - nome de esperança,&lt;br /&gt;MARIA - nome de perdão,&lt;br /&gt;- a melancólica princesa&lt;br /&gt;livre de toda ostentação,&lt;br /&gt;que há de subir a um trono amargo,&lt;br /&gt;como todos os tronos são!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A que crescera entre as intrigas&lt;br /&gt;de validos, nobres, criados,&lt;br /&gt;a que conversara com os santos,&lt;br /&gt;a que detestara os pecados!&lt;br /&gt;A que soube de tanto sangue,&lt;br /&gt;por engenhos de altos estrados,&lt;br /&gt;quando a nobreza sucumbia,&lt;br /&gt;nos fidalgos esquartejados!&lt;br /&gt;A que vira o pasmo do povo&lt;br /&gt;e a estupefação dos soldados...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A que, amarrada em seus protestos,&lt;br /&gt;pusera silenciosos brados&lt;br /&gt;em grandes lágrimas abertas&lt;br /&gt;nos olhos, para o céu voltados...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A que um dia fora aclamada,&lt;br /&gt;envolta em vestes lampejantes,&lt;br /&gt;onde o que não fosse ouro e prata&lt;br /&gt;era de flores de brilhantes...&lt;br /&gt;A que de olhos tristes mirara&lt;br /&gt;paisagens, miltidões, semblantes,&lt;br /&gt;sentindo a turba alucinada,&lt;br /&gt;em vãos transportes delirantes,&lt;br /&gt;sabendo que reis e reinados&lt;br /&gt;são sempre penosos instantes...&lt;br /&gt;A que em missal e crucifixo&lt;br /&gt;a mão pusara, e aos circunstantes&lt;br /&gt;fizera ouvir seu juramento,&lt;br /&gt;sob estandartes palpitantes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A que mandara abrir masmorras,&lt;br /&gt;a que desprendera correntes,&lt;br /&gt;a que escutara os condenados&lt;br /&gt;e libertara os inocentes;&lt;br /&gt;a que aos sofredores antigos&lt;br /&gt;levava consolos urgentes;&lt;br /&gt;a que salvava os desvalidos,&lt;br /&gt;a que socorria os doentes;&lt;br /&gt;a que dava a comer aos pobres&lt;br /&gt;com suas mãos clementes;&lt;br /&gt;a que chorava pelas culpas&lt;br /&gt;de seus mortos impenitentes,&lt;br /&gt;e suplicava a Deus piedade&lt;br /&gt;para seus ilustres parentes!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A que se preservara isenta&lt;br /&gt;sobre os desencontros humanos:&lt;br /&gt;sem soldados e sem navios,&lt;br /&gt;entre os irados soberanos&lt;br /&gt;de Espanha, de França e Inglaterra&lt;br /&gt;e os rebeldes americanos&lt;br /&gt;- com os olhos além deste mundo,&lt;br /&gt;nessa evasão de meridianos&lt;br /&gt;que não compreendem os ministros&lt;br /&gt;- e muito menos os tiranos -&lt;br /&gt;de quem vê na terra a falência&lt;br /&gt;de todos os mortais enganos...&lt;br /&gt;A que achava, no ódio, o pecado.&lt;br /&gt;A que achava, na guerra, os danos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A que tentara erguer-se a esferas&lt;br /&gt;de Arte, de Ciência e Pensamento...&lt;br /&gt;A que ao serviço de seu povo&lt;br /&gt;dedicara cada momento...&lt;br /&gt;A que se acreditara livre&lt;br /&gt;de qualquer decreto sangrento...&lt;br /&gt;- quando os horizontes moviam&lt;br /&gt;grandes ondas de roxo vento;&lt;br /&gt;- quando em cada livro se abriam&lt;br /&gt;outras leis e outro ensinamento;&lt;br /&gt;- quando o tempo da realeza,&lt;br /&gt;em súbito baque violento,&lt;br /&gt;desabava das guilhotinas,&lt;br /&gt;sobre um grosso mar de tormento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ei-la, sem pai, marido, filhos,&lt;br /&gt;confessor, - ninguém - acordada&lt;br /&gt;em seu Palácio, à densa noite&lt;br /&gt;erguendo voz desesperada,&lt;br /&gt;perguntando pelo seus mortos,&lt;br /&gt;pela sua ardente morada...&lt;br /&gt;Ei-la a sentir o Inferno vivo,&lt;br /&gt;a família toda abrasada,&lt;br /&gt;e os Demônios com rubros garfos,&lt;br /&gt;esperando a sua chegada&lt;br /&gt;E seu corpo já transparente,&lt;br /&gt;e já dentro dele mais nada.&lt;br /&gt;E os corcéis da Morte e da Guerra&lt;br /&gt;a escumarem na sua escada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ei-la a estender pelas paredes&lt;br /&gt;sua desvairada figura...&lt;br /&gt;A que, embora piedosa e meiga,&lt;br /&gt;pelo poder da desventura,&lt;br /&gt;degredava e matava - longe -&lt;br /&gt;com sua clara assinatura...&lt;br /&gt;Ei-la aos gritos, à sombra verde&lt;br /&gt;dos jardins de aquosa frescura.&lt;br /&gt;Clama por ela Inconfidentes&lt;br /&gt;que a funda masmorra tortura.&lt;br /&gt;E ela clama aos ares esparsos...&lt;br /&gt;E a Liberdade que procura&lt;br /&gt;é por flutuantes horizontes,&lt;br /&gt;no fusco império da loucura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, a neta de D. João Quinto,&lt;br /&gt;filha de D. José Primeiro,&lt;br /&gt;presa em muros de fúria brava,&lt;br /&gt;mais do que qualquer prisioneiro!&lt;br /&gt;- Terras de Angola e Moçambique,&lt;br /&gt;mais doce é o vosso cativeiro!&lt;br /&gt;- Transparentes, vossas paredes,&lt;br /&gt;prisões do Rio de Janeiro!&lt;br /&gt;Ai, que a filha da Marianinha&lt;br /&gt;jaz em cárcere verdadeiro,&lt;br /&gt;sem grade por onde se aviste&lt;br /&gt;esperança, tempo, luzeiro...&lt;br /&gt;Prisão perpétua, exílio estranho,&lt;br /&gt;sem juiz, sentença ou carcereiro...&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-2113155523023532525?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/2113155523023532525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/07/mais-poesia-brasileira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/2113155523023532525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/2113155523023532525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/07/mais-poesia-brasileira.html' title='Mais poesia brasileira'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-378329771622260294</id><published>2009-07-15T12:33:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.379-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><title type='text'>Carta a Stalingrado</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segundo rezam os manuais de literatura, &lt;i&gt;A Rosa do Povo&lt;/i&gt;, publicado, se não falha a memória, em 1945, é o livro de Carlos Drummond de Andrade mais explicitamente dedicado aos problemas sociais que abalavam o mundo à época. Não sem boa dose de curiosidade mórbida, resolvi ler o livro. Há muitos daqueles poemas ligeiros, engraçadinhos, que nos dizem pouco apesar do estardalhaço que faziam, e há também poemas mais cuidadosamente trabalhados, escritos por um Drummond que deveria ter sido mas não foi (meus preferidos são os narrativos, principalmente O Caso do Vestido e O Elefante). E, como todos já temíamos, encontramos algumas loas aos soviéticos, das quais escolhi a mais constrangedora pra postar aqui. Não conheço a biografia dele pra saber se chegou a se retratar em algum momento (o certo é que teve tempo mais que suficiente), mas isso é indiferente agora. O mal do artista brasileiro é errar até quando acerta.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Stalingrado...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Depois de Madri e de Londres, ainda há grandes cidades!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;O mundo não acabou, pois que entre as ruínas &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;outros homens surgem, a face negra de pó e de pólvora, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;e o hálito selvagem da liberdade &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;dilata os seus peitos, Stalingrado,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;seus peitos que estalam e caem, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;enquanto outros, vingadores, se elevam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;A poesia fugiu dos livros, agora está nos jornais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Os telegramas de Moscou repetem Homero.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Mas Homero é velho. Os telegramas cantam um mundo novo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;que nós, na escuridão, ignorávamos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Fomos encontrá-lo em ti, cidade destruída, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;na paz de tuas ruas mortas mas não conformadas,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;no teu arquejo de vida mais forte que o estouro das bombas, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;na tua fria vontade de resistir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Saber que resistes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Que enquanto dormimos, comemos e trabalhamos, resistes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Que quando abrimos o jornal pela manhã teu nome (em ouro oculto) estará firme no alto da página.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Terá custado milhares de homens, tanques e aviões, mas valeu a pena.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Saber que vigias, Stalingrado,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;sobre nossas cabeças, nossas prevenções e nossos confusos pensamentos distantes&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;dá um enorme alento à alma desesperada&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;e ao coração que duvida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Stalingrado, miserável monte de escombros, entretanto resplandecente!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;As belas cidades do mundo contemplam-te em pasmo e silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Débeis em face do teu pavoroso poder, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;mesquinhas no seu esplendor de mármores salvos e rios não profanados,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;as pobres e prudentes cidades, outrora gloriosas, entregues sem luta, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;aprendem contigo o gesto de fogo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Também elas podem esperar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Stalingrado, quantas esperanças!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Que flores, que cristais e músicas o teu nome nos derrama!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Que felicidade brota de tuas casas!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;De umas apenas resta a escada cheia de corpos; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;de outras o cano de gás, a torneira, uma bacia de criança.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Não há mais livros para ler nem teatros funcionando nem trabalho nas fábricas, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;todos morreram, estropiaram-se, os últimos defendem pedaços negros de parede,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;mas a vida em ti é prodigiosa e pulula como insetos ao sol,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;ó minha louca Stalingrado!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;A tamanha distância procuro, indago, cheiro destroços sangrentos,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;apalpo as formas desmanteladas de teu corpo,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;caminho solitariamente em tuas ruas onde há mãos soltas e relógios partidos,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;sinto-te como uma criatura humana, e que és tu, Stalingrado, senão isto?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Uma criatura que não quer morrer e combate, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;contra o céu, a água, o metal, a criatura combate,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;contra milhões de braços e engenhos mecânicos a criatura combate,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;contra o frio, a fome, a noite, contra a morte a criatura combate, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;e vence.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;As cidades podem vencer, Stalingrado!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Penso na vitória das cidades, que por enquanto é apenas uma fumaça subindo do Volga.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Penso no colar de cidades, que se amarão e se defenderão contra tudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Em teu chão calcinado onde apodrecem cadáveres, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;a grande Cidade de amanhã erguerá a sua Ordem.&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-378329771622260294?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/378329771622260294/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/07/carta-stalingrado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/378329771622260294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/378329771622260294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/07/carta-stalingrado.html' title='Carta a Stalingrado'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-1626046811007635087</id><published>2009-07-05T12:58:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.395-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Vocação de escritor</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fico me perguntando com que frequência os aspirantes a escritor de hoje ouvem comentários do tipo 'Não, filho, você realmente não leva jeito pra coisa' ou simplesmente 'Desista'. Vivemos numa época superficialmente suave: gostamos de evitar confrontos sempre que possível. Por imposição do dia-a-dia, os praticantes de outros ofícios inventam testes mais ou menos objetivos pra desqualificar os aspirantes menos talentosos; já o aspirante a escritor nunca pode ser desenganado; há sempre a possibilidade longínqua de ele ser um gênio incompreendido, um homem à frente de seu tempo. E, como não há humilhação maior do que ser aquele que não reconheceu um homem à frente de seu tempo (isso significa não ser você mesmo um homem à frente de seu tempo!), seguimos com as abstrações conciliadoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A desculpa do gênio incompreendido é infalível porque pode sempre ser postergada: se o gênio demora décadas pra aflorar, longe de significar que ele não existe, significa apenas que é mais sofisticado do que suspeitávamos. É a revolução do proletariado no contexto da criação literária: nunca chega e, por isso mesmo, subsiste no pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um tanto frustrante ver bons leitores se obrigando a tentar ser bons escritores de ficção. Não seria frustrante se ainda houvesse quem lhes falasse sinceramente -- penso logo na figura do professor que não está muito preocupado com a auto-estima do pupilo. Os exercícios juvenis são úteis pra desenvolver potencialidades, é claro, mas também são úteis pra fazê-lo perceber que essa não é a sua praia. Convenhamos: não se trata de grande calamidade. Muito ao contrário, se isso fizer com que seu filho troque a faculdade de Letras pela de Medicina, já temos um grande benefício...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-1626046811007635087?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/1626046811007635087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/07/vocacao-de-escritor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/1626046811007635087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/1626046811007635087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/07/vocacao-de-escritor.html' title='Vocação de escritor'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-5370079901372886515</id><published>2009-06-19T12:21:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.431-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>Breakfast</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Percebi essa semana que o simples termo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;breakfast&lt;/span&gt; desperta minha fome. Estava folheando a esmo um volume de estórias curtas do Fitzgerald e encontrei o seguinte parágrafo:&lt;blockquote&gt;This is a story of the Washington family as Percy sketched it for John during breakfast.&lt;/blockquote&gt;A perspectiva de ouvir uma estória interessante em meio a croissants e panquecas já é bastante animadora. O café-da-manhã deve exercer uma atração especial sobre mim porque geralmente não sinto fome pela manhã. É bom que os pães de queijo, a geléia, as frutas, os sucos, o café e o leite, o bolo, as torradas etc., todos imaginários, permanecem intactos, adornando um sonho em forma de banquete potencial. Sempre que encontrá-los, poderei perguntar:&lt;blockquote&gt;Hello Breakfast, may I buy you again, tomorrow?&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-5370079901372886515?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/5370079901372886515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/06/breakfast.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5370079901372886515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5370079901372886515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/06/breakfast.html' title='Breakfast'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-5873346713820426846</id><published>2009-06-11T08:58:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.457-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Conservadorismo &amp; Capitalismo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O fato de esquerdistas notórios serem avessos ao sistema capitalista (algo cada vez menos comum nos dias de hoje) criou a ilusão de uma parceria estratégica entre direita e capitalismo, ou, pior ainda, entre conservadorismo e capitalismo. É certo que direitistas devem ser capitalistas, mas também é certo que devem ser muito mais que isso. O capitalismo é um elemento necessário mas não suficiente, como diriam os matemáticos: é necessário porque não há alternativa; e, longe de ser suficiente, pode funcionar até como elemento destrutivo. Alguns dos elementos conservadores por excelência são muito comumente alienados na grande cidade; a dissolução de valores tradicionais é com frequência representada pela impessoalidade da megalópole e do burocrata dinheirista. Chega a surpreender que a Igreja, e que os críticos conservadores em geral, sejam ao menos levemente anti-capital? Não. Se é verdade que o capitalismo cria distinções úteis, é necessário algo que lhe dê sustentação, ou seremos vítimas de uma hierarquia que muda sempre. Russell Kirk a esse respeito:&lt;blockquote&gt;This network of personal relationships and local decencies was brushed aside by steam, coal, the spinning jenny, the cotton gin, speedy transportation, and the other items in that catalogue of progress which school-children memorize. The Industrial Revolution seems to have been a response of mankind to the challenge of a swelling population: "Capitalism gave the world what it needed," Ludwig von Mises writes sturdily in his &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Human Action&lt;/span&gt;, "a higher standard of living for a steadily increasing number of people." But it turned the world inside out. Personal loyalties gave way to financial relationships. The wealthy man ceased to be magistrate and patron; he ceased to be neighbor to the poor man; he became a mass-man, very often, with no purpose in life but aggrandizement. He ceased to be conservative because he did not understand conservative norms, which cannot be instilled by mere logic -- a man must be steeped in them. The poor man ceased to feel that he had a decent place in the community; he became a social atom, starved for most emotions except envy and ennui, severed from true family-life and reduced to mere household-life, his old landmarks buried, his old faiths dissipated. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Industrialism was a harder knock to conservatism than the books of the French egalitarians&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-5873346713820426846?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/5873346713820426846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/06/conservadorismo-capitalismo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5873346713820426846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5873346713820426846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/06/conservadorismo-capitalismo.html' title='Conservadorismo &amp;amp; Capitalismo'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-7888547505724275835</id><published>2009-05-28T09:11:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.478-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia'/><title type='text'>A mentalidade conservadora</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se tivéssemos de aceitar os critérios que o Russell Kirk, no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Conservative Mind&lt;/span&gt;, estabelece pra identificar o imaginário conservador, seríamos forçados a admitir que popular o conservador não pode ser; não hoje. É certo que já houve tempos mais propícios, mas o conservador não está tão em descompasso com a realidade atual quanto gostariam seus detratores. Alguns desses últimos acreditam piamente que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(i) O conservador não tem senso de humor;&lt;br /&gt;(ii) O conservador tem uma vida social subdesenvolvida;&lt;br /&gt;(iii) O conservadorismo é mais reação que ação, mais inerte que criativo;&lt;br /&gt;(iv) O conservador age por instinto e é intelectualmente despreparado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem seria necessário chafurdar a biografia de conservadores notórios pra verificar que o primeiro item é falso. À medida que os adágios conservadores perdem popularidade, ganha importância a maneira com que são repetidos, e o humor parece ser o artificio mais eficiente nesse processo de reinvenção. Nelson Rodrigues conseguia lamentar o hábito feminino de usar biquinis em plena luz do dia sem parecer um velho recalcado; Chesterton exaltava a coerência de um conto de fadas sem parecer infantil. Isso pode não ser engraçado, mas é bom humor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à vida social: essa sim é uma noção engraçada, e eu não saberia explicá-la de outra forma que não a tendência natural que pessoas que pensam de maneira semelhante têm de se unir. A maioria dos meus amigos tende à direita e nem por isso bebe ou se diverte menos que o estritamente recomendável. Se você é esquerdista e acha que só esquerdistas têm capacidade de pular feito um condenado na balada, fique sabendo que o mau gosto não é privilégio de uma banda do espectro político. Os de bom gosto tampouco são reclusos: sentam num bar e ponderam quantos anjos cabem num copo de cerveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira metade do terceiro item até faz sentido: o conservador desconfia de mudanças abruptas, o que não significa dizer que não reconheça a necessidade de mudanças. Uma desvantagem prática disso é que grandes talentos e mentes impetuosas tendem a encontrar alguma resistência no corpo conservador. A vantagem é que as mudanças, quando indispensáveis, são bem menos destrutivas quando supervisionadas por um conservador &lt;span style="font-style: italic;"&gt;criativo&lt;/span&gt;. Isso nada tem a ver com inércia, como queria F. J. C. Hearnshaw -- &lt;span style="font-style: italic;"&gt;It is commonly sufficient for practical purposes if conservatives, without saying anything, just sit and think, or even if they merely sit&lt;/span&gt; --, mas com conciliação de tempos incompatíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O instinto, ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;prejudice&lt;/span&gt;, realmente não costuma ser ignorado pelo bom conservador, mas daí a acreditá-lo intelectualmente pobre vai um grande salto. Um salto que, aliás, ignora as grandes inteligências que se tornaram, voluntariamente ou não, expoentes do conservadorismo: Edmund Burke, John Adams, S. T. Coleridge, J. H. Newman, Irving Babbitt, George Santayana, T. S. Eliot e o próprio Kirk. Há aqueles que enfatizam valores transcendentais (Burke, Kirk, Newman), outros que se concentram na esfera política (Adams), outros que valorizam a imaginação conservadora mais que tudo (Coleridge, Eliot) e outros que se ocupam principalmente da filosofia por trás da práxis política (Coleridge, Babbitt, Santayana). Já que parecem (e são) tão diferentes, o que os uniria a um núcluo comum? Kirk enumera alguns pontos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(i) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Belief in a transcendent order&lt;/span&gt;. Essa é uma condição com a qual Roger Scruton discordaria, e à qual Santayana e tantos outros expressamente não se adequam. Acontece muito de ela ser aceita numa versão adaptada, que consiste em admitir que a razão humana é insuficiente para abarcar toda a existência e que, se os mistérios não são explicáveis através de um plano divino, simplesmente não são explicáveis. Há aqui, porém, a convicção de que todo problema político é no fundo filosófico, e que todo problema filosófico é antes problema religioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(ii) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Affection for the proliferating variety and mystery of human existence, as opposed to the narrowing uniformity, egalitarianism, and utilitarian aims of most radical systems&lt;/span&gt;. Aqui temos o que parece ser unanimidade entre conservadores: diferenças de mérito entre seres humanos existem e podem ser tão grandes quanto se queira imaginar. Num momento em que a tendência é uniformizar tudo (homens e mulheres, velhos e jovens, bons e maus), repetir esse truísmo conservador exige, e esse é o apelo de Kirk, a engenhosidade de uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;criatividade&lt;/span&gt; conservadora, capaz de reabilitar obviedades rejeitadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(iii) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Conviction that civilized society requires orders and classes, as against the notion of a "classless" society&lt;/span&gt;. Consequência direta de (ii): o nascimento, ou o mérito, ou o casamento, ou mais raramente a sorte, ou todos juntos, determinam que lugar na sociedade devemos ocupar. A supressão de qualquer tipo de ordem levaria -- numa objeção que é mais de ordem prática que de princípio --  ao predomínio de oligarquias, num regime em que todos são servos da igualdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(iv) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Persuasion that freedom and property are closed link&lt;/span&gt;. Observação simples da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(v) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Faith in prescription and distrust of "sophisters, calculators and economists". &lt;/span&gt;Relendo os quatro itens anteriores, percebo que não poucos dos chamados liberais ou libertários assentiriam completamente, sendo o primeiro item com muita probabilidade o mais disputado. Essa quinta condição representa outro ponto de divergência: o conservador desconfia dos sofistas mesmo quando (ou principalmente quando) ele diz ser o estandarte da ciência e da racionalidade. Os números dos melhores economistas podem ser enganosos; as abstrações de filantropos podem levar a ruínas bem concretas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(vi) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Recognition that change may not be salutary reform: hasty innovation may be a devouring conflagration, rather than a torch of progress. Society must alter, for prudent change is the means of social preservation; but a statesman must take Providence into his calculations, and a statesman's chief virtue, according to Plato and Burke, is prudence&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você simpatiza com os seis princípios enumerados acima e não usa tênis all-star, sinta-se bem-vindo ao clube.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-7888547505724275835?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/7888547505724275835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/05/mentalidade-conservadora.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/7888547505724275835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/7888547505724275835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/05/mentalidade-conservadora.html' title='A mentalidade conservadora'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-1560452286589693317</id><published>2009-05-17T17:50:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.492-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>CXLIII - The Old Man and Death</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;An old man who had traveled a long way with a huge bundle of sticks became so weary that he threw his bundle down on the ground and called upon death to deliver him from his most miserable existence. Death came straight to his side and asked him what he wanted.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Please, good sir," he said, "do me a favor and help me lift by burden again."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;It is one thing to call for death and another to see him coming.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-1560452286589693317?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/1560452286589693317/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/05/cxliii-old-man-and-death.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/1560452286589693317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/1560452286589693317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/05/cxliii-old-man-and-death.html' title='CXLIII - The Old Man and Death'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-5221239128834854498</id><published>2009-05-12T09:59:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.503-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Física'/><title type='text'>Somos todos newtonianos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se você é um daqueles que odiava física na época do ensino médio, e que deu graças aos deuses por nunca mais ter que ver pêndulos, bloquinhos suspensos com roldanas ou deslizando por cunhas depois do vestibular, digo apenas que você é tão newtoniano quanto qualquer outra pessoa viva. Termos como 'força', 'potência', 'movimento' etc. são entendidos por todos exatamente como Newton os entendia, e exatamente em oposição ao entendimento que havia antes dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exercício simples pra provar isso é tentar imaginar, da maneira mais simples possível, uma 'força'. Muitos devem imaginar uma setinha entrando ou saindo de um bloco; outros tantos devem imaginar uma pessoa ou objeto sendo empurrado. Os mais criativos podem visualizar um campo de forças, uma espécie de luminosidade que circunda um, por exemplo, super-herói, e que tem o efeito de empurrar ou atrair objetos à distância. Mas isso nada mais é que o efeito à distância, uma idéia newtoniana por excelência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando falamos em 'movimento', poucos devem ser os que não pensam logo em deslocamento físico. Quando falamos em 'potência', poucos devem ser os que não pensam logo na capacidade de realizar trabalho (trabalho físico -- transformação de energia), ou mais especificamente num motor, num velocímetro ou coisas do tipo. Aristóteles não era newtoniano ao falar em primeiro 'motor' ou na capacidade de 'mover' os homens; nós que somos newtonianos ao interpretá-lo dessa maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A teoria ondulatória da luz sofreu certa resistência porque os newtonianos da época acreditavam que a luz era composta por partículas que se chocavam como bolas de bilhar. A refração seria, então, uma simples mudança de velocidade dessas partículas. Só a hipótese ondulatória explica, porém, fenômenos como a difração da luz (v. figura abaixo). O que fazer para convencer-nos, os newtonianos? Pensar nas ondas do mar, que uma vez quebradas produzem 'força' e 'movimento'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/Sgmx2crt8hI/AAAAAAAAAlE/RKswDYXYv5s/s1600-h/Wave_Diffraction_4Lambda_Slit.png"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 258px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/Sgmx2crt8hI/AAAAAAAAAlE/RKswDYXYv5s/s320/Wave_Diffraction_4Lambda_Slit.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334990782567674386" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-5221239128834854498?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/5221239128834854498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/05/somos-todos-newtonianos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5221239128834854498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5221239128834854498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/05/somos-todos-newtonianos.html' title='Somos todos newtonianos'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/Sgmx2crt8hI/AAAAAAAAAlE/RKswDYXYv5s/s72-c/Wave_Diffraction_4Lambda_Slit.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-4473620356246691428</id><published>2009-04-30T20:04:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.517-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Muito canibalismo para um só dia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acabo de ver o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Silence of the Lambs&lt;/span&gt; pela primeira vez. Confesso que há cenas bem perturbadoras, tão perturbadoras que podem até comprometer o churrasco do almoço de amanhã. Se eu por acaso vislumbrar Clarice Starling tentando salvar um cordeiro (ou tentando roubar minha carne), terei como consolo o fato de estar, bem, vendo Clarice Starling. Quando já me supunha livre de canibalismos, começa a tocar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cannibal's Hymn&lt;/span&gt;, cujo refrão acredito ter sido escrito para a Starling:&lt;blockquote&gt;But if you're gonna dine with them cannibals&lt;br /&gt;Sooner or later, darling, you're gonna get eaten&lt;br /&gt;But I'm glad you've come around&lt;br /&gt;here with your animals&lt;br /&gt;And your heart that is bruised but bleating&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;And bleeding like a lamb&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-4473620356246691428?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/4473620356246691428/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/04/muito-canibalismo-para-um-so-dia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/4473620356246691428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/4473620356246691428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/04/muito-canibalismo-para-um-so-dia.html' title='Muito canibalismo para um só dia'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-1299042364114827341</id><published>2009-04-25T11:37:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.545-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Engenharia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Física'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Matemática'/><title type='text'>Xarope necessário</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre que alguém afirma, eu incluso, que é nada menos que impossível modelar o planeta terra e sair fazendo previsões de temperatura para daqui a 50 anos, aparecem os prosélitos da Ciência Infalível citando esse ou aquele estudioso dessa ou daquela renomada universidade. Não fazem a mais mínima idéia do que estão falando, mas se um professor da UFbolinha lançou um artigo a respeito é porque deve ser verdade. Uma primeira maneira de desconfiar disso tudo é visitar a página do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, do INPE, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, &lt;a href="http://tempo1.cptec.inpe.br/"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Lá vocês podem ver que a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;probabilidade&lt;/span&gt; de chuva em Goiânia hoje, 25 de abril, é de 70%. Isso mesmo, colegas: os pesquisadores do INPE não sabem dizer com certeza se hoje chove em Goiânia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Analisar a possibilidade de chuva hoje parece bem mais simples que prever a temperatura média mundial daqui a 1 ano, não? Basicamente tenho que verificar temperaturas, concentração e movimentação de nuvens e massas de ar, umidade relativa do ar etc. Muita gente hesita em duvidar da mecânica dos fluidos porque, ao que parece, as coisas funcionam perfeitamento por todos os lados: medidores de pressão, barragens, encanamentos d'água, prensas hidráulicas etc. Tampouco há o hábito de duvidar da disciplina de transferência de calor: nossos aparelhos de ar condicionado e climatizações em geral funcionam que é uma beleza. Isso porque o engenheiro é, ou deveria ser, como um cavaleiro do Zodíaco: não comete o mesmo erro duas vezes. Tudo o que pode ser empiricamente testado é cedo ou tarde absorvido; se queremos monitorar a queda de pressão numa tubulação de óleo, metemos um medidor lá e pronto. Quando se trata de fazer previsões teóricas, a situação é bem outra. Antes que me acusem de falar sem dar exemplos, como já fizeram, lá vai um (preparem-se, é a parte chata do post):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos modelar o escoamento de um fluido qualquer no espaço. Aplicando a segunda lei de Newton a uma volume de controle do fluido (uma espécie de paralelepípedo imaginário que contém uma porção do fluido), e supondo que todas as forças envolvidas são ou de viscosidade, ou de diferença de pressão, ou de corpo (como a gravitacional ou a elétrica), chegamos às famosas equações de Navier-Stokes, escritas abaixo para as três direções cartesianas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SfNkBnSAEAI/AAAAAAAAAk0/OMSzVTvaEz8/s1600-h/4288497c8c1c8b682f571c12cee3942c.png"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 35px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SfNkBnSAEAI/AAAAAAAAAk0/OMSzVTvaEz8/s400/4288497c8c1c8b682f571c12cee3942c.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328712762996559874" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SfNj9hGdqmI/AAAAAAAAAks/_Xk1RhHb5Jg/s1600-h/3bc38cf926a1ea7b09b6e0a9de0190c9.png"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 35px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SfNj9hGdqmI/AAAAAAAAAks/_Xk1RhHb5Jg/s400/3bc38cf926a1ea7b09b6e0a9de0190c9.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328712692618078818" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SfNj5QZI6EI/AAAAAAAAAkk/l_GfZ-Kv4K0/s1600-h/0af678ff922a190c1a740eba5d800eba.png"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 33px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SfNj5QZI6EI/AAAAAAAAAkk/l_GfZ-Kv4K0/s400/0af678ff922a190c1a740eba5d800eba.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328712619413530690" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Nas equações acima, 'rô' é a densidade do fluido, suposta constante (que conveniente, não?), 'u', 'v' e 'w' são, respectivamente, as velocidades nas direções x, y e z de uma partícula qualquer do fluido, 'p' é a pressão, 'mi' é um coeficiente de viscosidade e os g's são as gravidades relativas às forças de corpo em cada direção (se quisermos considerar apenas a força gravitacional, g = 0 para x e z e g = g para y). Trata-se de um sistema de equações diferenciais parciais não-homogêneas de segunda ordem (porque tem derivadas parciais de segunda ordem e o termo independente é não-nulo). Ele deve ser resolvido juntamente com a equação da continuidade (conservação da massa) e o que importa saber é que &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;não há solução exata para ele&lt;/span&gt;. Vejam que mesmo depois de várias hipóteses simplificadoras (escoamento incompressível e laminar -- a altas velocidades e com geometria propícia o escoamento torna-se turbulento e nem equações que não conseguimos resolver temos mais; ficamos soltos no campo do puramente empírico) chegamos a um sistema sem solução explicíta; podemos tentar algum método numérico, mas nem o mais moderno computador consegue resolvê-lo sem simplificações adicionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas versões bastante simplificadas das equações de Navier-Stokes possuem solução exata. Por exemplo, como no exemplo da figura abaixo, podemos supor que o escoamento se dá apenas na direção y (ou seja, u e w são iguais a 0) e que, com escoamento pleno, a velocidade em y depende apenas de x, isto é, v = v(x). 'Aí fica fácil', diria Joãozinho. Pois é. Mas aí surgem outros problemas: as placas são infinitas? Como levar em conta a formação de vórtices nas bordas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SfNrLFHmn1I/AAAAAAAAAk8/ZpvnNmqLrqU/s1600-h/untitled.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 278px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SfNrLFHmn1I/AAAAAAAAAk8/ZpvnNmqLrqU/s320/untitled.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328720622206230354" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Nesse exemplo nem sequer falamos em temperatura. Transferência de calor por convecção é um inferno (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;no pun intended&lt;/span&gt;) e depende incertamente de valores que por si só já são difíceis de obter, como os mostrados acima. Como vocês imaginam, então, que deve ser a modelagem de correntes oceânicas ou de ar, em que nenhuma ou poucas das simplificações mencionadas aqui são aceitáveis, e para as quais não podemos contar com uma geometria bacaninha pra guiar o escoamento? E a incidência de radiação solar? E a influência das nuvens? E...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-1299042364114827341?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/1299042364114827341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/04/xarope-necessario.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/1299042364114827341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/1299042364114827341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/04/xarope-necessario.html' title='Xarope necessário'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SfNkBnSAEAI/AAAAAAAAAk0/OMSzVTvaEz8/s72-c/4288497c8c1c8b682f571c12cee3942c.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-6175879366221397305</id><published>2009-04-24T12:19:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.560-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>Links</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por muito tempo tive o esquisito (e, parece, ingrato) hábito de escrever num blog sem acompanhar blogs de outras pessoas. Conheci vários recentemente e percebi que há links para o Parnaso em alguns deles. Tardou mas resolvi retornar o favor: se você me linkou e ainda não está aparecendo aqui ao lado, é só me avisar. Até.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-6175879366221397305?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/6175879366221397305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/04/links.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/6175879366221397305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/6175879366221397305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/04/links.html' title='Links'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-3772454558136789568</id><published>2009-04-22T16:36:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.588-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><title type='text'>Eles merecem</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há uns anos, fui malhado em sala de aula por dizer que cada povo tem o governante que merece. Nem sei quem disse isso pela primeira vez; vai que é ditado popular em algum lugar, de tão antigo. Está claro que não se pode responsabilizar um bebê iraniano de poucos anos pelo enpossamento de Ahmadinejad, mas, creio, entende-se bem o que o aforisma quer dizer. Essa relação de responsabilidade pode por vezes ser bem complicada, como o crescendo de anti-semitismo europeu que deu a uma figura como Hitler taxas apreciáveis de popularidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes ela nada tem de complicada. Escrevo isso porque vi hoje mesmo evidência adicional para a minha declaração de há uns anos. Trata-se de exemplo único, um tijolo num muro que, porém, já vai alto. Vejam:&lt;blockquote&gt;Hoy con alegría revolucionaria constatamos como se desarrollan en nuestra America Latina esfuerzos y cristalizan iniciativas tendientes a buscar la unidad, el progreso socio-económico y la integración Latinoamericana como: el Mercosur, ALBA, Petrocaribe, Telesur, Banco del Sur, satélite Simon Bolivar y otros proyectos de ayuda mutua, cooperación y solidaridad. América Latina despertó, está de pie y marchando por senderos libertarios y socialista después de décadas de sojuzgamiento y dominación imperialista. Las hermanas república de: Bolivia, Ecuador, Brazil, Uruguay, Cuba, Nicaragua. Paraguay y con reservas y dudas Chile, entre otros, así como algunos países del Caribe cuentan con gobiernos progresistas que han empezado el deslinde, distanciamiento e incluso ruptura respecto a las políticas neoliberales, adoptando políticas nacionalistas y populares de defensa y rescate de los recursos y riquezas naturales y de reafirmación de su soberanía, planteándose en nuestro caso particular por el comandante presidente Hugo Chávez como el denominado socialismo del siglo XXI, que comparte principios fundamentales con el socialismo clásico, en especial la idea de la supremacía del ser humano y de su trabajo sobre el capital.&lt;/blockquote&gt;O trecho acima foi escrito por um venezuelano que fez intercâmbio nos EUA junto comigo, em 2003. É meritório que tenha ao menos ido visitar a matriz do imperialismo opressor, mas é certo que não aprendeu nada. Se não me recordo mal, o sujeito não era de todo desagradável, apesar daquele entusiasmo meio bobo típico de latinos. Guardada a minha compaixão pelos venezuelanos da oposição, que obviamente não são poucos, apenas digo: eles merecem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-3772454558136789568?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/3772454558136789568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/04/eles-merecem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/3772454558136789568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/3772454558136789568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/04/eles-merecem.html' title='Eles merecem'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-359853223643940232</id><published>2009-04-20T12:25:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.603-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres'/><title type='text'>E o jantar?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SezMac48sdI/AAAAAAAAAkM/5zYFIxLBGW4/s1600-h/spfc.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 252px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SezMac48sdI/AAAAAAAAAkM/5zYFIxLBGW4/s320/spfc.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326857214076170706" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Aproveito o momento amargo, de derrota, para declarar minha simpatia pelo tricolor paulista. Ontem, no Morumbi, tomei o cuidado de ficar o mais distante possível da(s) torcida(s) organizada(s). Fiz bem, mas ainda tive a oportunidade de verificar como o torcedor brasileiro é ingrato: os supostos heróis do início do jogo eram os mesmos 'filhos da puta' do final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto os mais exaltados xingavam jogadores e familiares do juiz, as mulheres, percebendo que o jogo estava perdido, batiam fotos para os filhos e discutiam sobre o que teriam para o jantar. São más torcedoras, mas priorizam o que há de realmente importante nesta vida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-359853223643940232?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/359853223643940232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/04/e-o-jantar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/359853223643940232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/359853223643940232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/04/e-o-jantar.html' title='E o jantar?'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SezMac48sdI/AAAAAAAAAkM/5zYFIxLBGW4/s72-c/spfc.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-7543136268077272418</id><published>2009-04-17T14:19:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.617-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Um velho conservador</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A figura de &lt;a href="http://antonio-sousa-homem.blogspot.com/"&gt;António Sousa Homem&lt;/a&gt; é, de longe, a que mais me diverte dentre todas as figuras divertidas que a blogosfera nos proporciona. Segundo consta, acaba de completar seus oitenta e nove anos e habita calmamente o 'eremitério' de Moledo, no coração do Minho. É visitado por irmãos e sobrinhos e, por opção bem calculada, já não pode compreendê-los tão bem. O interlocutor usual de Sousa Homem são a própria memória e as sombras que daí retira: o velho doutor Homem, seu pai; seu avô; Tio Alberto; Tia Benedita. Maria Luisa, uma sobrinha, de vez em quando aparece como que para atestar a transitoriedade dos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sousa Homem é um resignado ('conheço esses caminhos por razões médicas, tentando aliviar os pulmões e despertar neles o desejo de continuarem a respirar'), e isso já seria suficiente pra fazer muita gente franzir o sobrolho. De fato,&lt;blockquote&gt;Desiludi uns e diverti outros. Expliquei aos meus sobrinhos que não, que nunca tive uma adolescência revolucionária e barbuda. Há cinquenta anos eu esperava da vida o que ainda hoje acho decente esperar-se: um perfume de mimosas numa estrada do Minho. Era um conservador e sou um conservador, um hibisco que muda de folha na altura certa e que aceita a dádiva da fortuna e da metereologia.&lt;/blockquote&gt;Desiludiram-se os sobrinhos, 'que preferiam ver-me como um velho anarquista que tivesse passado o melhor tempo da sua juventude colocando bombas à porta de bancos, ou assaltando a tradição da família para que me declarasse democrata e republicano'. Desiludiram-se as irmãs, que não viram as paixões do irmão mais velho, também elas transitórias, concretizarem-se em matrimônio. Mas restaram os livros, e os contemporâneos que já partiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um desses livros é o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Anatomy of Melanchol&lt;/span&gt;y, de Robert Burn, herdado do velho doutor Homem, seu pai. Sousa Homem parece saber muito sobre a melancolia, mas não vê nisso motivo para desespero ('cada dia que acrescento à minha idade é um dia para agradecer à providência'); longe disso, entende, assim como seu pai, que os sacrifícios que somos forçados a fazer servem como bálsamo para a juventude. Eis aí a melhor resposta para bombas em portas de bancos: o encolher de ombros de quem tem uma família para cuidar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos devem achar, a exemplo de sua irmã mais nova, que Sousa Homem simplesmente se recusou a dobrar o século ('ela tem a impressão de que eu pertenço, não a este mundo, mas aos calendários que vão passando de moda -- gosto da imagem e não me ofendo), ou que, assim como o condenado de Nick Cave, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;he goes shuffling out of life, just to hide in death awhile&lt;/span&gt;. Mas Sousa Homem não se esconde em lugar nenhum, a menos que se considere o eremitério de Moledo, no coração do Minho, um esconderijo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-7543136268077272418?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/7543136268077272418/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/04/um-velho-conservador.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/7543136268077272418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/7543136268077272418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/04/um-velho-conservador.html' title='Um velho conservador'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-7255688832488879732</id><published>2009-04-14T15:22:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.626-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>A autoridade dos posts ad hoc</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma das vantagen de um blog pequeno é poder malhar quem melhor nos aprouver sem muito risco de receber uma resposta, mais ou menos como quem joga tomates e se esconde atrás de uma porta. Adriano Correia me viu jogando um tomate e não gostou, veja &lt;a href="http://adrianocorreia.com/filosofia/ideias-ad-hoc-ou-a-historicidade-versus-a-fe/"&gt;aqui&lt;/a&gt; por quê. Não vou responder porque, bem ou mal, já tentei comentar todas as questões ali contidas -- o princípio de autoridade, o verdadeiro/verossímil etc. --, bastando ao mais interessado dirigir-se à categoria Religião ao lado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-7255688832488879732?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/7255688832488879732/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/04/autoridade-dos-posts-ad-hoc.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/7255688832488879732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/7255688832488879732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/04/autoridade-dos-posts-ad-hoc.html' title='A autoridade dos posts ad hoc'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-5201758207445808109</id><published>2009-04-13T15:14:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.662-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religião'/><title type='text'>A autoridade das idéias ad hoc</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na era da informação, o simples fato de termos uma idéia, somado à constatação de que não somos completos idiotas (no nosso próprio julgamento), já confere à idéia em questão um caráter oficioso, passível de publicação em manual didático num futuro próximo. Como não há quem queira entrar em disputa, por cordialidade ou ignorância mútua, as idéias &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ad hoc&lt;/span&gt; só se diferenciam pela inventividade e pelos malabarismos retóricos de seus autores. Dou um exemplo recente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://adrianocorreia.com/filosofia/algo-sobre-o-significado-de-busca-e-ideal/"&gt;E voltando ao Velho Testamento: Moisés anunciar para um bando de retirantes que não deveriam olhar para a mulher do próximo faz bastante sentido quando se quer diminuir o número de crimes passionais em suas hordes.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As idéias &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ad hoc&lt;/span&gt; geralmente se apresentam como acima: algo tido como verdadeiro séculos afora é repentinamente desacreditado graças a um detalhe circunstancial que, curiosamente, todos os que vieram antes de nós, esses bobinhos, não conseguiram perceber. Também geralmente, o detalhe circunstancial é de ordem administrativa. "É muito conveniente que a lei da gravidade funcione, ou não poderíamos erguer prédios" serve como prova de que não poderia existir um universo sem lei da gravidade. Se pressionados, os autores das idéias &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ad hoc&lt;/span&gt; lembrarão que não estão a fornecer provas, apenas sugestões 'plausíveis', apesar de no íntimo de suas almas acreditarem piamente que acabaram de desferir um golpe mortal contra o edifício da tradição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adicionalmente, essas idéias propõem soluções bem mais simples, uma espécie de massificação da navalha de Occam. É como se dissessem: "joguem fora todos os seus livros de História, o que se julga conveniente hoje deve ter sido conveniente para todos os homens em todos os tempos". Se um dos mandamentos pode ser explicado circunstancialmente, por que não fazê-lo, ainda que ele seja válido independentemente das circunstâncias, inclusive quando elas se mostram adversas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dou outro exemplo, cuja fonte não consegui recuperar: o cristianismo tornou-se a religião oficial do império romano porque era muito 'conveniente' aos imperadores ter súditos que aceitavam dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César. Nunca antes vimos idéias tão ambiciosas, nem tão falsas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-5201758207445808109?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/5201758207445808109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/04/autoridade-das-ideias-ad-hoc.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5201758207445808109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5201758207445808109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/04/autoridade-das-ideias-ad-hoc.html' title='A autoridade das idéias ad hoc'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-5522640766532557447</id><published>2009-04-03T18:25:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.674-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Homens e mulheres tais como nasceram</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dia desses presenteei-me com dois livros da Jane Austen, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pride and Prejudice &lt;/span&gt;(pois é, nunca tinha lido) e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Emma&lt;/span&gt;. Diferentemente dos últimos 5 ou 6 livros de ficção que tinha lido, dessa vez não me decepcionei. Jane Austen é a romancista predileta de Paul Johnson e recebeu elogios entusiásticos de Sir Walter Scott e Somerset Maugham, mas por muito tempo permaneci incrédulo. Antes que falem em machismo, a própria Austen explica o porquê, ao comentar, através de Emma, uma carta de Mr Martin: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;I can hardly imagine the young man whom I saw talking with you the other day could express himself so well, if left quite to his own powers, and yet it is not the style of a woman; no, certainly, it is too strong and concise; not diffuse enough for a woman&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afora questões estilísticas, o alívio maior é perceber que homens e mulheres, interessantes ou não, aparecem nesses livros tais como nasceram e se criaram, não como subprodutos de uma construção ideológica. Os homens interessantes são interessantes como apenas homens poderiam ou tenderiam a ser: discretos, gentis, instruídos e corajosos. Idem para os desinteressantes: aduladores, insensíveis e deselegantes. Já as heroínas de Austen são perspicazes sem ser exageradamente atrevidas, e as figuras femininas que comandam nossa simpatia são atenciosas e singelas, quando não submissas. As que inspiram nosso descaso são, como não poderiam deixar de ser, frívolas e namoradeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve causar certa estranheza que, apesar disso, os enredos de Austen sejam populares até hoje. Um dos motivos por que daqui a dez anos ninguém vai lembrar de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Brokeback Mountain &lt;/span&gt;e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;As Horas&lt;/span&gt; e outros tantos filmes/livros recentes é que, neles, sempre que se quer destacar a importância de um sexo, diminui-se a do outro. Qualquer homem que se queira interessante num ambiente como o de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;As Horas&lt;/span&gt; deve ter características eminentemente femininas etc. Felizmente esse não é o tipo de homem que chamaria a atenção de Lizzy Bennet ou de Emma. Ou melhor, chamaria sim, apenas para ser justamente execrado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-5522640766532557447?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/5522640766532557447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/04/homens-e-mulheres-tais-como-nasceram.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5522640766532557447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5522640766532557447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/04/homens-e-mulheres-tais-como-nasceram.html' title='Homens e mulheres tais como nasceram'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-3687747010584230194</id><published>2009-02-05T19:17:00.000-08:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.718-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><title type='text'>Post sobre o jornalismo brasileiro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O conservador brasileiro, não sem certa razão, sempre se refere com um nojinho incontido às peripécias que enchem os jornais. Muito mais edificante falar sobre poesia, religião ou Monica Bellucci. Há aí um problema de prioridades: como disse o Pereira Coutinho numa entrevista recente, discutir detalhes teológicos no país do mensalão é como querer dançar valsa na tempestade, ou algo assim. Ouçamos o filósofo Paulo Betti: às vezes é preciso sujar as mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A situação da Veja é particularmente irritante. Se existe uma revista que deve inspirar preocupação, essa revista é a Veja, que é a mais lida. E quem mais escreve nela, pelo menos nas últimas edições, é o Andre Petry: tem uma coluna e é responsável pelas matérias sobre as eleições nos EUA. Vejam as bobagens que o sujeito é capaz de escrever: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O que mais provocou  a simpatia mundial por Obama, conforme se lê nas pesquisas feitas em dezenas  de países, é um conjunto de características para as quais  Obama jamais chamou atenção porque espanta o voto do americano médio.  A saber: sua negritude, sua urbanidade, seu traquejo político, sua formação  acadêmica de elite.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Petry garante que formação acadêmica de elite espanta o voto do americano médio. Agora me ajudem com a contagem de presidentes americanos que frequentaram Harvard: John Adams e seu filho, John Quincy Adams; Theodore Roosevelt; Franklin Roosevelt; John Kennedy. Esses 5 são bem conhecidos; uma googlada rápida fornece o nome de mais dois, Rutherford Hayes e o próprio George W. Bush (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;master's degree&lt;/span&gt;). Em Princeton formaram-se dois, James Madison e Woodrow Wilson. Em Stanford, o engenheiro Hoover. Em Yale, Bush pai, Bush filho e Taft. Um em Goergetown, um em Duke, quatro na William &amp;amp; Mary College, um em Columbia, um em Dickinson, um em Williams. Traquejo político também é impopular, segundo Petry. Não faço idéia de onde ele tirou isso. Então o povo americano prefere os mais burocráticos, os mais enrolados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Petry repete religiosamente os lugares-comuns mais batidos -- e mais desacreditados por quem se deu ao trabalho de estudar -- sobre a história dos EUA, como afirmar que o New Deal salvou a economia americana pós-29, que a administração de Harding (1921-23) foi a mais corrupta, que Nixon abusou dos poderes de presidente mais que seus antecessores, que quem se opunha ao movimento aboliciosta era necessariamente racista e por aí vai. Ao fazer um balanço do governo de W Bush, lembra displicentemente que &lt;span style="font-style: italic;" class="revistasCorpo"&gt;Bush  chegou dizendo que faria um governo "para unir, não para dividir",  e agora entrega um país com duas guerras (Iraque e Afeganistão),  um déficit monumental (já na casa do trilhão de dólares)  e uma economia em frangalhos (a pior crise desde a II Guerra Mundial)&lt;/span&gt;&lt;span class="revistasCorpo"&gt;, como se a crise econômica fosse de responsabilidade dele e como se a decisão de entrar numa guerra não passasse de mero capricho pessoal (se perguntado, Petry provavelmente responderia que sim, que não passa de mero capricho pessoal).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="revistasCorpo"&gt;Num quadro com as colunas 'O mundo pensa que... / Mas os Estados Unidos pensam que...', Petry mostra que não deveria se arriscar a falar por uma nação que ele desconhece, ou conhece apenas através do NY Times: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;... o eleito merece todo o entusiasmo de que é objeto, como é natural em qualquer eleitorado do mundo. Torcem para que Obama resolva os problemas &lt;/span&gt;(no kidding?)&lt;span style="font-style: italic;"&gt;, mas não há nenhum sinal (nem procissão, nem comoções públicas, nem pedidos de benção) de que o julguem portador de superpoderes... &lt;/span&gt;É de surpreender, então, que eleitores conservadores americanos tenham inventado os epítetos the Anointed One, the Chosen One etc. para Obama -- certamente Petry não considera (mas sabe-se lá, né) desprezível a parcela conservadora do eleitorado americano.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="revistasCorpo"&gt;É natural ver simplificações numa revista cujos artigos raramente ultrapassam as duas páginas; pode-se sempre falar em didatismo ou algo que o valha. Difícil de entender é que noções tão bobas -- bobas até entre setores da esquerda americana, principalmente agora que já explodiram os primeiros escandândalos da era Obama -- ocupem tanto espaço no semanário mais lido do país. Quando é na Veja o Reinaldo Azevedo não reclama...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="revistasCorpo"&gt;--&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Papa Bento XVI é um “des-reformador” e como todos os conservadores, ele quer que tudo esteja igual, que não haja marolas, nem discordâncias, nem heresias. E aí comete gafes papais. &lt;/span&gt;O trecho é do Arnaldo Jabor. Segundo Jabor, melhor seria se o papa admitisse heresias; só assim pra evitar 'gafes papais'. Um conselheiro assim é exatamente o que o Vaticano precisava.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-3687747010584230194?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/3687747010584230194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/02/post-sobre-o-jornalismo-brasileiro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/3687747010584230194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/3687747010584230194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/02/post-sobre-o-jornalismo-brasileiro.html' title='Post sobre o jornalismo brasileiro'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-8461612046565551436</id><published>2009-02-05T19:03:00.000-08:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.731-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>Interregnum</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gostaria de poder dizer que tenho um motivo nobre pra estar escrevendo pouco -- emprego novo, fundação de uma ONG pela defesa das criancinhas da Palestina ou organização de uma conferência sobre empreendedorismo social --, mas a verdade é que, sem móveis, fica desconfortável digitar por muito tempo. O pior disso tudo é que me surgem idéias geniais, originalíssimas, que escapolem convenientemente antes que apareça a disposição pra escrever. Vai então um post sobre o jornalismo brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-8461612046565551436?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/8461612046565551436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/02/interregnum.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/8461612046565551436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/8461612046565551436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/02/interregnum.html' title='Interregnum'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-3537217643399670988</id><published>2009-01-25T08:51:00.000-08:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.746-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><title type='text'>Hold me closer, tiny dancer</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sábado passado pude ver Elton John executando ao vivo, aqui em São Paulo, algumas das músicas dele de que mais gosto (destaco Tiny Dancer, Good Bye Yellow Brick Road e Believe). O ponto alto do show -- pra mim e, acredito, pro casal que estava ao meu lado -- foi mesmo Tiny Dancer. Enquanto Elton John cantava o refrão -- &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hold me closer, tiny dancer...&lt;/span&gt; -- o casal obedecia e se abraçava ao som de uma balada que fez sucesso quando eles (e eu) não éramos nem nascidos. A voz, está claro, não é a mesma do começo dos anos 70: as notas mais altas ou desapareceram ou foram interrompidas antes que faltasse o fôlego. O mínimo que se pode dizer, porém, é que a melodia sobreviveu ao teste dos tempos. Veja a versão original da música &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=_O80b002XT0"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra grande satisfação foi não ter de ser empurrado de 5 em 5 segundos, apesar de estar razoavelmente perto do palco. Roqueiros mundo afora: aprendam com o exemplo de seus pais!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-3537217643399670988?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/3537217643399670988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/01/hold-me-closer-tiny-dancer.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/3537217643399670988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/3537217643399670988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/01/hold-me-closer-tiny-dancer.html' title='Hold me closer, tiny dancer'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-1156698761138053681</id><published>2009-01-14T09:11:00.000-08:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.763-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>RIP, Neuhaus</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.firstthings.com/article.php3?id_article=5312"&gt;Richard John Neuhaus, 1936-2009&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SW4dFOtwbFI/AAAAAAAAAhY/75yNdYI75sY/s1600-h/neuhausa.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 268px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SW4dFOtwbFI/AAAAAAAAAhY/75yNdYI75sY/s320/neuhausa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291198587893476434" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;I weep, rather, for all the rest of us. As a priest, as a writer, as a public leader in so many struggles, and as a friend, no one can take his place. The fabric of life has been torn by his death, and it will not be repaired, for those of us who knew him, until that time when everything is mended and all our tears are wiped away. -- Joseph Bottum&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-1156698761138053681?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/1156698761138053681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/01/rip-neuhaus.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/1156698761138053681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/1156698761138053681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/01/rip-neuhaus.html' title='RIP, Neuhaus'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SW4dFOtwbFI/AAAAAAAAAhY/75yNdYI75sY/s72-c/neuhausa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-5397258797418557440</id><published>2009-01-12T13:18:00.000-08:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.706-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>Smoking is the new gay</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois que li &lt;a href="http://www.creativeminorityreport.com/2008/10/conservative-is-new-gay.html"&gt;esse&lt;/a&gt; post fiquei com vontade de dizer que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;smoking is the new gay&lt;/span&gt;. É divertido acompanhar a postura das pessoas diante de características marginais, como fumar, ser conservador, ser judeu etc. Vivemos um momento auspicioso nesse sentido: para quem nasceu no intervalo que vai do final da 2a. grande guerra até meados dos anos oitenta, anti-semitismo (deve ter perdido o hífen, mas dane-se) é absurdo inconteste até pra quem se limita a visitar o cinema nas horas vagas. O bombardeio de obras sobre o Holocausto nos ensina a encará-lo como algo inefável, coisa de maluco mesmo. Faça esse experimento: pergunte a um transeunte qualquer sobre a origem do anti-semitismo; se ele for além da ladainha sobre grandes corporações, concentração de dinheiro e financiamento de guerras, dê-se por satisfeito. Não sei se é só nas ocasiões em que a oportunidade tentadora de malhar a política externa americana aparece (na cabeça dessa gente, EUA = Israel) ou se é algo mais geral, mas até essa aversão instintiva ao anti-semitismo parece estar desaparecendo. Isso mesmo: o governo brasileiro já pode equiparar judeus e nazistas e passar incólume, sem que judeus sovinas saiam cobrando dívidas em carne humana por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo nos conta Hannah Arendt, houve um tempo em que não havia nada mais charmoso que ser judeu -- evidentemente, antes de eles serem de fato odiados. Compreende-se bem: é o charme do diferente, da minoria, do excêntrico. O próprio Disraeli, também ele judeu, teria (ainda não tenho opinião formada sobre ele)  contribuído com a pantomima. Pois bem: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;smoking is the new gay&lt;/span&gt;, e isso significa despertar um conjunto amplo mas não ilimitado de reações, a depender do momento histórico, assim como acontece com o gay ou com o conservador. O conservador desperta incredulidade no Brasil de hoje; já nas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;plantations&lt;/span&gt; da Virginia do início do séc. 19, era só mais um. O gay nessas mesmas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;plantations&lt;/span&gt; era um pária; hoje é acolhido e festejado em toda parte, assim como o escravo de ontem é hoje recebido no ensino superior a despeito de seu mérito intelectual. Fico me perguntando, assim como Romerito José inquiria Sto. Agostinho, se chegará a época em que fumantes e conservadores (ou judeus, uma vez mais) serão mandados para o forno, isto é, se tudo muda o tempo todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não muda, podemos estar certos de que não é graças à constatação, a qual todos os homens chegariam independentemente, de que existem valores atemporais. Alguns poucos chegam a essa constatação e nos fazem o favor, na medida de seus talentos, de incuti-las no imaginário popular. Forçoso é dizer: guiamo-nos por preconceitos bem mais do que estamos dispostos a reconhecer (e vejam que desastre se assim não fosse, se tívessemos de esperar que cada um formasse sua idéia sobre cada bloco civilizacional). Coleridge dizia, e sabemos por experiência, que nem nas classes mais privilegiadas da mais grandiosa civilização seria razoável encontrar mais que alguns poucos dedicados à especulação filosófica. O otimismo dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;philosophes&lt;/span&gt; parece particularmente ingênuo numa época em que até aritmética básica aterroriza muitos ditos letrados. Os raros momentos em que o homem consegue erguer-se um pouco pra observar sua condição miserável certamente não são obra da tão alardeada Razão. No dizer de Disraeli (de novo ele), &lt;span style="font-style: italic;"&gt;It was not Reason that besieged Troy; it was not Reason that sent forth the Saracen from the Desert to conquer the world; that inspired the Crusades; that instituted the Monastic orders; it was not Reason that produced the Jesuits&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O triunfo da imaginação sobre a razão fica evidente se repassamos as idéias que ressoam com mais intensidade entre as &lt;span style="font-style: italic;"&gt;intelligentsias&lt;/span&gt;: a visão apocalíptica de Marx, os sonhos de Freud, o caos de Derrida. Todas elas têm um quê de inebriante e difuso e, apesar de procurarem se apresentar como flores da racionalidade, são só isso: visões. Visões que dependem de uma imaginação muito poderosa pra fazê-las sobreviver a despeito da e muitas vezes em oposição à racionalidade que dizem representar. Mais que pesquisas científicas desacreditando os males que o fumo causa à saúde, a turma dos fumantes precisa de alguém que nos lembre por que houve um tempo em que era &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fashionable&lt;/span&gt; fumar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-5397258797418557440?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/5397258797418557440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/01/smoking-is-new-gay.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5397258797418557440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5397258797418557440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2009/01/smoking-is-new-gay.html' title='Smoking is the new gay'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-1006664284322201373</id><published>2008-12-28T15:16:00.000-08:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.795-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><title type='text'>Por um Natal sem direitos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Natal e os chamados direitos humanos aparecem com frequência na mesma frase: todos têm direito a um Natal feliz, sem fome, sem frio etc. Fiquei pensando: por quanto tempo a humanidade pôde passar o Natal sem ouvir falar em direitos humanos? A Declaração Universal dos Direitos Humanos, da ONU, é de 1948. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, dos facinorosos franceses, é de 1789. A Declaração de Independência dos EUA é de 1776 e a Carta de Direitos inglesa é de 1689. Acho que não seria exagero concluir, então, que por pelo menos 1500 anos (dC) a idéia de que o ser humano já nasce com direito a isso ou àquilo soaria estranha aos ouvidos mais benevolentes. E, nada obstante, foi nesse período que inventaram o hospital e a universidade pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que poucas coisas comprometem mais a felicidade que o pretenso direito à felicidade. Se me aparecem com um papel garantindo o meu direito à felicidade irrestrita, qualquer existência aquém de um paraíso na Terra vai me parecer uma tremenda usurpação. Os americanos foram mais modestos (e mais felizes) ao garantir apenas o direito à procura da felicidade, que aliás pode ser tão medonha quanto se queira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mania de garantir direitos a torto e a direito cairia por terra se se dessem ao trabalho de analisar o problema pelo outro lado, o dos deveres. Se eu tenho direito à felicidade, alguem tem o dever de concretizá-la e, fora o meu anjo da guarda, nunca ouvi falar de semelhante cargo. Pior que a impraticabilidade da idéia são as doses cavalares de ressentimento que ela inspira, o ressentimento que Nietzsche quis imputar justamente àqueles que se opunham a ela, os que inventaram a caridade não por dever (no sentido legal), mas por princípio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desejo um bom Natal a todos: não que vocês tenham direito a um bom Natal, mas porque desejo que assim seja.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-1006664284322201373?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/1006664284322201373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/12/por-um-natal-sem-direitos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/1006664284322201373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/1006664284322201373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/12/por-um-natal-sem-direitos.html' title='Por um Natal sem direitos'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-2881342294358711705</id><published>2008-12-18T11:30:00.000-08:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.686-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religião'/><title type='text'>Ainda o Cristaldo ou A compartimentalização da inteligência</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Janer Cristaldo chega a níveis de idiotia que eu mesmo julgava improváveis. Ele se refere ao Reinaldo Azevedo como 'recórter tucanopapista hidrófobo' desde a polêmica da tradução do texto papal sobre a condição do divorciado dentro da Igreja Católica. A birra dessa vez (procure os textos no blog, &lt;a href="http://cristaldo.blogspot.com/"&gt;aqui&lt;/a&gt;) é com um texto que Azevedo escreveu, para a última Veja, 'tecendo loas ao stalinista' Graciliano Ramos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confundir vida e obra de um autor é suficientemente constrangedor até pra quem não se diz jornalista. Cristaldo não é burro a esse ponto, e quem já leu dois ou três de seus textos (os que não tratam de religião!) sabe disso. Mas, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;alas&lt;/span&gt;, quando ele deixa de tratar de política e passa a tratar de religião, é como se Pelé deixasse de jogar pra comentar futebol, ou como se Stephen Hawking deixasse a física de lado pra bater uma bola (não que Cristaldo seja tão bom cronista político assim; o que vale é o contraste). Até aí nada de muito estranho; poderíamos supor bloqueio mental ou algo do tipo. O problema é que, quando se trata de religião, o bloqueio mental é generalizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas e daí?, esses últimos posts são sobre Graciliano Ramos, não sobre religião. Ocorre que o Cristaldo não consegue mais deixar o Azevedo em paz depois que o Azevedo defendeu o papa. Reitero: não fosse o fatídico episódio papal, Cristaldo continuaria mantendo o silêncio de sempre em relação ao colunista de Veja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A compartimentalização da inteligência (alguém já deve ter inventado um termo melhor pra isso) é a capacidade que alguns têm de alocar zero de inteligência pra algumas áreas do conhecimento. Especialização não é bem sinônimo porque o especialista não precisar ignorar o complementar de sua especialização. Também não se trata de inépcia congênita: ninguém ficaria irritado com um sujeito que nasceu com péssimo senso de orientação, péssima visão espacial ou dificuldade pra decorar regras de ortografia; lida-se com essas dificuldades desapaixonadamente, como quem fecha um buraco num muro ou uma cárie num dente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, que fazer de alguém que discorre razoavelmente sobre história e/ou política e/ou economia e/ou filosofia e desata a repetir asneiras quando o assunto é religião? Não são áreas tão desconexas assim; o bloqueio mental é antes psicológico que congênito. Pode ser também um preconceito elevado a teoria, um grão de ignorância que se aloja desgraçadamente no cérebro do indivíduo e que é pouco a pouco recoberto por camadas de desinformação, obtusidade e arrogância até se tornar um tumor purulento e malcheiroso. A imagem é nojenta: a realidade retratada também.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-2881342294358711705?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/2881342294358711705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/12/ainda-o-cristaldo-ou.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/2881342294358711705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/2881342294358711705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/12/ainda-o-cristaldo-ou.html' title='Ainda o Cristaldo ou A compartimentalização da inteligência'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-827253154759545006</id><published>2008-12-16T12:38:00.000-08:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.827-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Nota adicional sobre Capitu</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diogo Mainardi fala da série &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Capitu&lt;/span&gt; em sua última coluna. Alguns trechos:&lt;blockquote&gt;Nada nele recorda o "Dom Casmurro" de Machado de Assis, apesar de reproduzir diálogos do romance. Na série, Bentinho aparece estranhamente caracterizado como Dick Vigarista, do desenho animado Corrida Maluca: nas roupas, no bigode, na magreza, no temperamento e, acima de tudo, na canastrice do ator que desempenha seu papel. Qual é o melhor candidato a Muttley? O agregado José Dias. (...) A série Capitu tem um aspecto circense. É Machado de Assis encenado por Orlando Orfei. É Bentinho imitando Arrelia no picadeiro de Fausto Silva: "Como vai, como vai, vai, vai? Eu vou bem, muito bem, bem, bem". Luiz Fernando Carvalho usa uma linguagem grotesca, afetada, espalhafatosa, cheia de contorcionismos e de malabarismos.&lt;/blockquote&gt;A coisa é mesmo heterodoxa. Mainardi esqueceu de mencionar que deram um jeito de enfiar versões de músicas do Pink Floyd e do Black Sabbath (!)  na trilha sonora, que o cabelo do Bentinho jovem tem estatura digna de um black power, nada obstante ele ser branco e seminarista, e que o sujeito que interpreta José Dias, logo o alinhadíssimo José Dias, tem um jeito marcadamente afeminado. Vi tudo isso num só episódio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu chutaria que a racionalização da patifaria como um todo é a dificuldade de adaptar obras do Machado. O brasileiro tende a associar criatividade e festa intimamente; se uma obra é mesmo muito criativa e sobrevive aos tempos, é necessário uma adaptação que desmonte todos os padrões cênicos usuais, de preferência com muita dança, algazarra e cores espalhafatosas. No episódio que vi, Escobar não parava de dançar. O que significa isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que é ou isso ou adaptações mornas, como as que fizeram do Memórias Póstumas e do Primo Basílio. Todos querem um pouco da glória da pouca literatura em língua portuguesa que deu certo, mas boa inspiração apenas não opera milagres. Talvez precisemos de um temperamento um pouco menos brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-827253154759545006?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/827253154759545006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/12/nota-adicional-sobre-capitu.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/827253154759545006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/827253154759545006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/12/nota-adicional-sobre-capitu.html' title='Nota adicional sobre Capitu'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-8979609338664274788</id><published>2008-12-14T09:54:00.000-08:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.847-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Finalmente a Economia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Reparei outro dia que nunca escrevi sobre a economia chamada real. Segundo consta, a economia real trata não de abstrações generalizantes, sistemas de idéias etc., mas dos resultados que afetam a vida do cidadão comum. A princípio a distinção parece meio absurda: um sistema de idéias, caso aceito e implementado, é exatamente o que vai cedo ou tarde afetar a vida do cidadão comum. Outros restringem o termo mais ainda, dando a entender que economia real trata apenas das operações econômicas mais básicas, como compra de roupas e/ou alimentados, excluíndo entidades mais complexas (bancos, governos) e suas atividades. Vou usar o termo como sinônimo de práxis econômica, aquilo que os agentes econômicos (incluo bancos etc.) efetivamente fazem, a despeito das idéias que julgam ou dizem seguir -- nos casos em que julgam ou dizem seguir alguma idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só fui me dar conta da utilidade dessa distinção muito recentemente. Aconteceu quando começaram a me perguntar se quem trabalha em banco necessariamente venera Hayek e Friedman, se é costume colocar bustos de von Mises ou de Adam Smith nas salas de reuniões e por aí vai. 'Eles preferem a escola austríaca ou a de Chicago?' Às primeiras perguntas, respondo sempre que não, que o pessoal prefere o Benjamin Franklin, mas só porque ele aparece na cédula de 100 dólares. À última, respondo que nenhuma das duas, não por haver objeções palpáveis, mas porque ninguém se deu ao trabalho de conhecê-las direito. São esquerdistas, então? Também não, apenas não se preocupam com a economia que não é a real (a escolha do termo é particularmente feliz porque a economia que não é a real é tratada como irreal mesmo, tema para conversa em botecos ou para contos de fadas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que nada é menos conclusivo em termos de posicionamento no espectro político do que questões puramente econômicas. Ou melhor: nada deveria ser menos conclusivo. Isso porque economia pode até não se resumir a matemática (a inclusão de fatores psicológicos, porém, vai por sua conta e risco), mas os números num balanço ou num fluxo de caixa são tão números quanto os que vão numa hipotenusa ou num polinômio. O que quero dizer, se ainda não ficou claro, é: quando os números estão ruins e existe inteligência e disposição, dá-se um jeito, seja você um rothbardiano, keynesiano ou stalinista. Se o stalinista executa alguns dissidentes no processo e dá um jeito de coletar pra si mesmo todos os benefícios já é outra história. Aos que acham que simplifico a coisa indevidamente, basta lembrar que von Mises provou a impraticabilidade do sistema de precificação socialista com argumentos puramente matemáticos: caso fosse possível (nao é) escrever todas as equações diferenciais que regem o preço de uma banana, não seria possível resolvê-las, nem com os supercomputadores de hoje. Daí que não se possa estabelecer o preço do que quer que seja sem transformar a economia num jogo de cartas marcadas (para beneficiar nós sabemos quem).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O parágrafo anterior deve ser suficiente pra explicar o meu desinteresse pela economia dita real. A problemática sempre me pareceu operacional demais (ainda que complexa demais, como de fato é) pra que me fosse possível fazer algum comentário além do óbvio ululante. Se a crise secou o crédito interbancário, seca também o crédito para as empresas que tomam recursos dos bancos. O banco deixa de emprestar não porque o CFO é rothbardiano, keynesiano ou stalinista, mas porque não tem outra opção (a menos que esteja disposto a quebrar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou em condições de julgar se a distância entre as esferas da economia (a real e a 'irreal') é benéfica ou não para o universo daqueles que apenas querem ganhar a vida no mercado. O que me parece claro é que ela explica pelo menos em parte a completa estupefação diante da crise daqueles que em tese estão na posição de explicá-la*. Se a economia é, ou deveria ser, inútil para nos posicionar em qualquer tipo de espectro ideológico, ela, ou a clivagem que existe dentro dela, serve ao menos pra ilustrar a nossa tendência de achar que idéias não têm consequências (foi preciso que alguém escrevesse um livro com esse nome, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;for Christ's sake&lt;/span&gt;). Não vejo abuso de terminologia em associar a crença de que idéias têm consequências ao conservadorismo, mais precisamente à convicção de que o papel impresso tem outra serventia que não a monetária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* Conversando com o sócio de uma empresa de gestão financeira, ainda outro dia, tive a felicidade de descobrir que o 'modelo do Estado não-invervencionista caiu por terra com essa crise'. Como um modelo que está fora de vigência há quase um século pôde cair por terra agora é matéria a ser decifrada por sábios de uma geração vindoura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-8979609338664274788?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/8979609338664274788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/12/finalmente-economia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/8979609338664274788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/8979609338664274788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/12/finalmente-economia.html' title='Finalmente a Economia'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-5893651555241047226</id><published>2008-12-11T14:24:00.000-08:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.862-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Machado de Assis, um Brasileiro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu andava com idéias de escrever sobre o mau português que se fala no Brasil quando chegou até mim uma entrevista que o Napoleão Mendes de Almeida, o afamado gramático, concedeu à Veja em 1993 (leia &lt;a href="http://veja.abril.com.br/arquivo_veja/entrevista_24021993.shtml"&gt;aqui&lt;/a&gt;). Nela ele diz que a TV talvez seja o maior difusor do português torto que conhecemos tão bem. Fato é que, hoje, a TV já não pode fazer muita coisa: falar em português correto é mais constrangedor que gaguejar ou lançar generosos perdigotos por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi ontem um episódio da série Capitu, baseada no Dom Casmurro de Machado. Os diálogos simplesmente não soam naturais, assim como não soam naturais os diálogos de todas as outras obras baseadas em livros do Machado, ou em qualquer outro livro da época. Todas essas adaptações estão fadadas ao fracasso imediato porque o brasileiro admite como absurda a possibilidade de ouvir um discurso com pronomes devidamente posicionados. Mas e daí, fazer o quê? A culpa é dos atores que se esforçaram (imagina-se o quanto) pra decorar as linhas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que o abismo entre o português falado e o escrito é, mesmo hoje, intransponível. Tome o mais idiota dos adolescentes norte-americanos e ficará claro que o inglês falado (incluindo os usuais abusos: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;like,  you know...&lt;/span&gt;) não está tão distante do inglês acadêmico. A estrutura das frases ao menos é a mesma; os solecismos mais comuns, os de ortografia, são obviamente imperceptíveis na linguagem oral. Já ao falante brasileiro ficam proibidas construções tão banais quanto 'eu a vi' ou 'segurei-lhe a mão', sob pena de um olhar mais ou menos enviesado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto no inglês identifica-se a linguagem formal principalmente pela riqueza vocabular e pela correção ortográfica, identifica-se o mesmo em português por construções meramente corretas. Mesóclise, então, nem pensar, apesar de ser bem sabido que ela é às vezes insubstituível (não fosse, gente como Graciliano Ramos não a usaria). Regência correta de termos menos recorrentes já é luxo descabido, demonstração quase certa de arrogância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é assim que os personagens de nosso maior escritor (quando aparecem fora de seus livros) não nos parecem apenas diferentes, como seria natural esperar de gente que morreu há mais de um século, e que é como os personagens de Dickens ou Conrad devem parecer ao inglês hodierno. Eles nem sequer parecem brasileiros e, se realmente o foram, o certo é que há uma grande catástrofe nos separando.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-5893651555241047226?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/5893651555241047226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/12/machado-de-assis-um-brasileiro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5893651555241047226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5893651555241047226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/12/machado-de-assis-um-brasileiro.html' title='Machado de Assis, um Brasileiro'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-7422491200840726919</id><published>2008-12-04T17:19:00.000-08:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.812-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Estilo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fico imaginando sobre o que eu escreveria caso tivesse de escrever toda semana, ou todo dia (provavelmente já fiz isso por alguns curtos períodos, mas nunca por obrigação). As alternativas mais batidas não são muito atraentes. São elas, que eu saiba: repisar piadas/tiradas que sabidamente funcionaram um dia, invertendo essa ou aquela circunstância; comentar notícias de jornal, com o cuidado de mostrar que cada notícia é evidência adicional de uma tese maior sua enunciada desde há muito; comentar notícias de jornal. O problema das notícias de jornal é que em geral tratam de gente desinteressante e, pior, gente viva (ou recém-matada).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso muito talento pra falar com interesse do que se pode ver aqui e agora. Uma ilha que eu possa ver e visitar pode até ser bem bonita, mas provavelmente não voa ou é povoada por cavalos inteligentes como nos contos de Gulliver. Já vi tempestades fortes, mas nunca uma com efeitos magnetotemporais como no conto de Edgar Poe. A mania moderna de devassar tudo até os mínimos detalhes, discriminando e contabilizando tudo, parece tornar o ofício de escrever mais difícil. Ainda bem que não vivo disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu vivesse disso, e considerando que não tenho talento para discorrer agradavelmente sobre coisas banais (quem não se lembra das escarradeiras floridas de Nelson Rodrigues?), recorreria àquelas pequenas excentricidades que ainda dão laivos de pessoalidade ao texto; algo que eu pudesse sacar da algibeira assim que me faltasse assunto melhor. Poderia ser um terceiro mamilo, um parente filiado ao PC do B ou o hábito de usar tênis all-star. Nenhum defeito é tão constrangedor quando você é o primeiro a confessá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é nem necessário que seja defeito; pode ser também uma virtude inútil, um conhecimento desnecessário. Há quem estude vinhos, quem aprenda a fazer sushi. Eu resolvi estudar ciências exatas. Está claro que as ciências exatas estão longe de ser inúteis (o mundo seria bem menos miserável se todos dominassem as quatro operações), mas são para mim, pelo menos tudo aquilo que me chegou depois do primeiro semestre da faculdade. Resolvi estudar o assunto como quem aprende a fazer sushi. Deu certo: acabei gostando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, alem de saber um pouco sobre a radiação Hawking e entender a demonstração que o vigésimo presidente dos Estados Unidos, James Garfield, propôs para o teorema de Pitágoras, posso rir da cara dos embusteiros. Rir de embusteiros, e denunciá-los devidamente, parece ser um dos maiores bônus de aprofundar-se em qualquer área do conhecimento. Projeções econômicas que precisam ser adaptadas diariamente e que desprezam solenemente variáveis importantes são motivo de risada pra quem estudou cálculo. Simulações da atmosfera que desprezam o efeito das nuvens pra 'provar' o aquecimento global são motivo de risada pra quem estudou transferência de calor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis aí: já que não podemos mais rir de bruxas e gnomos, riamos de nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-7422491200840726919?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/7422491200840726919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/12/estilo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/7422491200840726919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/7422491200840726919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/12/estilo.html' title='Estilo'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-5630567070272134807</id><published>2008-11-14T10:38:00.000-08:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.874-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>Ó, Khronos; Ó, Paciência!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma pessoa (a menos que pobre) que não tem tempo pra fazer o que gosta é muito provavelmente idiota; uma pessoa que faz questão de dizer que não tem tempo pra fazer o que gosta é certamente idiota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você franze o sobrolho quando um idiota diz, na sua frente, que não tem tempo pra fazer o que gosta, ele diz que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;na realidade&lt;/span&gt; (ou seja, antes estávamos no mundo dos sonhos, não na realidade) tem tempo de sobra pra fazer o que gosta porque gosta de tudo que faz. A intenção parece ser poder atirar pra todos os lados: aos que se querem mui importantes por estarem sempre ocupados, os idiotas se dizem também ocupados, sem tempo pra respirar e cansadíssimos; aos que preferem aproveitar a vida, os idiotas se dizem satisfeitos por passar todo o tempo fazendo algo que há minutos era estafante e insuportável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses acessos de hiperatividade surgem, creio eu, de uma espécie de megalomania: a idéia de que estamos sempre a um passo de mudar o mundo. 'Mudar o mundo', 'fazer a diferença' etc. é uma questão de vontade, não de capacidade. Quando a turma do 'fazer a diferença' se reúne (e eles adoram se reunir), é para candidamente nos informar sobre a importância do tempo, sobre como 'otimizar' esforços, eliminar desperdícios, 'enxugar' a rotina etc., tudo, é claro, com aquele jargão corporativo-&lt;span style="font-style: italic;"&gt;newage&lt;/span&gt;-bacaninha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso é muito curioso, principalmente porque não há lugar em que se perca mais tempo que nessas reuniões. Minha curiosidade mórbida me levou a verificar pessoalmente essa impressão que carrego desde o berço, quando começava a berrar e apertar veementemente um chocalho quando via um ongueiro distribuindo panfletos na praia. Visitem a página do Reunes (aqui) e vejam por quê. Observem a terminologia: 'empreendedorismo social', 'intercâmbio de idéias', 'poder transformador do jovem' e por aí vai. Dos palestrantes, nenhum seria capaz de definir esses termos sem se valer de outros mais abstratos ainda. Acho que um dos critérios mais seguros pra constatar o esvaziamento de uma idéia é constatar o esvaziamento da terminologia com que ela é expressa. Esses termos podem até ter tido significado palpável algum dia, mas hoje se reduziram a slogans polarizadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reproduzo aqui o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;profile&lt;/span&gt; de um dos palestrantes, Edgard Gouveia Júnior:&lt;blockquote&gt;[É] arquiteto e urbanista, graduado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Santos, SP, Brasil, 1993; pesquisador do Instituto TIBÁ – Tecnologia Intuitiva (?) e Bio-arquitetura (??), 1993-1996; pós-graduado em Jogos Cooperativos (???), Universidade Monte Serrat, 2003; professor da pós-graduação da Universidade Monte Serrat, 2004-2007 no curso Desenvolvendo Comumunidades; consultor e palestrante internacional nas áreas de protagonismo juvenil, empoderamento molecular e comunitário (????) e Jogos Cooperativos; facilitador do Projeto Cooperação; Co-fundador e Presidente o Instituto Elos – BR; membro da rede internacional Berkana Exchange, 2006-2007; Fellow Ashoka, 2006.&lt;/blockquote&gt;O leitor mentalmente são começa a se perguntar uma série de perguntas, como por que diabos uma universidade em Santos se chama Monte Serrat, em que consistiria um curso chamado Desenvolvendo Comunidades, desde quando 'protagonismo juvenil' se transformou em área do conhecimento e outras tantas. E quanto à tecnologia intuitiva? O que significa isso? Só é tecnologia intuitiva a tecnologia que os estudantes forem capaz de intuir? E se os estudantes forem todos umas bestas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não parece razoável que toda uma geração se deixe levar por uma tergiversação de tão baixa qualidade. Se são esses os luminares que devem nos dizer o que fazer com nosso tempo, estaremos melhor dormindo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-5630567070272134807?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/5630567070272134807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/11/o-khronos-o-paciencia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5630567070272134807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5630567070272134807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/11/o-khronos-o-paciencia.html' title='Ó, Khronos; Ó, Paciência!'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-8806957072173805953</id><published>2008-11-01T11:37:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.926-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>The Hippopotamus</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;And when this epistle is read among you, cause that it be read also in the church of the Laodiceans.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The broad-backed hippopotamus&lt;br /&gt;Rests on his belly in the mud;&lt;br /&gt;Although he seems so firm to us&lt;br /&gt;He is merely flesh and blood.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flesh and blood is weak and frail,&lt;br /&gt;Susceptible to nervous shock;&lt;br /&gt;While the True Church can never fail&lt;br /&gt;For it is based upon a rock.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The hippo's feeble steps may err&lt;br /&gt;In compassing material ends,&lt;br /&gt;While the True Church need never stir&lt;br /&gt;To gather in its dividends.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The 'potamus can never reach&lt;br /&gt;The mango on the mango-tree;&lt;br /&gt;But fruits of pomegranate and peach&lt;br /&gt;Refresh the Church from over sea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;At mating time the hippo's voice&lt;br /&gt;Betrays inflexions hoarse and odd,&lt;br /&gt;But every week we hear rejoice&lt;br /&gt;The Church, at being one with God.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The hippopotamus's day&lt;br /&gt;Is passed in sleep; at night he hunts;&lt;br /&gt;God works in a mysterious way --&lt;br /&gt;The Church can sleep and feed at once.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I saw the 'potamus take wing&lt;br /&gt;Ascending from the damp savannas,&lt;br /&gt;And quiring angels round him sing&lt;br /&gt;The praise of God, in loud hosannas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blood of the Lamb shall wash him clean&lt;br /&gt;And him shall heavenly arms enfold,&lt;br /&gt;Among the saints he shall be seen&lt;br /&gt;Performing on a harp of gold.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;He shall be washed as white as snow,&lt;br /&gt;By all the martyr'd virgins kist,&lt;br /&gt;While the Truch Church remains below&lt;br /&gt;Wrapt in the old miasmal mist.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-8806957072173805953?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/8806957072173805953/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/11/hippopotamus.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/8806957072173805953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/8806957072173805953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/11/hippopotamus.html' title='The Hippopotamus'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-2283401517467842177</id><published>2008-10-20T12:28:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.938-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia'/><title type='text'>Paranoia Darwiniensis</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há alguns assuntos que são verdadeiros destruidores de reputações: penso principalmente em aquecimento global e darwinismo. A essa altura, dos textos escritos sobre esses assuntos, 90% são bobagens e 9,9% obviedades. Só de vislumbrar os termos num artigo já tenho vontade de bocejar (se você descobriu uma espécie de formiga africana que confirma espetacularmente a teoria darwiniana, ótimo; se descobriu outra que a refuta com espetáculo comparável, ótimo também). Foi assim que me arrastei pelas páginas do excelente &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Darwinian Fairytales -- Selfish Genes, Errors of Heredity, and Other Fables of Evolution&lt;/span&gt;, do filósofo australiano David Stove. Em vários momentos o livro se aproxima perigosamente (e Stove é o primeiro a reconhecê-lo) dos 9,9% mencionados acima. A verdade é que, não fosse a condição patológica referida no título desse post, livros como o de Stove não precisariam ser escritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso é dizer pouco: não fossem os cacoetes mentais X e Y, os livros A, B, C etc. também não precisariam ter sido escritos. O fato, por mais melancólico que seja reconhecê-lo, é que os cacoetes existem e prosperam num ritmo nada menos que estupefaciente. Não vou nem comentar os mais famosos (e antigos), cuja origem remonta ao próprio Darwin (ou, antes dele, Malthus), como a idéia de que uma população cresce indefinidamente se não lhe são impostas restrições de alimentação, ou aquela outra, mais absurda ainda, segundo a qual qualquer traço que não contribui para a propagação da espécie será dizimado cedo ou tarde. Não se pode argumentar 'contra' isso, pode-se apenas observar que a realidade, a humana pelo menos, nem se aproxima do modelo proposto. Essas idéias são tão ridículas que se você resolver apresentá-las a algum darwinista (isto é, alguém que se julga darwinista), a resposta mais provável será 'ah, Darwin não acreditava nisso &lt;span style="font-style: italic;"&gt;realmente&lt;/span&gt;', ou 'ah, ninguém &lt;span style="font-style: italic;"&gt;realmente&lt;/span&gt; acredita nisso', o que nos obriga a colher citações do tipo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Every single (!) organic being around us may be said to be striving to the utmost to increase in numbers&lt;/span&gt; ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;[W]e may feel sure that any (!) variation in the least degree (!) injurious would be rigidly destroyed&lt;/span&gt;, ambas do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Origem das Espécies&lt;/span&gt;. Deixei o erro mais grotesco para o final: segundo Darwin, a seleção natural e a luta pela sobrevivência são de tal maneira furiosas que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;of the many individuals of any species (!) which are periodically born, but a small number can survive&lt;/span&gt; (também do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Origem&lt;/span&gt;). Darwin teria mudado de idéia se tivesse visitado a maternidade do hospital mais próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso &lt;span style="font-style: italic;"&gt;puppet&lt;/span&gt;-darwinista, perturbado com a evidência textual, passaria então para a próxima resposta-padrão, que consiste em dizer que Darwin acertou no geral e errou nos detalhes, e que os darwinistas atuais corrigiram oportunamente os deslizes do barbudo. Não só isso não é verdade como é o oposto da verdade: neodarwinistas, sociobiólogos etc. não se contentam com ratificar a ortodoxia darwiniana; insistem em extrapolá-la. As diferenças estão basicamente no nível de detalhamento: com as contribuições mendelianas à genética foi possível colocar os genes na jogada. Se antes era a sobrevivência e a reprodução da espécie, ou de um indivíduo da espécie, que guiavam a seleção natural, agora é a sobrevivência e a 'reprodução' dos genes que levam a responsabilidade. Nasce aí o gene egoísta de Richard Dawkins (que na realidade, segundo nos informa Stove, é idéia original de G. C. Williams).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emprestei o livro para um colega no intervalo da aula e, lidas 25 páginas, o sujeito me volta com um 'o autor é ignorante demais', ignorante na acepção de brutal. Realmente Stove é implacável, e parece ter um prazer especial em espedaçar as teorias de Dawkins. Quem quer que leia um esboço da teoria do gene egoísta reconhece de imediato que se trata de um símile, que Dawkins &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não poderia&lt;/span&gt; acreditar que um gene possa ser dotado de atributos como inteligência, egoísmo etc. Nosso senso comum funciona perfeitamente aí; de fato, Dawkins afirma expressamente que se trata apenas de uma terminologia mais prática. Mas, a menos que Stove tenha forjado as citações que pinçou do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Selfish Gene&lt;/span&gt;, não há como acreditar nisso. Nós nos esforçamos para emprestar alguma sanidade ao Dawkins, mas o danado não colabora. Vejam só o que ele nos diz: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;[W]e are... robot-vehicles blindly programed to preserve the selfish molecules known as genes&lt;/span&gt;; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;[W]e are manipulated to ensure the survival of [our] genes&lt;/span&gt;;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; [T]he fundamental truth [is] that an organism is a tool of DNA&lt;/span&gt;; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;[L]iving organisms exist for the benefit of DNA&lt;/span&gt;. Edward Wilson, que de tanto observar insetos ficou tão maluco quanto Dawkins, afirma que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;[T]he individual organism is only the vehicle [of genes], part of an elaborate device to preserve and spread them... The organism is only DNA's way of making more DNA&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pergunta simples: seria possível manipular seres humanos sem ser mais inteligentes que eles? Eu manipulo furadeiras, lápis, latinhas de Coca-Cola etc. e, apesar de minhas evidentes limitações, não hesitaria em dizer que sou mais inteligente que todas essas coisas. Parece claro que, se Wilson e Dawkins estão certos, os genes não só são egoístas (na acepção usual da palavra) como são mais inteligentes que seres humanos! E nós achando que macacos e golfinhos eram os que mais se aproximavam, hem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stove declara logo no prefácio que não é religioso (e que não é cristão por considerar o cristianismo incompreensível, o que é apenas parcialmente verdadeiro). Como bom polemista que era, deve ter cansado de debater o assunto com gente até bem mais inteligente que Dawkins; não admira, então, que saiba reconhecer uma natureza religiosa assim que a encontra. O nono capítulo, ou ensaio, de seu livro é chamado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A New Religion&lt;/span&gt;, a religião de Richard Dawkins e dos sociobiólogos em geral (segundo consta, a teoria do gene egoísta é consenso entre eles). Não é monoteísta porque os genes são muitos, mas ao menos são invisíveis como o Deus cristão. O impulso de resposibilizar uma entidade de inteligência infinitamente superior pelo andamento das coisas terrenas, algo que imaginávamos só ocorrer em algumas religiões, é traço característico também desses novos darwinistas, sociobiólogos ou darwinistas aloprados. O capítulo seria com muita probabilidade o melhor do livro, não fosse o sugestão, ainda que velada, de que a absurdidade desses últimos atesta absurdidade nas religiões de fato. A única desvantagem de uma boa imagem é que ela pode nos levar longe demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro de Stove não é de filosofia, a despeito da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tag&lt;/span&gt; Philosophy/Sciense em seu verso. Em vez de falar em precedência ontológica pra rejeitar a idéia de que o gene pode ser mais inteligente que o humano, Stove se limita a uma argumentação que não exige muito da imaginação do mais ávido materialista. Trata-se do já bem familiar exercício de confrontar teoria e realidade física. Menos divertido, mas mais que suficiente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-2283401517467842177?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/2283401517467842177/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/10/paranoia-darwiniensis.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/2283401517467842177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/2283401517467842177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/10/paranoia-darwiniensis.html' title='Paranoia Darwiniensis'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-652606060265505451</id><published>2008-10-10T16:21:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.912-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>Ceticismo Juvenil</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Somos particularmente burros durante a adolescência porque não chegamos a saber muito sobre coisa alguma, mas já deixamos de não saber nada. Esse pouco de conhecimento é a perdição de muita gente; alguns permanecem adolescentes até morrer. É natural ocorrer de esse pouco de conhecimento incluir o fato de que é possível, com mais ou menos habilidade, mentir, enganar, lubibriar. Trata-se de mecanismo de defesa tão poderoso quanto perigoso: se sabemos pouco sobre algo e não queremos ser enganados, basta duvidar. Nasce assim o ceticismo juvenil, que duvida de tudo menos do ceticismo em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se costuma tentar justificar filosoficamente o ceticismo; aceitam-no de bom grado porque é cômodo e porque nos livra do estigma de 'crédulo' ou 'ingênuo' (nada mais constrangedor!). O exemplo disso na política brasileira é evidente: 'todo político é ladrão' porque é difícil verificar quem não é ladrão em meio a tantos ladrões. Essa preguiça mental é adulada por gente até inteligente como o Diogo Mainardi, ainda que ele o faça por motivos humorísticos. Só se pode levar a sério um cético que duvida do próprio ceticismo, já que não existe motivo concebível (além da comodidade, claro) para tirá-lo da jogada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É durante a adolescência que várias verdades carregadas candidamente desde a infância são questionadas pela primeira vez. Isso não seria ruim se não fôssemos tão preguiçosos e não optássemos pela saída mais fácil: duvidar. Não chega a impressionar que quem é ateu decide ser ateu por essa época, mas quem dirá que 16 é a idade ideal pra esse tipo de decisão? 25 também não é, mas aos 25 não se tem a metade da convicção de alguém de 16.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia haver combinação mais burra que preguiça e convicção? Quem levaria a sério alguém que duvida veementemente da natureza ondulatória da luz sem nunca ter estudado eletromagnetismo? Esse princípio de autoridade, tão óbvio quanto saudável, inexiste fora da área de exatas sabe-se lá por quê. Tanto que quem é de exatas (e isso inclui desde a faculdade de engenharia até a Royal Society) se sente perfeitamente capacitado pra debater o sexo dos anjos. Acho que quando Tomás de Aquino disse que há dois caminhos para a verdade, o da razão e o da fé, ele quis dizer que a ignorância pode, sim, ser uma benção (e não num sentido pejorativo): certamente a intuição metafísica de qualquer empregada doméstica é melhor que a do Edward Wilson, ainda que elas não saibam o que é um cromossomo ou intuição metafísica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico imaginando como seria um tempo em que a ciência não fosse a única esperança de credibilidade intelectual. Joãozinho interpelaria uma roda de amigos com a resolução de uma equação diferencial parcial pelo método da separação das variáveis e seria zombado porque, ora vejam, aquilo estava em completo desacordo com as lições dos sábios escolásticos. Ainda que reconhecendo o absurdo, eu poderia chamar o Joãozinho de lado e, dando-lhe um tapinha nas costas, perguntar: 'viu como é bom?'&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-652606060265505451?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/652606060265505451/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/10/ceticismo-juvenil.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/652606060265505451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/652606060265505451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/10/ceticismo-juvenil.html' title='Ceticismo Juvenil'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-7840088084455505747</id><published>2008-09-27T11:48:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.894-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>A Excelente Sensação de Estar Sem Pressa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma das sensações mais prazerosas que o ser humano pode experimentar é a de estar perfeitamente sem pressa. Talvez isso sirva como uma versão urbana/contemporânea do Nirvana budista. Percebi-o ontem no metrô, quando, apesar de não ter hora pra chegar em casa, mal podia esperar para que o rapaz dos avisos (70% dos atrasos são causados por gente obstruindo as portas... será que fizeram um estudo estatístico ou inventaram esse número na cara dura?) calasse a boca, e para que aquela gente toda tomasse seu rumo e me deixasse mais espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui expulso do meu nirvana particular de uma hora pra outra: num instante, metrô vazio e em movimento, pensava eu em coisas agradáveis e inofensivas, como o porquê de o gambá ser tão bonitinho em desenhos animados se na vida real ele é um rato gigante e grotesco. Num outro, metrô parado, lotado e calorento, já não conseguia pensar questões fundamentais como a do gambá e só me perguntava se o rapaz dos avisos realmente tinha que falar tão alto. A mudança abrupta me fez perceber o que eu estava perdendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos sem pressa quando o mundo parece girar numa órbita particularmente interessante, quando os instantes se sucedem uns aos outros com um ar donairoso e quase sonolento, dizendo 'olá, com licença', sem atraso ou antecipação. Não queremos que o dia ou o mês acabe, não queremos mudar de emprego ou de namorada, não queremos que a fila ande mais rápido ou que a garçonete acerte seu pedido pela primeira vez na vida. Queremos apenas olhar em redor e poder pensar: assim está bem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-7840088084455505747?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/7840088084455505747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/09/excelente-sensacao-de-estar-sem-pressa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/7840088084455505747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/7840088084455505747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/09/excelente-sensacao-de-estar-sem-pressa.html' title='A Excelente Sensação de Estar Sem Pressa'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-3743940630667472559</id><published>2008-09-14T17:34:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.953-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Os Prazeres e os Dias</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Marcel Proust tem um livrinho de textos aleatórios chamado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os Prazeres e os Dias&lt;/span&gt;. Li há algumas anos e não gostei muito, mas há nele declarações que acabaram por tornar-se celébres, como a de que a conversa é o passatempo do homem sem imaginação. Num outro texto ele declara que não entende a necessidade de viagens; pode imaginar e apreciar qualquer paisagem de dentro do seu quarto, imaginando-a. Os que não têm uma imaginação tão privilegiada, como eu e você, viajam e apreciam tudo em primeira mão. Mas é verdade que nós ao menos tentamos imaginar como a viagem vai ser; aliás, é bem provável que a tentiva dê a idéia da viagem. Quem está certo sobre o Rio de Janeiro: Nelson Rodrigues, Tom Jobim, ou o carioca mala que mora ao lado? etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi com muito atraso que já não se viaja mais assim, ou pelo menos que não é o usual entre gente da minha idade. Hoje a idéia é visitar o leste europeu, o sudeste asiático e alguma ilha obscura e ver no que dá. Já pensou em visitar o Marrocos sem nem saber qual é a capital de lá? Pois é, nem eu. Mas é preciso, dizem, ter esse conhecimento de 'mundo', que de tão vago não poderia mesmo ter outro nome. É mais importante saber que rio corta os montes trans'Alpinos nas coordenadas 51.66, 0.05 (porque esse rio pertence a um país onde as baladas bombam mesmo, cara) a saber por que rota Vasco da Gama alcançou as Índias ou por onde chegou a ajuda francesa na guerra civil americana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suspeito que todo esse esforço, que praticamente equivale à criação de uma nova disciplina (chamemo-la de geografia adolescente, ou geografia mochileira), tem como objetivo final um pouco de orgulho próprio, principalmente se envolve a tradicional alfinetada nos americanos. A primeira das duas únicas pretensões intelectuais que o mochileiro tem é provar que o americano não sabe geografia; a segunda é mostrar que a sabedoria aumenta com a distância. São os dois únicos momentos em que, contrariando a própria natureza, o mochileiro exige certa seriedade dos ouvintes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda é mais interessante e merece um comentário: a distância, seja espacial ou temporal, exerce mesmo certo fascínio. Só que o fascínio advém do desconhecido, e o mochileiro procura o contrário disso. Ele viaja o mundo de ponta a ponta à procura de alguém que seja inteligente  o suficiente para entendê-lo, isto é, alguém que seja exatamente como ele. Subvertendo a lógica da aventura clássica, o mochileiro sai bravamente à procura do que é perfeitamente conhecido. Proust estaria certo se estivesse se referindo a isso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-3743940630667472559?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/3743940630667472559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/09/os-prazeres-e-os-dias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/3743940630667472559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/3743940630667472559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/09/os-prazeres-e-os-dias.html' title='Os Prazeres e os Dias'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-5989762565796716592</id><published>2008-08-31T13:18:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.966-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Sailing to Byzantium</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;THAT is no country for old men.  The young&lt;br /&gt;In one another's arms, birds in the trees&lt;br /&gt;- Those dying generations - at their song,&lt;br /&gt;The salmon-falls, the mackerel-crowded seas,&lt;br /&gt;Fish, flesh, or fowl, commend all summer long&lt;br /&gt;Whatever is begotten, born, and dies.&lt;br /&gt;Caught in that sensual music all neglect&lt;br /&gt;Monuments of unageing intellect.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;An aged man is but a paltry thing,&lt;br /&gt;A tattered coat upon a stick, unless&lt;br /&gt;Soul clap its hands and sing, and louder sing&lt;br /&gt;For every tatter in its mortal dress,&lt;br /&gt;Nor is there singing school but studying&lt;br /&gt;Monuments of its own magnificence;&lt;br /&gt;And therefore I have sailed the seas and come&lt;br /&gt;To the holy city of Byzantium.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sages standing in God's holy fire&lt;br /&gt;As in the gold mosaic of a wall,&lt;br /&gt;Come from the holy fire, perne in a gyre*,&lt;br /&gt;And be the singing-masters of my soul.&lt;br /&gt;Consume my heart away; sick with desire&lt;br /&gt;And fastened to a dying animal&lt;br /&gt;It knows not what it is; and gather me&lt;br /&gt;Into the artifice of eternity.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Once out of nature I shall never take&lt;br /&gt;My bodily form from any natural thing,&lt;br /&gt;But such a form as Grecian goldsmiths make&lt;br /&gt;Of hammered gold and gold enamelling&lt;br /&gt;To keep a drowsy Emperor awake;&lt;br /&gt;Or set upon a golden bough to sing&lt;br /&gt;To lords and ladies of Byzantium&lt;br /&gt;Of what is past, or passing, or to come.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha intenção original era falar do filme dos Cohen (que a essa altura já popularizou, ou algo perto disso, o poema acima) mas, como geralmente ocorre, resolvi desviar o tema. Revendo o post em que colei poemas do Yeats (&lt;a href="http://mtparnaso.blogspot.com/2008/02/poesia-de-verdade.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;), percebi que não colei esse, não sei bem por quê. Detesto ter que admitir, mas só fui reparar que ele tinha algo de especial depois de ver o filme. Um pretexto possível é que a temática se repete em vários outros poemas; outro, mais plausível, é que sou um leitor distraído de poesia. Mas vá lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também é estranho eu não ter reparado nele porque o tema da velhice me interessa (nós não entendemos os mais velhos e o mais velhos, ao menos os que têm algo na cabeça, se envergonham pelos jovens). O velho-narrador, tanto no poema quanto no filme, prefere não passar julgamento sobre o mundo atual e simplesmente se declara incompatível com ele. Bom ou ruim, o certo é que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;our country&lt;/span&gt; não tolera mais a velhice, ou os velhos modos. A única passagem do poema em que o narrador ensaia uma objeção é o final da primeira estrofe: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;caught in that sensual music, all neglect monuments of unaging intellect&lt;/span&gt;. Todo o espetáculo da vida e da corruptibilidade da vida (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;whatever is begotten, born, and dies&lt;/span&gt;), apesar de muito bacaninha, pode nos levar a esquecer o que há de incorruptível, eterno, espiritual etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse contexto o velho é coisa insignificante, mero declínio de algo que deve por força recomeçar. A menos, é claro, que um grande esforço (espiritual, já que a essa altura não se pode mais depender do corpo pra nada) seja empreendido no sentido de superar a decadência da matéria: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;unless soul clap its hand and sing, and louder sing&lt;/span&gt;. O problema é que a juventude, a mesma que tendia a negligenciar os monumentos do eterno, está fadada a falhar pois, segundo o narrador, não há escola para semelhante matéria que não o estudo das coisas mesmas que eles negligenciam: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nor is there singing school but studying monuments of its own magnificence&lt;/span&gt;. É por isso que o velho decide ir para Bizâncio, espécie de monte Parnaso aos que têm sede do eterno. Bizâncio aparece em vários outros poemas do Yeats como símbolo de fertilidade cultural, mas nesse em particular (não lembro se é o único) há que considerar também seu aspecto sagrado: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;the holy city of Bizantium&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na terceira estrofe começa a oração do narrador, que vai até o final do poema. Aqui a intenção é livrar-se de vez das vestes mortais (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;this dying animal&lt;/span&gt;) com o auxílio dos sábios da cidade. Na última estrofe o distanciamento é completo, não só do que é humano mas de tudo que é mortal: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;I shall never take my bodily form from any natural thing&lt;/span&gt;. Graças a um esclarecimento do próprio Yeats ficamos sabendo a que se refere a alusão a um imperador sonolento: "I have read somewhere that in the Emperor's palace at Byzantium was a tree made of gold and silver, and artificial birds that sang." Parece claro que o objetivo final do narrador é sair da esfera de influência do tempo, a ponto de ele mesmo poder passar a vida a falar das desventuras daqueles que não tiveram a mesma sorte: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;to sing... of what is past, or passing, or to come&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o filme? O filme (ou melhor, o livro de Cormac McCarthy em que ele é baseado) serve como reconhecimento do fato de que a preocupação dos 'bons', hoje, é antes de tudo sobreviver. Queixar-se de falta de sofisticação cultural ou de falta de consideração pelos mais antigos ja é coisa bem pueril nesse contexto. Tommy Lee Jones, o 'velho' do filme, diz não saber o que pensar de tanta violência, mas já não são só os velhos que não sabem. É engraçado observar como qualquer preocupação, para se dizer moderna, transforma-se numa questão de sobrevivência. Pelo menos em termos de imaginação os primitivos somos nós.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-5989762565796716592?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/5989762565796716592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/08/sailing-to-byzantium.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5989762565796716592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5989762565796716592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/08/sailing-to-byzantium.html' title='Sailing to Byzantium'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-4353685224763895499</id><published>2008-08-17T09:15:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.976-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religião'/><title type='text'>Disk Sto. Agostinho</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você está pensando em prestar um concorridíssimo exame de teologia na faculdade mais próxima (de que diabos estou falando?) ou simplesmente não quer passar vergonha perante aqueles que ainda se importam com o assunto? Disk Sto. Agostinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escalopilda dos Santos, de Teresina, Piauí, quer saber se Deus também tem braços e pernas, um nariz e dois olhos etc., já que leu em sua Bíblia (aquela edição para 'estudos femininos' (?)) que o homem foi criado à imagem de Deus. Sto. Agostinho responde:&lt;blockquote&gt;Não sabia que Deus é espírito e que não possui membros com medidas de comprimento e largura; nem é matéria, porque a matéria é menor em sua parte que no seu todo. Ainda que a matéria fosse infinita, seria menor em alguma de suas partes, limitada por certo espaço, do que na sua infinitude; nem se concentra inteira em qualquer parte, como o espírito, como Deus. Ignorava totalmente que princípio havia em nós, segundo o qual existimos, e por que se diz na Sagrada Escritura que fomos feitos à imagem de Deus.&lt;/blockquote&gt;Romerito José, de Orós, Ceará, ouviu dizer que o último papa se desculpou por não sei que atitude de um papa antigo e quer saber como isso pode, já que aprendeu da avó que a justiça divina é imutável e eterna. Sto. Agostinho responde:&lt;blockquote&gt;Assim fazem aqueles que se irritam ao ouvir dizer que noutros tempos se permitia aos justos o que agora lhes é vedado, e que Deus deu ordens diversas segundo as circunstâncias de tempo, estando todos sujeitos à mesma justiça. Esses tais não vêem como, no mesmo dia, na mesma casa, o que convém a um membro não convém a outro, o que há pouco era permitido já não é agora; certos atos que eram lícitos e até prescritos aqui, agora são lá proibidos e punidos. Por acaso a justiça é desigual e mutável? Não, os tempos que ela preside não caminham da mesma forma, e justamente por isso se denominam tempos. Os homens -- cuja vida terrana é breve -- são incapazes de harmonizar as razões válidas em séculos passados e de outros povos, que escapam à sua experiência, com os dados que a própria experiência lhes fornece. Eu não conhecia, não percebia todas essas coisas.&lt;/blockquote&gt;Regina Casé, repórter da Globo e especialista em favelas, quer saber de onde vem o mal. Segundo Regina, os moradores da periferia são particularmente virtuosos e criativos, de maneira que os crimes da região representam para ela um grande enigma. Sto. Agostinho responde:&lt;blockquote&gt;Vi claramente que as coisas corruptíveis são boas. Não se poderiam corromper se fossem sumamente boas, ou se não fossem boas. Se fossem absolutamente boas, não seriam corruptíveis. E se não fossem boas, nada haveria o que corromper. A corrupção de fato é um mal, porém não seria nociva se não diminuísse um bem real. Portanto, ou a corrupção não é um mal, o que é impossível, ou -- e isto é certo -- tudo aquilo que se corrompe sofre uma diminuição de bem. Mas privadas de todo bem, deixariam inteiramente de existir. Mas haverá maior absurdo do que afirmar que as coisas se tornariam melhores perdendo todo o bem? Portanto, se são privadas de todo o bem, deixarão totalmente de existir. Logo, enquanto existem, são boas. E aquele mal, cuja origem eu procurava, não é uma substância. Porque, se fosse, seria um bem.&lt;/blockquote&gt;Disk Sto. Agostinho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-4353685224763895499?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/4353685224763895499/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/08/disk-sto-agostinho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/4353685224763895499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/4353685224763895499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/08/disk-sto-agostinho.html' title='Disk Sto. Agostinho'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-2668528062366123252</id><published>2008-08-04T16:04:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.990-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><title type='text'>O Deus Idiota do Rock</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois ainda dizem que eu implico com rockeiros. Deve ser porque não lêem entrevistas como a que Chris Martin, vocalista do Coldplay, deu à Veja semana passada. Dos muitos assuntos que pessoas potencialmente idiotas (categoria em que todos os rockeiros estão inseridos, ainda que, ou talvez por isso mesmo, tenham um PhD em Stanford) devem evitar, Martin deve ter abordado quase todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira idiotice, tão comum que chega a ser aceitável, é dizer que não ouve os próprios discos porque a incessante busca pela perfeição etc. Pode até ser verdade, mas isso não se diz numa entrevista. Não 100 anos depois de já ter ficado claro que esse tipo de comentário não passa de pedantismo barato. A segunda é comentar as eleições americanas. Esse assunto deveria ser proibido entre 'artistas'. Mas Martin se supera: "&lt;span class="revistasCorpo"&gt;Apóio Obama                      porque sou inteligente." É claro que, se tivesse dito que apóia McCain porque é inteligente, a resposta teria sido igualmente idiota. Depois dispara os juízos de sempre: Obama tem a mente mais aberta (seja isso o que for) etc. Quando apontam uma aparente contradição, a resposta também é a de sempre: parece, mas não é. Porque eu acho que sim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="revistasCorpo"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="revistasCorpo"&gt;Há mais. Leiam &lt;a href="http://veja.abril.com.br/300708/p_142.shtml"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="revistasCorpo"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-2668528062366123252?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/2668528062366123252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/08/o-deus-idiota-do-rock.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/2668528062366123252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/2668528062366123252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/08/o-deus-idiota-do-rock.html' title='O Deus Idiota do Rock'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-2047445591985556582</id><published>2008-07-30T05:02:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.020-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religião'/><title type='text'>Estética Cristã</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;12. And it was told king David, saying, The Lord hath blessed the house of Obededom, and all that [pertaineth] unto him, because of the ark of God. So David went and brought up the ark of God from the house of Obededom into the city of David with gladness.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13. And it was [so], that when they that bare the ark of the Lord had gone six paces, he sacrificed oxen and fatlings.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14. And David danced before the Lord with all [his] might; and David [was] girded with a linen ephod.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15. So David and all the house of Israel brought up the ark of the Lord with shouting, and with the sound of the trumpet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16. And as the ark of the Lord came into the city of David, Michal, Saul's daughter, looked through a window, and saw king David leaping and dancing before the Lord; and she despised him in her heart.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17. And they brought in the ark of the Lord, and set it in his place, in the midst of the tabernacle that David had pitched for it: and David offered burnt offerings and peace offerings before the Lord.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18. And as soon as David had made an end of offering burnt offerings and peace offerings, he blessed the people in the name of the Lord of hosts.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19. And he dealt among all the people, [even] among the whole multitude of Israel, as well to the women as men, to every one a cake of bread, and a good piece [of flesh], and a flagon [of wine]. So all the people departed every one to his house.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20. Then David returned to bless his household. And Michal the daughter of Saul came out to meet David, and said, How glorious was the king of Israel to day, who uncovered himself to day in the eyes of the handmaids of his servants, as one of the vain fellows shamelessly uncovereth himself!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21. And David said unto Michal, [It was] before the Lord, which chose me before thy father, and before all his house, to appoint me ruler over the people of the Lord over Israel: therefore will I play before the Lord.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22. And I will yet be more vile than thus, and will be base in mine own sight: and of the maidservants which thou hast spoken of, of them shall I be had in honour.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23. Therefore Michal the daughter of Saul had no child unto the day of her death.&lt;/blockquote&gt;Já aconteceu mais de uma vez de eu receber como resposta, logo após ter criticado o entusiasmo desenfreado de alguns cultos protestantes, os versículos acima, do segundo livro de Samuel (sexto capítulo). Ou isso ou o quarto provérbio do 14, Provérbios: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Where no oxen are, the crib is clean: but much increase is by the strength of the ox&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia, como parece ficar claro, é que se quisermos espalhar a palavra de Deus pode ser necessário suportar certa dose de aviltamento; abrir mão de um ou outro tipo de dignidade terrena; despir-se das vestes reais e ter com o povão. A opinião pública, dirão com razão, não é o nosso Deus. Ou isso ou a esterilidade (pelo menos na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;King James Bible&lt;/span&gt;, a causalidade fica explicitada com o 'therefore' do verso 23).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O provérbio fala da nossa muito comum mania de 'limpeza', da força que se desperdiça em nome dela. O culto mais febril seria uma maneira de libertar-se das convenções, da opinião pública etc. e deixar patente que há uma mensagem que todos podem e devem conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A interpretação do primeiro trecho me parece perfeita, tanto que nada tenho a acrescentar. O problema com a leitura do provérbio é que, assim como normalmente acontece com leituras de comparações envolvendo animais, ela não considera que não somos animais. O boi vai sempre fazer sujeira, mas nós não necessariamente. Aceita-se de bom grado a sujeira do boi porque ele não poderia fazer diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está claro que, dependendo da situação, a sujeira pode ser necessária, estejamos nós falando de bois ou humanos. Nesses casos não há o que objetar. Mas seria o culto um desses casos? Essa conversa de que o culto amalucado seria uma maneira de libertar-se da opinião pública soa como qualquer discurso de afirmação: um tanto ridículo. Se a intenção é dar à opinião pública a sua devida importância (pouca ou nenhuma), por que diabos pautar o culto (que, de resto, é dirigido a Deus, não a nós) em nome dela? É mais ou menos como sujeito que não quer acordar às 10 horas e ajusta um aviso sonoro, altíssimo, às 10 horas: 'lembrar de não acordar às 10 horas'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a priori&lt;/span&gt; avesso ao entusiasmo, apesar de achar que a circunspecção tem tudo a ver com esses momentos (pelo jeito não só eu, a julgar pelas composições sacras desde sempre até 100 anos atrás) -- lembrando que Davi não estava num culto dominical, mas comemorando por um bom, e excepcional, motivo. Sou avesso, sim, a velhos e marmanjos saltitando ao som de um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;rock'n'roll&lt;/span&gt; evangélico improvisado. É no mínimo curioso ter de avisar isso logo aos cristãos, herdeiros da maior tradição estética de que se tem notícia. É a nossa crise de esquecimento em uma de suas manifestações mais melancólicas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-2047445591985556582?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/2047445591985556582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/07/estetica-crista.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/2047445591985556582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/2047445591985556582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/07/estetica-crista.html' title='Estética Cristã'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-4754974328081038812</id><published>2008-07-18T13:49:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.033-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>Histórico de Preguiça</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este blog tem um belíssimo histórico de preguiça. Procurei escrever uma ode ao ócio a cada vez que ficava de férias (&lt;a href="http://mtparnaso.blogspot.com/2006/07/frias-e-volpia-da-ociosidade.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://mtparnaso.blogspot.com/2006/12/frias-e-volpia-da-ociosidade-reprise.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;). Está claro que isso não poderia durar para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que minhas férias foram sacrificadas, posso ao menos verificar algo de que desconfiava desde há muito: o sujeito ocupado demais pensa muito pouco. Claro que esse meu 'ocupado' diz respeito a ocupações hodiernas; Tucídides não pensou menos por ter participado da guerra do Peloponeso, antes o contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As ocupações hodiernas são as que primam pela rotina, pela homogeneização, pela sistematização. A linguagem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;par excellence&lt;/span&gt; dessa nova realidade não poderia ser outra que não a linguagem de programação computacional. É o artifício que nos permite repetir indefinidamente um processo relativamente simples, sem risco de erro. Ocorre que a repetição não deixa de existir, apenas foi automatizada. Digo isso porque o funcionário está sempre sob a impressão de que tudo quanto é repetitivo é feito pelo computador, enquanto aquilo que exige espontaneidade e criatividade continua sob a jurisdição do homem. Ora, nem tudo que ainda não foi automatizado exige criatividade; muitas dessas coisas só não foram automatizadas porque ainda não surgiu alguém que soubesse fazê-lo. E a tendência é que esse alguém surja num futuro próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que, no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;white-collar job&lt;/span&gt;, mesmo as tarefas ditas mais nobres são, no fundo, de natureza repetitiva. Desgraçadamente, a mente humana parece se refestelar na repetição: imprime-se um ritmo e não se fala (pensa) mais nisso. Não parece muito difícil concluir que uma tal rotina leva fatalmente ao esquecimento (o contrário do que Nietzsche entendia por memória quando dizia que o homem superior é aquele de mais larga memória). Filosofia, para Ortega y Gasset, consiste mais ou menos no constante processo de tomada de decisões que nossas vidas nos sugerem. Essas sugestões podem ser percebidas ou não, e, ao que parece, só as percebemos quando não há mais jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bem verdade que o ócio pode (estranho seria se não pudesse) levar a uma inanição mental igual ou pior. Mas pelo menos não leva a esse caminho necessariamente. Já a correria do escritório não nos deixa outra alternativa que não seguir correndo. E o que é pior: ao final do dia, ainda resta a impressão de que o tempo foi bem aproveitado. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Alas&lt;/span&gt;, se o aproveitamento for medido em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bits&lt;/span&gt;, não estaremos errados.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-4754974328081038812?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/4754974328081038812/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/07/historico-de-preguica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/4754974328081038812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/4754974328081038812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/07/historico-de-preguica.html' title='Histórico de Preguiça'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-1748982267482161901</id><published>2008-07-08T14:22:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.046-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres'/><title type='text'>A Perversão Feminina</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mulher está sempre à procura de boas maneiras de esconder sua perversão. Isso faz sentido: a mulher tem todo o direito de ser pervertida, só não tem direito de deixar que os outros o percebam. É natural esperar que numa época de mau gosto generalizado os estratagemas mais comumente utilizados pelas mulheres também sejam de mau gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos mais batidos é o cinema. Nunca (OK, pelo menos não num futuro próximo) vai ser constrangedor dizer numa mesa de bar que tal ou qual filme de Woody Allen, Almodóvar ou Bertolucci é uma maravilha (por mais que o filme seja uma porcaria). Woddy Allen, reconhecendo a necessidade premente que a mulher tem de expressar sua perversão por canais socialmente aceitáveis, escreve roteiros em que a putaria rola solta e ainda posa de intelectual. Já perceberam que só mulheres e gays admiram Allen como escritor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais que os tempos se modernizem a mulher vai sempre resguardar uma distância de segurança em relação ao homem. A mulher só poderá declarar publicamente que aprecia filmes pornográficos quando o homem inventar algum divertimento ainda mais tosco. Isso parece injusto, mas imaginem a desgraça que adviria caso resolvessem mudar as regras: as únicas razões de ser da união heterossexual seriam anatômicas (elas sozinhas são determinantes, mas estão longe de ser as únicas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem vi uma atriz pornô sendo malhada no programa da Luciana Gimenez. Se até o programa da Luciana Gimenez ainda vê algo de censurável na pornografia (não que isso seja coerente com o conteúdo do resto do programa), o mundo não está perdido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-1748982267482161901?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/1748982267482161901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/07/perversao-feminina.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/1748982267482161901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/1748982267482161901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/07/perversao-feminina.html' title='A Perversão Feminina'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-1749560035231079741</id><published>2008-06-24T10:49:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.060-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Fight Club</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Inventei de rever esse filme ontem porque me asseguraram que ele seria mais que simples diversão (como se isso fosse ruim). Cheguei à mórbida conclusão de que ou ele é tomado como simples diversão ou estamos danados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando nos informamos sobre a impressão que o filme deixou nas pessoas, em adolescentes principalmente, percebemos que ela é quase sempre de concordância irrestrita. O próprio narrador (Edward Norton) diz que é 'dificil discordar' da lógica de Tyler Durden quando este ameaça a vida de um balconista que não seguiu seu sonho de ser veterinário. Quando a seita passa a arquitetar pequenos atentados terroristas, a sensação de 'ops, fomos longe demais' só aparece quando um membro do grupo (Bob) é baleado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não li o livro de Chuck Palahniuk que deu origem ao filme e por isso não sei até que ponto vai a 'redenção' final do narrador. No filme, ela é meramente instintiva: destruir prédios corporativos, depredar patrimônio público e vandalizar a cidade é 'demais', devemos parar. O filme consegue o prodígio de fazer com que a audiência simultaneamente concorde com Tyler Durden até o final e simpatize com o 'basta' do narrador. Quem está errado, afinal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais ou menos como quem lê &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Crime e Castigo&lt;/span&gt; e se esquece da segunda parte (o castigo), quem vê esse filme tende a só lembrar a revolta de Durden. Se nos pedissem uma citação que define o filme:&lt;blockquote&gt;Man, I see in Fight Club the strongest and smartest men who've ever lived. I see all this potential, and I see it squandered. God damn it, an entire generation pumping gas, waiting tables; slaves with white collars. Advertising has us chasing cars and clothes, working jobs we hate so we can buy shit we don't need. We're the middle children of history, man. No purpose or place. We have no Great War. No Great Depression. Our Great War's a spiritual war…our Great Depression is our lives. We've all been raised on television to believe that one day we'd all be millionaires, and movie gods, and rock stars. But we won't. And we're slowly learning that fact. And we're very, very pissed off.&lt;/blockquote&gt;Não digo que essa memória fragmentária não faz justiça ao filme: a revolta de Durden é realmente a parte mais atraente do filme (assim como o crime de Raskolnikov é a parte mais atraente do livro), ou, como eu dizia no início, boa diversão. A partir do momento em que se quer tratá-la como algo mais, surge uma série de perguntas meio enfadonhas e totalmente óbvias, do tipo: 'por que os membros do Fight Club são &lt;span style="font-style: italic;"&gt;the smartest men who ever lived&lt;/span&gt;?' 'O que impede homens tão inteligentes de deixarem de ser frentistas ou garçons?' 'Qual seria uma ocupação digna no entender de alguém cujo maior feito é coordenar uma seita terrorista?'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A guerra deles (membros do Fight Club) não é bem espiritual, ou melhor, eles apenas gostariam que ela fosse. O culto à resistência à dor tenta, creio eu, emprestar algum elemento de ascetismo oriental, mas a pancadaria funciona muito mais como válvula de escape do que como princípio disciplinador. Isso fica claro quando lembramos que o narrador passou a dormir como um bebê depois que criou o clube.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A impressão final é a de que todo o desenrolar do filme é consequência de uma maciça crise de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ennui&lt;/span&gt; do narrador. A negação do material (a princípio a crítica ao materialismo cego é simpática aos olhos de qualquer pessoa normal) não os leva à afirmação do espiritual, mas à negação de tudo. Como pode alguém ser avesso ao materialismo ao mesmo tempo em que confessa que o mundo se resume à matéria? É a teologia do nada, vulgo niilismo. O pior é que esse tipo de coisa ainda nos impressiona.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-1749560035231079741?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/1749560035231079741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/06/fight-club.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/1749560035231079741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/1749560035231079741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/06/fight-club.html' title='Fight Club'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-6456391273884749684</id><published>2008-06-19T11:15:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.081-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>De Olhos Bem Fechados</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre vi com certa suspeita a manutenção de hábitos reconhecidamente excêntricos. Falo de coisas do tipo dormir em pé, malhar de madrugada ou substituir água por coca-cola. Num mundo em que todo mundo quer ser único (isso é absurdo, já que é óbvio que somos únicos), esses hábitos, ainda mais quando alardeados aos quatro ventos, parecem forçação de barra. Mas eis que quis o destino que eu adquirisse um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu hábito excêntrico é gostar de dormir com a luz acesa. Não é tão raro assim; tenho pelo menos uns dois colegas que também gostam. Fico pensando (por muito tempo) em algo que justifique isso não porque acho que exista algo que justifique, mas porque é divertido. A explicação canônica é que dormir de luz acesa se assemelha a dormir de dia, e dormir de dia é sempre bom, pelo menos quando não se faz isso normalmente.  Outra explicação é que se tem a impressão de estar sempre alerta (parece que a luz não permite que seu sono se aprofunde), e eu sempre quis ter um sono como o daqueles &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cowboys&lt;/span&gt; que dormem com um olho aberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa é certa: a luz prolonga o período de torpor contemplativo que antecede o sono propriamente dito. Já cheguei a várias decisões momentosas nesses períodos e quero crer que elas não teriam sido possíveis caso eu tivesse perdido consciência minutos antes. Exemplos de algumas dessas decisões: cortar o cabelo no dia seguinte, passar a comer frutas, estudar algum assunto, chegar a um diagnóstico para a atual condição da humanidade etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra vantagem são os sonhos. Passei a sonhar bem mais depois que resolvi deixar a luz acesa. São sempre sonhos de uma luminosidade sempiterna. De ontem pra hoje sonhei com uma moça de dentes branquíssimos, tão brancos que eu tinha de encolher os olhos pra poder enxergá-los; eles emitiam aqueles raios de luz em forma de flecha. O sol também tem presença recorrente: a lâmpada cilíndrica vai se achatando e ficando mais robusta até se transformar numa esfera perfeita. O mais comum, porém, são as cenas de guerra. Já sonhei que estava numa praia (sol a pino) em que a única barraca era a minha, e havia um sujeito só pra me servir cerveja. De repente vários carros-anfíbio surgiam na costa e soldadinhos pulavam deles, destruindo todo o cenário logo atrás de mim. Também já participei de várias batalhas em descampados ensolarados. Gostaria de sonhar com a luz que cegou Dante no Paraíso, por isso mantenho a luz acesa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-6456391273884749684?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/6456391273884749684/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/06/de-olhos-bem-fechados.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/6456391273884749684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/6456391273884749684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/06/de-olhos-bem-fechados.html' title='De Olhos Bem Fechados'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-926971787304745164</id><published>2008-06-09T21:06:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.098-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>Fetiche Libertário</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As muitas restrições impostas arbitrariamente à liberdade humana fizeram, imagino eu, com que se criasse o fetiche libertário. Ou isso ou imaginar que imposições naturais, como o nome ou o sexo com que nascemos, já seriam suficientes pra criá-lo. Excetuando nossa época, em que cirurgias de mudança de sexo são financiadas pelo Estado, o consenso parece indicar que esse tipo de rebelião é ridículo. Parando pra pensar, muito do que nos é mais essencial nunca foi oferecido como opção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nomear personagens é dificuldade de quase todo escritor; o que se espera é que o nome soe como se tivesse sido imposto pela Realidade, não pelo arbítrio de quem escreve. Tudo o que nos interessa num personagem interessante é o que está fixo nele. Um personagem que é só potência pra mudar não é um personagem, é um boneco sem nome. Lord Jim só me interessa até hoje porque nunca conseguiu esquecer o dia em que abandonou o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;S. S. Jedah&lt;/span&gt;. Se conseguisse não seria menos humano, mas não haveria motivo pra escrever um livro sobre ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre me acusam de determinismo ou conformismo quando falo dessas coisas. Em verdade só me oponho ao determinismo oposto, o de achar que nada pode ficar determinado. A liberdade que se enaltece em panfletos políticos não é, infelizmente, negativa: ela é movimento puro, daí que resulte destrutiva muitas vezes. A pedra não deixa de ser livre por não se mexer; deixa de sê-lo por não poder se mexer. Hoje não somos tão livres pra obedecer (pensem nas mulheres) ou pra permanecer inertes (pensem nos jovens). Por que o movimento libertário se recusa a apadrinhar os obedientes e os inertes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que uma pedra contribui mais para a felicidade humana que o ministro Temporão. Uma pedra não faz bobagens e é até capaz de nos divertir de quando em vez. Eu vou além da pedra: critico o ministro Temporão. É muito gratificante poder sanar um pouco de minha dívida para com a humanidade com essas poucas linhas. E o que é melhor: não precisei mudar em nada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-926971787304745164?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/926971787304745164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/06/fetiche-libertario.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/926971787304745164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/926971787304745164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/06/fetiche-libertario.html' title='Fetiche Libertário'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-201797686298483262</id><published>2008-06-01T17:32:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.126-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><title type='text'>Marcha da Maconha</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É, eu sei que estou bem um mês atrasado. Na verdade eu nem pretendia comentar o assunto não fosse uma série de pequenas coincidências. Por ocasião do fim do &lt;a href="http://www.wunderblogs.com/"&gt;Wunderblogs&lt;/a&gt;, resolvi conhecer alguns dos blogs de lá, já que só conhecia o do &lt;a href="http://soaressilva.apostos.com/"&gt;Alexandre&lt;/a&gt;. Visitei primeiro o do &lt;a href="http://fdr.apostos.com/"&gt;FDR&lt;/a&gt;, talvez na esperança inconsciente de ver o Delano sendo malhado publicamente. Não encontrei nada do tipo, mas tem muita coisa interessante por lá. &lt;a href="http://fdr.apostos.com/2008/05/nao_sou_agricultor_desconheco.html"&gt;Esse&lt;/a&gt; post, porém, chamou minha atenção por afirmar que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Reinaldão Azevedo acha que quem defende a legalização das drogas devia ser preso&lt;/span&gt;. Depois fui conhecer o blog do &lt;a href="http://filthymac.apostos.com/"&gt;Filthy McNasty&lt;/a&gt;, de que também gostei, e que também traz um post sobre o assunto: esse &lt;a href="http://filthymac.apostos.com/2008/05/marcha_com_deusdeti_pela_macon.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;. McNasty está de acordo com FDR e ainda comenta a respeito da idéia de uma lei contra a apologia ao crime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui atrás de ler os posts do Reinaldo Azevedo quase certo de que ele tinha exagerado mesmo (já tive a mesma impressão em outras ocasiões). Não vi exagero nenhum. O Azevedo não acha que quem defende a legalização das drogas deve ser preso; ele acha que quem vai às ruas incentivando o consumo de drogas deve ser preso. Eu também acho, e parece que a maioria das famílias brasileiras acha o mesmo. Tanto FDR quanto McNasty vêem nisso cerceamento da liberdade de expressão, mas quem disse que a liberdade de expressão não deve ser regulada? O sujeito que entra na C&amp;amp;A pelado pra protestar contra os altos preços das roupas deve ser tolerado? O maconheiro que passa na minha rua cantando as maravilhas da maconha deve ser tolerado? No meu entender, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que isso não pareça um simples jogo de palavras: ser a favor da legalização das drogas é diferente de participar de uma passeata. Escrever um artigo expondo dados favoráveis à legalização (assim como fizeram Milton Friedman e inúmeros outros) é diferente de empunhar cartazes melodramáticos. Convenhamos, o ônus da prova está do lado de lá da cerca legal. Ninguém mais que os defensores da legalização tem o dever de informar com cuidado a população. No &lt;a href="http://www.marchadamaconha.org/blog/"&gt;site&lt;/a&gt; da Marcha da Maconha, porém, não consigo encontrar uma única nota sobre os danos que a erva pode causar à saúde de quem fuma. Quando confrontam números, é de maneira leviana (no ritmo do post passado, fico sem saber se se trata de burrice ou de má-fé): por exemplo, ao lembrar que o álcool ou o tabaco matam mais que a maconha ou a cocaína. Ora, se o status legal de uma substância é tão irrelevante a ponto de não influir sobre o número de consumidores (é essa a resposta que recebemos ao lembrar que o tabaco mata mais porque é mais consumido), por que organizar uma passeata pela legalização?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;McNasty declara finalmente que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a lei [contra a apologia ao crime] essencialmente cerceia o direito de o cidadão dizer o que pensa.&lt;/span&gt; Na verdade ela cerceia o direito de o cidadão dizer o que pensa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;da maneira que ele bem entender&lt;/span&gt;. Não sei de onde surgiu essa idéia maluca segundo a qual a liberdade de expressão deve sobrepujar todo o resto. Isso corresponde a dizer que idéias, ou a maneira com que são apresentadas, não têm consequências, ou, se têm, devem ser desprezadas frente aos caprichos do opinador. Até os liberais mais exaltados estavam cientes do equilíbrio precário entre a liberdade individual e a ordem coletiva. Como diria Richard Weaver, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ideas have consequences&lt;/span&gt;, e as consequências no caso da legalização das drogas estão longe de ser desprezíveis.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-201797686298483262?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/201797686298483262/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/06/marcha-da-maconha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/201797686298483262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/201797686298483262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/06/marcha-da-maconha.html' title='Marcha da Maconha'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-4161854588069794048</id><published>2008-05-31T17:07:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.835-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>Como e Por Que Discutir</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diferentemente do que pensava Schopenahuer, a maior motivação pra participar de um debate não é a perspectiva de vencê-lo, é a perspectiva de ver seu oponente derrotado. Pode parecer a mesma coisa, mas às vezes a necessidade de desacreditar a opinião do outro é bem mais premente que fazer prevalecer a sua própria. Se não me engano foi Oscar Wilde (discordo dele quase sempre, mas era um sujeito inteligente) quem disse que é a insipidez do argumento alheio que mantém a discussão viva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que Wilde queria dizer (ou ao menos é o que ele queria que entendêssemos) que uma opinião insípida, ainda que verdadeira, deve ser combatida. Isso, obviamente, é bobagem de quem quer soar bacaninha. É preciso ter disciplina de espírito até pra concordar com o ministro Eros Grau, ou com o ministro Ricardo Lewandowski. Ambos vêem o óbvio na questão da pesquisa com células-tronco: a arrogância da ciência. É pena que apontem uma origem tão esdrúxula pra essa arrogância (ela seria um véu para acobertar os interesses do, brr, Mercado). A burrice analítica, porém, não compromete a primeira impressão, essa sim completamente verdadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A frase do Wilde é aproveitável quando é usada no sentido do Teorema da Autoridade Invertida, de que já falei aqui. A tacanhice da argumentação alheia é apenas indício de falsidade. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ufa, Fulano discorda de mim&lt;/span&gt;. Quem nunca teve esse tipo de alívio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por essas e outras que sempre senti falta de uma interpretação (brr) psicológica para o debate. Pode parecer ingenuidade, mas ainda acredito na esperança de aprendizado (aliás, se, como queria Schopenhauer, todo debate tem como objetivo a 'vitória', por que o dele seria uma exceção?). Minha experiência pessoal parece confirmar essa esperança: nunca mudei de idéia sobre questões fundamentais lendo livros; os livros só sedimentaram de vez a mudança. O ser humano está sempre seguindo indícios mais ou menos claros, e por algum motivo eles aparecem com mais frequência numa conversa com o vizinho do que num tratado de teologia. A única exceção que consigo pensar agora é o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Orthodoxy&lt;/span&gt;, do Chesterton, mas bem que esse livro parece a cópia de um grande debate, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É graças a essa ingenuidade latente (de que me orgulho) que não posso fugir à pergunta: por que Fulano acredita nisso? Ignorância, má-fé ou eu que estou errado? Quando Sam Harris rejeita o argumento da contingência de Leibniz com um mero 'isso é fugir do problema', podemos pensar em ignorância e má-fé simultaneamente. Ignorância porque muita gente realmente acha que recorrer à única solução possível de um problema é fugir do problema. Isso corresponde a dizer que, sendo os catetos de um triângulo retângulo 3 e 4, concluir que a hipotenusa vale 5 representa uma fuga. E má-fé porque Harris lembra triunfante que o argumento não prova a existência do Deus cristão, quando é notório que essa nunca foi a intenção do argumento. Se bem que, pensando bem, talvez ele não saiba disso. Viram que complicado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema dos comunistas não é menos intrigante. Na época de Hayek era mais plausível acreditar que os defensores do socialismo desistiriam da idéia assim que enxergassem suas consequências. O próprio Hayek sugere isso inúmeras vezes no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Road to Serfdom&lt;/span&gt;. Mas e hoje? Como diferençar os meramente tapados dos genuinamente picaretas? Os casos extremos são de análise fácil, mas a banda intermediária, bem difusa, está longe de poder ser desprezada. Vai que há almas bem intencionadas lá por dentro. Eles precisam da nossa paciência.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-4161854588069794048?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/4161854588069794048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/05/como-e-por-que-discutir.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/4161854588069794048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/4161854588069794048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/05/como-e-por-que-discutir.html' title='Como e Por Que Discutir'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-8267260168376995933</id><published>2008-05-30T14:05:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.114-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Engenharia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Física'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Matemática'/><title type='text'>Cientistas Cristãos (2)</title><content type='html'>6. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Nicolaus Copernicus&lt;/span&gt; (1473-1543)&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SEB3J5702yI/AAAAAAAAAZY/-Lt5cdLSydQ/s1600-h/copernicus.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SEB3J5702yI/AAAAAAAAAZY/-Lt5cdLSydQ/s320/copernicus.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5206292181294570274" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Copérnico, sendo católico, foi o primeiro astrônomo a formular a teoria do heliocentrismo (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;De revolutionibus orbium coelestium&lt;/span&gt;, 1543). Assim como Galileu depois dele, Copérnico foi recebido com entusiasmo em Roma por suas teorias. A principal hipótese dele, porém, estava errada: o sol não é o centro do universo, é o centro do sistema solar apenas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;7. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Galileu Galilei&lt;/span&gt; (1564-1642)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ver &lt;a href="http://mtparnaso.blogspot.com/2008/03/resposta-crist-2-o-caso-galileu.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Blaise Pascal&lt;/span&gt; (1623-1662)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SEB3sJ7020I/AAAAAAAAAZo/C1YX1M19DXc/s1600-h/Pascal_2a.jpeg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SEB3sJ7020I/AAAAAAAAAZo/C1YX1M19DXc/s320/Pascal_2a.jpeg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5206292769705089858" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Pascal ainda é, creio eu, considerado o pai da teoria de jogos ou teoria das probabilidades. Na física, a contribuição principal foi na hidrostática, com o chamado princípio de Pascal: uma pressão aplicada a um fluido incompressível é transmitida integralmente para o restante do fluido (princípio da prensa hidráulica). Em meios não-científicos, ele é principalmente lembrado pela aposta de Pascal (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pascal's wager&lt;/span&gt;), que consiste em afirmar que, Deus existindo ou não, é sempre preferível acreditar que Ele existe. O ceticismo moderno mal consegue esconder sua revolta contra esse tipo de raciocínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Isaac Newton&lt;/span&gt; (1643-1727)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SEB31J7021I/AAAAAAAAAZw/Xpxby11kxw4/s1600-h/Newton.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SEB31J7021I/AAAAAAAAAZw/Xpxby11kxw4/s320/Newton.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5206292924323912530" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Está claro que Newton dispensa apresentações. O que nem todo mundo sabe é que ele se dedicava a experimentos de alquimia a à religião tanto quanto à mecânica. Também estudou óptica por muito tempo, e é natural que tivesse uma explicação mecanicista para o fenômeno da luz (a qual, para ele, era formada por pequenas partículas que eram desaceleradas ou aceleradas ao serem refratadas para um meio mais ou menos denso). A resistência que a teoria ondulatória da luz teve de enfrentar deve-se, em parte, ao grande prestígio de Newton.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Max Planck&lt;/span&gt; (1858-1947)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SEB39Z7022I/AAAAAAAAAZ4/UPi0rxJ4yzw/s1600-h/Planck.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SEB39Z7022I/AAAAAAAAAZ4/UPi0rxJ4yzw/s320/Planck.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5206293066057833314" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;É considerado o fundador da teoria quântica (e um dos últimos a acreditar nela). Estudando a radiação emitida por um corpo negro, Planck chegou à conclusão de que a energia devia ser quantizada, mas preferiu assumir que sua análise estava errada a admitir essa hipótese. Só mudou de idéia mais tarde. Na expressão matemática utilizada para calcular a energia de um fóton (E = hf), aparece &lt;span style="font-style: italic;"&gt;h&lt;/span&gt;, a constante de Planck. A mesma constante (só que reduzida) também aparece no cálculo de incertezas no princípio da incerteza de Heisenberg.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-8267260168376995933?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/8267260168376995933/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/05/cientistas-cristaos-2.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/8267260168376995933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/8267260168376995933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/05/cientistas-cristaos-2.html' title='Cientistas Cristãos (2)'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SEB3J5702yI/AAAAAAAAAZY/-Lt5cdLSydQ/s72-c/copernicus.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-382070577940337588</id><published>2008-05-28T15:38:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.139-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>Memória de Cabeleireiro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por que o cabeleireiro sempre pergunta como você usa seu cabelo se ele teve oportunidade de ver isso quando você chegou lá? Supõem eles que usamos penteados diferentes só pra ir visitá-los?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-382070577940337588?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/382070577940337588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/05/memoria-de-cabeleireiro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/382070577940337588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/382070577940337588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/05/memoria-de-cabeleireiro.html' title='Memória de Cabeleireiro'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-4468404151431301381</id><published>2008-05-25T17:49:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.152-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>Assalto na Dutra</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bom, preferia não ter de ser assaltado pra poder verificar, ainda que pra um espaço amostral extremamente exíguo, uma dessas teses que gostamos de esfregar na cara dos outros numa mesa de bar. A primeira tese é a de que o povo (na acepção mais amorfa e generalizante possível) é em essência direitista, o que equivale a dizer que é natural ser de direita assim como é natural perder os dentes de leite, ficar calvo ou interessar-se pelo sexo oposto. A segunda tese, meio óbvia e decorrente da primeira, é a de que o povo brasileiro não sabe se expressar politicamente. Se soubesse, teríamos pelo menos um partido de direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui assaltado hoje pela manhã voltando de São Paulo pra São José dos Campos, no mesmo ônibus que sempre tomo. O sujeito subiu num dos pontos do caminho (aliás, por que é mesmo que esses ônibus de linha param nos pontos?) e sacou uma arma que eu gostaria de poder descrever em detalhes, mas não conheço nada a respeito. Vovós suspirando, crianças chorando e todo mundo tentando esconder objetos de valor. Consegui esconder minhas coisas à exceção do telefone celular, que resolvi meter no saco estendido diante de mim pra não levantar suspeitas (meninas, não adianta ligar, não vou poder atender). As imprecações do assaltante são as mesmas que vemos nas novelas: 'Motorista, sem gracinhas ou eu passo chumbo'; 'Quem esconder dinheiro leva bala' etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esse assaltante era diferente, ao menos dos poucos que tive a infeliz oportunidade de observar em ação. Estava nervoso demais, falava alto demais. Se tivesse tido um pouco mais de paciência poderia ter levado vários outros celulares, relógios, iPods e alianças sem risco adicional. Saiu apressado, meio envergonhado. Já na porta, pronto pra descer, virou e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não sou ladrão. Meu filho está com câncer e não posso pagar o tratamento. Vocês me perdoem. Me perdoem e fiquem com Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mentira? É até provável, apesar de que o sujeito poderia ter simplesmente ido embora calado. A reação dos passageiros, porém, pareceu unânime: era mentira e, mesmo que não fosse, não justificava o assalto. Ônibus de linha não deveria parar nos pontos da estrada. E o pessoal que mora longe da rodoviária? Pega o circular antes; gasta mais mas garante a segurança de todos. O que segura a sociedade, disse outro, é a família; um familiar de cabeça fria poderia ter aconselhado o pai desesperado e evitado o assalto. Não se deve julgar, mas que está errado, está. Essa interpretação do crime surgiu naturalmente, sem qualquer esforço analítico. Por que ela não sai de dentro do ônibus?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-4468404151431301381?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/4468404151431301381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/05/assalto-na-dutra.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/4468404151431301381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/4468404151431301381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/05/assalto-na-dutra.html' title='Assalto na Dutra'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-1011852341353193127</id><published>2008-05-17T10:02:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.161-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>A Carne é Forte</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Existem várias coisas que eu gostaria de melhorar em minha vida e que, se fossem jogadas contra mim num juízo final hipotético, o máximo que eu poderia fazer seria baixar a cabeça e resignar-me às agruras penitenciais. Curiosamente, comer carne não é uma delas, e acho cada vez mais difícil encontrar um argumento de ordem ética que me faça mudar de idéia. Trata-se de uma daquelas felizes ocasiões em que interesse pessoal e consciência limpa andam de mãos dadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido, é reconfortante ler artigos de vegetarianos inteligentes como o de Taylor Clark da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Slate&lt;/span&gt;: &lt;a href="http://www.slate.com/id/2190872"&gt;Vegetarian myths, debunked&lt;/a&gt;. O título do artigo, porém, não faz o menor sentido. Antes pelo contrário, Clark mostra que os 'mitos' não são mitos, que eles existem mesmo, mas que não se aplicam a ele em específico. Clark não perderia tempo dizendo que gosta de bacon ou que não revira os olhos ao avistar um prato de carne se isso não fosse de alguma maneira notável. Acho inclusive que a maioria dos vegetarianos pensa como ele. Mas, convenhamos: daqueles que não pensam assim, quantos são vegetarianos? Alguém já viu um não-vegetariano dizendo que um hambúrguer de carne é nojento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que nós fazemos parte de vários pequenos grupos e é impossível responder por todos os nossos colegas. Imaginem se eu tivesse de justificar toda besteira cometida por um cristão, cearense, estudante de engenharia ou ouvinte de rock! Infelizmente, muitas vezes ocorre (e muitas vezes não é fácil evitá-lo) de você cair num grupo em que a idiotia predomina ou pelo menos tem voz forte. A idiotia pode até não predominar entre vegetarianos, mas o 'discurso' oficial do vegetarianismo é idiota. E esse discurso, nem adianta espernear, não foi construído por carnívoros implicantes; ele vem de dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A parte do artigo de Clark que mais reflete essa idiotia é aquela em que ele diz estranhar a desfaçatez dos que comem carne suína e ainda assim paparicam seus bichos de estimação. Haveria aí uma incompatibilidade inarredável, uma hipocrisia típica dos que não pararam 5 minutos pra pensar no que fazem. Essa idéia parte de um sentimento louvável: o de benevolência. Também acho que os animais devem ser tratados com benevolência. Aliás, é o mesmo que Platão dizia, com a diferença de que ele incluía escravos entre os animais. A divergência começa precisamente aqui: eu acredito que seja possível comer carne (ou até caçar) sem deixar de ser benevolente com os animais; Stanley Clark vê uma dose de crueldade em cada McLanche Feliz, ainda que seja uma crueldade diluída em displicência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O argumento pela belevolência com animais não é bem de ordem ética: como poderíamos falar em ética em relação a seres que não fazem idéia do que isso seja, que, mais, não fazem idéia nenhuma? Nesse momento algum ativista lembra que tirar proveito dos animais é duplamente cruel exatamente por isso. Se estendemos essa lógica às plantas, mais indefesas ainda, ouvimos que as plantas não sentem dor. Se perguntamos se não haveria problema em matar um porco anestesiado, ouvimos que os animais são diferentes das plantas. Ora, isso é bem verdade! Então por que não reconhecer que animais (irracionais) e seres humanos são diferentes também?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acho que seja necessário falar em cristianismo (alma, inteligência divina etc.) pra que essa diferença fique bem clara. O fato é que o porco tem uma existência meramente instintiva: ele não pretende emagrecer pra conquistar uma porquinha no chiqueiro vizinho, ele não faz planos que não estejam direcionados à satisfação de uma necessidade imediata. A existência de um porco está inteiramente projetada sobre o agora, é como um ponto sobre a linha dos tempos. Um acidente ou uma morte repentina não vai nem pode frustrar nada porque não havia nada pra ser frustrado; o sofrimento de seus companheiros é também instintivo e nem sequer existiria se fosse de alguma maneira prejudicial à espécie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maneira com que os ativistas à Peter Singer falam guarda uma similitude meio sinistra com a tal &lt;span style="font-style: italic;"&gt;heartlessness of ideas&lt;/span&gt;: estima-se o conceito de humanidade em vez de se estimar o homem concreto; estima-se a comunidade animal em vez de se estimar animais específicos. É claro que Clark está a anos-luz de distância de um Singer, mas é esse raciocínio que o faz estranhar eu gostar de animais e ainda assim não ver problemas em comer carne. O pressuposto é o de que, por ambos pertencerem à comunidade animal, ambos merecem a mesma atenção. Ora, a atenção que qualquer animal merece é, pelo menos, a mínima necessária para que não sofra inutilmente. O que vier além disso depende de uma relação pessoal que nada tem a ver com a comunidade animal tomada em bloco. Estamos falando de um animal, não do Animal.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-1011852341353193127?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/1011852341353193127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/05/carne-e-forte.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/1011852341353193127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/1011852341353193127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/05/carne-e-forte.html' title='A Carne é Forte'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-4503911351482965632</id><published>2008-05-10T19:16:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.778-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Engenharia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Física'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Matemática'/><title type='text'>Cientistas Cristãos (1)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As figuras que vão abaixo são todas muito conhecidas, mas o fato de serem cristãos aparece com alguma surpresa. O exemplo mais característico é o de Leibniz, que só é lembrado entre o populacho por ter inventado o cálculo e por uma caricatura grotesca de autoria do Voltaire. Depois de cada &lt;span style="font-style: italic;"&gt;blurb&lt;/span&gt; vou colocar uma citação do sujeito que relacione a ciência a algum princípio cristão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Gottfried Leibniz&lt;/span&gt; (1646-1716)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SCZzR1gR_cI/AAAAAAAAAYo/-NVsp57FAD0/s1600-h/Leibniz.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SCZzR1gR_cI/AAAAAAAAAYo/-NVsp57FAD0/s320/Leibniz.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198969570103262658" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Não sei até que ponto isso é surpreendente, mas foi Leibniz quem inventou o sistema binário de números. Isso faz com que ele possa ser chamado, para usar o termo predileto dos historiadores da ciência, de pai da engenharia de computação. As contribuições à engenharia mecânica são várias: projetou bombas e prensas hidráulicas, submarinos, relógios, máquinas a vapor etc. Esse pessoal mais antigo ficava entediado e ia construir pirâmides. É assombroso. Quanto ao cálculo: a notação que usamos hoje para diferencial, integral etc. foi invenção de Leibniz. Não se trata apenas de uma notação, mas de um método (em oposição ao método geométrico de Newton). O resultado é que praticamente não há grandes contribuições ao cálculo vindo de anglo-saxônicos (excetuando Taylor e Maclaurin) durantes os séculos 17 e 18.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;In whatever manner God created the world, it would always have been regular and in a certain general order. God, however, has chosen the most perfect, that is to say, the one which is at the same time the simplest in hypothesis and the richest in phenomena.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;James Prescott Joule&lt;/span&gt; (1818-1889)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SCZ0a1gR_dI/AAAAAAAAAYw/EE1FiMbbR40/s1600-h/Joule.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SCZ0a1gR_dI/AAAAAAAAAYw/EE1FiMbbR40/s320/Joule.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198970824233713106" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A idéia de ver calor como uma forma de energia parece óbvia hoje, como usualmente ocorre com as grandes descobertas. A coisa é de tal importância que o Joule passou a ser uma unidade derivada do sistema internacional de unidades (SI), a unidade de energia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;After the knowledge of, and obedience to, the will of God, the next aim must be to know something of His attributes of wisdom, power, and goodness as evidenced by His handiwork.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Johannes Kepler&lt;/span&gt; (1571-1630)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SCZ0u1gR_eI/AAAAAAAAAY4/U-Q4nQGCaR4/s1600-h/Kepler.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SCZ0u1gR_eI/AAAAAAAAAY4/U-Q4nQGCaR4/s320/Kepler.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198971167831096802" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O trabalho de Kepler foi muito mais de observação (e de paciência) do que propriamente analítico. As chamadas três leis de Kepler (não podem ser chamadas de leis, mas isso é outro assunto) -- formato das órbitas, tempo/área de varredura e relação entre período e eixo de órbita -- só vieram a ser demonstradas matematicamente com o advento da dinâmica de Newton. Parece que ninguém mais que o Kepler levou a sério essa disposição de observar, e com isso aprender algo da, obra divina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Great is God our Lord, great is His power and there is no end to His wisdom. Praise Him you heavens; glorify Him, sun and moon and you planets. For out of Him and through Him, and in Him are all things... We know, oh, so little. To Him be the praise, the honor and the glory from eternity to eternity.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Michael Faraday&lt;/span&gt; (1791-1867)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SCZ061gR_fI/AAAAAAAAAZA/tFn6FjD6J04/s1600-h/faraday.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SCZ061gR_fI/AAAAAAAAAZA/tFn6FjD6J04/s320/faraday.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198971373989527026" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Diferentemente do Kepler, cujo mérito maior foi de observação empírica, Faraday teve &lt;span style="font-style: italic;"&gt;insights&lt;/span&gt; teóricos que soam ainda mais impressionantes se levamos em conta que a matemática da época era bem limitada e que mesmo dessa matemática ele conhecia pouco. A lei da indução magnética de Faraday (que é uma das quatro equações de Maxwell) é, segundo consta, uma das leis de mais difícil 'visualização' na Física, ainda que se disponha de um ferramental matemático adequado. Menos conhecidas são suas contribuições como químico: descobriu o benzeno (o velho benzeno) e mexia com polímeros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Speculations? I have none. I am resting on certainties. 'I know whom I have believed and am persuaded that He is able to keep that which I have committed unto Him against that day.'&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;James Clerk Maxwell&lt;/span&gt; (1831-1879)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SCZ1GlgR_gI/AAAAAAAAAZI/HCnA9d2kyGc/s1600-h/Maxwell.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SCZ1GlgR_gI/AAAAAAAAAZI/HCnA9d2kyGc/s320/Maxwell.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198971575852989954" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Maxwell conseguiu sintetizar o eletromagnetismo inteiro em quatro equações simples (lei de Gauss, lei de Gauss para o magnetismo, lei da indução de Faraday e lei circuital de Ampère). Tudo sai daí. Lembra aquela expressãozinha para refração de um raio de luz entre meios com índice de refringência diferentes? Era empírica até ser demonstrada por uma equação de Maxwell (Snell, então, era uma espécie de Kepler da óptica geométrica). A primeira fotografia colorida (apresentada por ele mesmo na Royal Institution) foi possível graças a contribuições suas à análise de cores. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;On top of that&lt;/span&gt;, mexia com termodinâmica estatística (que é a que deve ser utilizado se quisermos resultados realmente precisos) e é considerado o pai da teoria de controle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Almighty God, Who has created man in Thine own image, and made him a living soul that he might seek after Thee, and have dominion over Thy creatures, teach us to study the works of Thy hands, that we may subdue the earth to our use, and strengthen the reason for Thy service; so to receive Thy blessed Word, that we may believe on Him Who Thou has sent, to give us the knowledge of salvation and the remission of our sins. All of which we ask in the name of the same Jesus Christ, our Lord.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-4503911351482965632?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/4503911351482965632/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/05/cientistas-cristaos-1.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/4503911351482965632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/4503911351482965632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/05/cientistas-cristaos-1.html' title='Cientistas Cristãos (1)'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SCZzR1gR_cI/AAAAAAAAAYo/-NVsp57FAD0/s72-c/Leibniz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-6236355294269536309</id><published>2008-05-05T16:57:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.186-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Física'/><title type='text'>Somos Livres?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu digo que sim, e pensei que fosse coisa óbvia.  Estive conversando com uns amigos sobre livre-arbítrio e vi que não é bem assim (refiro-me à obviedade). Parece que uma vez mais o desenvolvimento desproporcional de uma área do conhecimento (conhecimento científico) tem gerado confusões. A comparação mais comum que ouço nesse contexto é a de um sistema de simulação computacional cujas variáveis são todas criadas e manipuladas pelo usuário. O usuário tem conhecimento de e poder sobre todas as variávies; é o Deus do sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O absurdo dessa comparação é evidente: ela leva diretamente à conclusão de que o ser humano é tão livre quanto uma pedra. Mas é sabido que uma pedra, quando solta, cai sempre; eu, como humano, posso levantar, deitar, correr etc. Quando perguntamos ao autor da comparação se somos como a pedra, ele responde que não, que somos mais complicados: há uma miríade de impulsos nervosos que percorrem várias sinapses em poucos milissegundos e coisa e tal. Do ponto de vista filosófico, porém, essa complexidade fisiológica não acrescenta nada; seríamos apenas uma pedra que transmite milhares de sinais antes de cair. Basta pensar no mecanismo de apagar a vela do bolo na antiga abertura do Castelo Rá-Tim-Bum. Funcionalmente há mais complexidade naquilo do que num simples sopro? A mentalidade cientificista, mantendo uma coerência quase cega, só admite conceder qualquer complexidade aos entes se essa complexidade for também científica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sintoma engraçado dessa maneira de pensar são os estudos que dizem ter desvendado essa ou aquela habilidade cognitiva por terem detectado atividade intensa na região setentrional esquerda do córtex cerebral. Usualmente, bastaria falar em causa e efeito pra acabar com a confusão, mas a mentalidade cientificista exige analogias mecânicas: é como se um grupo de pessoas se reunisse numa sala e acendesse as luzes do recinto. Da percepção bem óbvia de que há movimento lá dentro partimos pra conclusão de que sabemos do que eles conversam; mais ainda, conhecemos o princípio que lhes concede a própria fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra maneira de ver o problema: digamos que a vontade de comer rapadura excite o lóbulo direito do cérebro. Os indivíduos A e B estão com fome e, o que é pior, vieram do sertão cearense. Como justificar o fato de que A resolveu comer a guloseima e B não? Porque B é religioso e seu Messias proibiu a ingestão de rapadura, sob pena de prejudicar o desempenho sexual dos hereges. A disciplina e a piedade religiosas, diz-se, são dirigidas por determinada atividade neurológica. O indivíduo C, seguidor da mesma religião e também cearense, resolveu comer a rapadura ainda assim porque teve uma visão em que o anjo Sebastião, vestido com a camisa do vovô, afirmava ser a abstinência de rapadura uma grande bobagem e que deveria haver, por isso, um cisma na Igreja, restringindo o território sagrado dos comedores de rapadura à margem oriental do rio Banabuiú, território bastante propício ao plantio da cana-de-açúcar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo os cientificistas, as peripécias desenvolvidas no parágrafo anterior são fruto de mecanismos causais simples (determinadas impressões causadas por impulsos elétricos geraram a visão do anjo). Essa hipótese fica provada porque, caso danificássemos o lóbulo direito do ser humano, nada do que vai acima teria acontecido. Isso equivale a dizer que tudo que é necessário pra que algo aconteça é também suficiente pra que algo aconteça. Isso equivale a dizer que uma fuselagem sem asas e sem motor pode, estando parada, alçar vôo. Eu também acho que pode, mas uso o termo certo: milagre.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-6236355294269536309?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/6236355294269536309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/05/somos-livres.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/6236355294269536309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/6236355294269536309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/05/somos-livres.html' title='Somos Livres?'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-3275138402654415654</id><published>2008-05-04T19:42:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.217-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Ora, Vírgulas!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu era criança tive de ler um livro chamado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ora, Vírgulas!&lt;/span&gt; no colégio. Não lembro os detalhes, mas contava o assombroso caso de uma cidade em que todas as vírgulas resolvem desaparecer. Os livros das bibliotecas, das escolas etc. ficam todos sem vírgulas, mais ou menos como numa versão &lt;span style="font-style: italic;"&gt;light&lt;/span&gt; do último parágrafo de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ulysses&lt;/span&gt;. As crianças, claro, começam a perceber a importância das vírgulas e por aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, quando encontro uma pontuação que me desagrada, tenho vontade de vituperar: ora, vírgulas! Não quero dizer com isso que o problema seja sempre falta de virgulas; pode ser o contrário, pode ser um ponto-e-vírgula que deveria aparecer e não apareceu. Semana passada, estava lendo um livrinho do Paulo Francis, o ótimo Francis, e não parava de gritar 'ora, vírgulas!; ora, vírgulas!' enquanto socava a cama. Meu pai viu e perguntou: 'mas, filho, ele não ficou direitista antes de morrer?' O efeito terapêutico, porém, é altamente recomendável: algo como o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Serenity Now! &lt;/span&gt;do pai do George no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Seinfeld&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que nunca li romances do Jorge Amado (comecei uns três e desisti), mas já dirigi uns brados a textos dele, que Deus o tenha. Tenho um exemplo à mão: 'Ainda não consigo determinar as razões por que a obra de Campos de Carvalho não prosseguiu em sua carreira internacional. São coisas que acontecem, mais que inexplicáveis, infelizes.' Essa acumulação apressada de informações é algo de que todos nós, quando crianças, já fomos vítimas. Penso logo num pequerrucho fazendo um montinho de sujeira e jogando-o pra debaixo do tapete, displicente e bonachão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa pontuação, para não falar em estilo, é a cortesia do prosador. É como se ele fosse espalhando rampas e escadinhas pelo caminho pra evitar estacadas desagradáveis. Deviam enfiar essa analogia em algum livrinho de produção de textos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-3275138402654415654?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/3275138402654415654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/05/ora-virgulas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/3275138402654415654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/3275138402654415654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/05/ora-virgulas.html' title='Ora, Vírgulas!'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-4996676553295707592</id><published>2008-05-01T18:56:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.201-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>Uma Testemunha Tardia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Façam-me o favor de ler essa crônica do Ruy Vasconcelos sobre o atendimento nos bares de Fortaleza: &lt;a href="http://afetivagem.blogspot.com/2008/04/cultivados-gros-de-um-calculado-sadismo.html"&gt;Cultivados grãos de um sadismo datado&lt;/a&gt;. Não precisa agradecer. O texto tem significado especial pra mim porque o péssimo serviço dos garçons fortalezenses sempre me pareceu um grande mistério. Como o próprio Ruy lembra, nós fortalezenses somos tidos como simpáticos e hospitaleiros. Mais intrigante ainda: os vários garçons cearenses que encontro em São Paulo são excelentes, exemplos de simpatia e hospitalidade. O que poderia ter ocorrido? Só fui descobrir agora porque era novo demais pra frequentar bares no começo da década de 90, mas bem que devia ter desconfiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem mesmo fui a um dos bares-restaurante mais reputados de Fortaleza, desses que aparecem nas listinhas da revista Veja. Um garçom passou apressado e derrubou minha cerveja quase inteira. Trocou a toalha e, para o meu espanto, nada de trazer uma cerveja nova. Chamei o chefe (aquele mais arrumadinho) e perguntei por que não traziam outra. Resposta: eu devia ter falado com ele antes. Em bares fortalezenses, você está sempre errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por muito tempo procurei palavras para descrever a postura desses luminares do atendimento. Ruy acerta na mosca: agem com 'desfaçatez e calculado cinismo'. Quando chamados, fingem que não ouvem e apressam o passo; há um apelo urgente vindo da cozinha ou de um cliente perdido no horizonte. Se um casal pede comida do restaurante, um dos dois tem de ser servido primeiro; passado tempo suficiente para que ele dê cabo ao lanche, chega o pedido do outro. A bebida, para a decepção geral dos sádicos, não é mais servida quente graças aos avanços galopantes da engenharia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já escrevi três parágrafos e ainda não dei um jeito de meter os EUA no meio! Faço-o agora: o atendimento lá é sempre bom porque os garçons trabalham com gorjeta (Ruy fala em boas gorjetas no Estoril; se não se tratar de truque retórico confesso-me desiludido). Alguém pode lembrar que temos os famosos 10%, mas no Brasil não se trabalha pelo que não se pode perder.  Em São Paulo a gorjeta não é incomum, embora ainda se confunda um pouco com uma espécie de suborno amigável. O cliente suborna o garçom (especialmente se tiverem algo de grande relevância em comum, como o estado de origem ou o time do coração) e o garçom retribui com presteza e eventuais &lt;span style="font-style: italic;"&gt;chopps&lt;/span&gt; gratuitos. Aqui não há diálogo; o garçom está sempre preocupado com espectros que lhe sugam a presença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade aparente é que o bom garçom está sempre querendo deixar de ser garçom (no caso dos EUA) ou pelo menos ficar menos pobre. É o bom e velho Capital operando suas maravilhas. Não vejo por que isso deve ser incompatível com relações mais cordiais na mesa do bar. É bem verdade que o fortalezense continua maciçamente esquerdista, mas a morbidez, pelo que pude perceber, já é coisa do passado.  Precisamos importar garçons cearenses.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-4996676553295707592?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/4996676553295707592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/05/uma-testemunha-tardia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/4996676553295707592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/4996676553295707592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/05/uma-testemunha-tardia.html' title='Uma Testemunha Tardia'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-1566888010650210511</id><published>2008-04-21T21:28:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.233-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>A Valediction: Forbidding Mourning</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SA1qitkIKoI/AAAAAAAAAYg/_2sV7-PoEFs/s1600-h/Donne-shroud.png"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SA1qitkIKoI/AAAAAAAAAYg/_2sV7-PoEFs/s320/Donne-shroud.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5191923090007272066" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;AS virtuous men pass mildly away,&lt;br /&gt;And whisper to their souls to go,&lt;br /&gt;Whilst some of their sad friends do say,&lt;br /&gt;"Now his breath goes," and some say, "No."                  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;So let us melt, and make no noise,                                   &lt;br /&gt;No tear-floods, nor sigh-tempests move;&lt;br /&gt;'Twere profanation of our joys&lt;br /&gt;To tell the laity our love.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moving of th' earth brings harms and fears;&lt;br /&gt;Men reckon what it did, and meant;                           &lt;br /&gt;But trepidation of the spheres,&lt;br /&gt;Though greater far, is innocent.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dull sublunary lovers' love&lt;br /&gt;—Whose soul is sense—cannot admit&lt;br /&gt;Of absence, 'cause it doth remove                                  &lt;br /&gt;The thing which elemented it.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;But we by a love so much refined,&lt;br /&gt;That ourselves know not what it is,&lt;br /&gt;Inter-assurèd of the mind,&lt;br /&gt;Care less, eyes, lips and hands to miss.                        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Our two souls therefore, which are one,&lt;br /&gt;Though I must go, endure not yet&lt;br /&gt;A breach, but an expansion,&lt;br /&gt;Like gold to aery thinness beat.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;If they be two, they are two so                                       &lt;br /&gt;As stiff twin compasses are two;&lt;br /&gt;Thy soul, the fix'd foot, makes no show&lt;br /&gt;To move, but doth, if th' other do.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And though it in the centre sit,&lt;br /&gt;Yet, when the other far doth roam,                            &lt;br /&gt;It leans, and hearkens after it,&lt;br /&gt;And grows erect, as that comes home.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Such wilt thou be to me, who must,&lt;br /&gt;Like th' other foot, obliquely run;&lt;br /&gt;Thy firmness makes my circle just,                                &lt;br /&gt;And makes me end where I begun.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;John Donne (1572-1631)&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-1566888010650210511?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/1566888010650210511/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/04/valediction-forbidding-mourning.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/1566888010650210511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/1566888010650210511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/04/valediction-forbidding-mourning.html' title='A Valediction: Forbidding Mourning'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/SA1qitkIKoI/AAAAAAAAAYg/_2sV7-PoEFs/s72-c/Donne-shroud.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-7865953025132049210</id><published>2008-04-17T15:40:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.245-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>Hollywood Way</title><content type='html'>&lt;object height="355" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/47jsWG7rtVU&amp;amp;hl=en"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/47jsWG7rtVU&amp;amp;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" height="355" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vejam o vídeo acima atentamente. Não sei se ainda transmitem comerciais assim tão apologéticos; é de se supor que não. Estive pensando num símile adequado pra descrever a sensação que tenho quando vejo comerciais do tipo. O melhor a que cheguei é esse: é como ver um vídeo do Papai Noel distribuindo presentes quando ainda se acredita em Papai Noel. Não, meu caríssimo e insuportável antitabagista de plantão, não quero dizer com isso que há ingenuidade em ver alguma relação estrutural entre fumo e esportes radicais. (Aliás, se ingenuidade significa subtrair algo de prazeroso de algo visto com condescendência pela maioria, pode até ser, mas vou me ater à acepção tosca da palavra.) Quero dizer que, em ambos os casos, abstrai-se o supérfluo para aferir o óbvio: no primeiro, afere-se que fumar é bom (para os fumantes, claro) apesar de fazer mal à saúde; no segundo, que ganhar presentes é bom apesar de Papai Noel não existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que não pensar em qualquer outra comparação em que o mesmo ocorra? É porque nos casos acima o supérfluo raramente é reconhecido como tal. O fato de Papai Noel não existir incomoda tanto algumas pessoas que a própria idéia do Papai Noel deixa de fazer sentido pra elas. Da mesma maneira muita gente não consegue ver que fumar pode ser prazeroso só porque faz mal à saúde. Mas fazer mal à saúde é supérfluo nesse caso. E daí que faz mal à saúde? Isso significa que o sujeito vai pegar um câncer de pulmão, não que fumar vai deixar de ser bom. As pessoas parecem ter uma dificuldade enorme em entender que o que é importante num contexto pode deixar de sê-lo em outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vai acima pode parecer óbvio (e é mesmo), mas tenho a impressão de que todo não-fumante acha que o fumante não gosta de fumar. Fuma por falta de opção, porque já está viciado, ou porque entrou num clube empenhado em incomodar o resto da humanidade. O testemunho oficial e um tanto quanto patético da maioria dos fumantes ajuda a aumentar a confusão: 'quero largar essa porcaria', com o pressuposto implícito de que não há qualquer motivo racional pra não largar. Possível objeção: isso é doidice minha, é óbvio que os fumantes gostam de fumar. Considerem então a situação que presenciei dia desses:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;X (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;não-fumante&lt;/span&gt;): A piteira é interessante, evita que as mãos fiquem com cheiro de cigarro.&lt;br /&gt;Y (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;fumante, tentando ironizar&lt;/span&gt;): Então pra mim ela é desnecessária, gosto do cheiro de cigarro.&lt;br /&gt;X (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;incrédulo&lt;/span&gt;): Você gosta do cheiro de cigarro!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mais ou menos como perguntar a alguém que gosta de café: 'Você gosta do cheiro de café!?' O que poderíamos responder além de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;what have you been smoking, son?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma certa inquietude, um certo desconforto no fumante atual: o sujeito fica olhando em redor e pra si mesmo pra ver se fumar é a única besteira que está fazendo. Hoje esses comerciais do Hollywood não fazem mais sentido; é como se tivessem descoberto de repente que o Papai Noel é racista ou pedófilo. O próprio fumante sente certa culpa ao assisti-lo; afinal, não passa de uma idéia engenhosa de alguma alma nojenta que vive de explorar a ingenuidade alheia. Voltamos a ser criancinhas, mas sem a parte boa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-7865953025132049210?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/7865953025132049210/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/04/hollywood-way.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/7865953025132049210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/7865953025132049210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/04/hollywood-way.html' title='Hollywood Way'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-3638592822561338025</id><published>2008-04-12T19:25:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.258-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>Potência Desperdiçada</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;Primeiro reparo. É bobagem afirmar que a vida começa com a concepção. Tanto o óvulo como o espermatozóide já eram vivos antes de se unirem. O que dá para dizer é que a fusão dos gametas marca a criação da identidade genética única do que poderá tornar-se um ser humano, se as condições ambientais ajudarem. Temos, portanto, um ser humano em potência, para utilizar a distinção aristotélica, autor tão caro à igreja. E não faz muito sentido embaralhar potencialidades com atualidades; afinal, no longo prazo somos todos cadáveres.&lt;/blockquote&gt;O trecho acima, caso ainda não tenham reconhecido tão peculiar desenvoltura, é do Hélio Schwartsman, colunista da Folha (havendo estômago para tanto, leia a íntegra do artigo &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u379018.shtml"&gt;aqui&lt;/a&gt;). Façamos então um primeiro reparo ao reparo de Schwartsman: ninguém afirma que a vida começa com a concepção; afirma-se que a vida &lt;span style="font-style: italic;"&gt;humana&lt;/span&gt; começa com a concepção humana. Particulamente não conheço muitos pesquisadores &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pro-life&lt;/span&gt; (obviamente, não conheço nem se conhece ninguém em lugar nenhum) que neguem que espermatozóide e ameba tenham vida também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais curioso é que Schwartsman reconhece a diferença essencial entre gametas isolados e óvulo fecundado: este último pode vir a se tornar um ser humano tal como os encontramos nas ruas. Mas que importância tem essa potência se seremos todos cadáveres um dia? Seguindo a mesmíssima lógica, que importância tem qualquer coisa se seremos todos cadáveres um dia? Imagino que o problema aqui seja, como quase sempre ocorre, de falta de imaginação: se o óvulo fecundado tivesse a aparência de um bonequinho microscópico o problema desapareceria. Toda a questão acaba se resumindo à percepção sensorial, o último e único refúgio dos materialistas: o porco sente dor, não se pode matá-lo; o feto, até certo ponto, não sente, então pode-se matá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chesterton era conhecido como príncipe dos paradoxos não por escrever paradoxalmente, mas por perceber paradoxos na argumentação dos outros. Um paradoxo que não lhe poderia escapar é esse: os que defendem o aborto e a pesquisa irrestrita com células-tronco são, em geral, os mesmos que acreditam numa origem 'evolutiva' da vida (aquela que surge com a combinação de alguns elementos químicos e uma sorte danada). A argumentação avança da seguinte maneira: existe uma probabilidade minúscula de que a vida tenha surgido assim, então devemos abracá-la como hipótese mais plausível e reconhecer que tudo o que temos hoje, matemática, cinema e carros elétricos é graças a ela. Já a probabilidade bem maior de que o embrião venha a se tornar um ser humano deve ser desprezada porque, ora vejam, existe uma probabilidade também grande de que ele venha a ser descartado ou perdido. Está-se a desperdiçar diariamente mecanismos bem mais viáveis que a, segundo eles mesmos, origem da vida! Samuel Johnson, numa frase que hoje já deve ser citada até em gibi da turma da Mônica, dizia que o patriotismo é o último refúgio dos patifes. Hoje o último refúgio dos patifes é a probabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra testar esse meu novíssimo aforismo, basta perguntar a alguém que acredita na origem espontânea da vida se ele acredita na improvável possibilidade de a força gravitacional falhar amanhã. Não vai acreditar, e não vai acreditar porque a probabilidade é minúscula. Se me pedem pra provar que a soma dos ângulos internos de um triângulo é 180 graus, faço um desenho e demonstro; se me pedem pra provar que a gravidade deve funcionar amanhã, o melhor que posso fazer é rezar (Newton rezaria).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam como a probabilidade é sempre usada de maneira conveniente: a pesquisa com células-tronco embrionárias deve ser propugnada e até financiada pelo estado porque existe uma probabilidade minúscula de os cientistas conseguirem controlar seu desenvolvimento. Maureen L. Condic, professora de neurobiologia e anatomia na Universidade de Utah (leia o artigo dela na First Things &lt;a href="http://www.firstthings.com/article.php3?id_article=1959&amp;amp;var_recherche=embryonic+cells"&gt;aqui&lt;/a&gt;) chega a concluir que as dificuldades (científicas) são tamanhas que o mais sensato seria continuar a pesquisa com células-tronco adultas. A vantagem das células-tronco adultas é que, além de não levantarem questões éticas espinhosas, têm dado resultados mais palpáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta que comumente se dá a tanta sensatez é que ainda não há bons resultados com células-tronco embrionárias precisamente porque não se pesquisou o suficiente. É assim que se troca, mui graciosamente, a certeza de um problema ético pela possibilidade de um avanço científico. O sujeito que pensa assim tem tanta fé em ciência quanto o fundamentalista religioso tem fé em sua religião. Paradoxalmente, o fanático cientificista deplora o fanatismo religioso. Paradoxalmente, os príncipes do paradoxo somos nós.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-3638592822561338025?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/3638592822561338025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/04/potencia-desperdicada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/3638592822561338025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/3638592822561338025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/04/potencia-desperdicada.html' title='Potência Desperdiçada'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-1499699727767554469</id><published>2008-04-07T15:25:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.272-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religião'/><title type='text'>Dick Dawkins</title><content type='html'>&lt;object height="355" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/eaGgpGLxLQw&amp;amp;hl=en"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/eaGgpGLxLQw&amp;amp;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" height="355" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;Via &lt;a href="http://marciohack.stumbleupon.com/"&gt;marciohack&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-1499699727767554469?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/1499699727767554469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/04/dick-dawkins.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/1499699727767554469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/1499699727767554469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/04/dick-dawkins.html' title='Dick Dawkins'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-4515501690180961465</id><published>2008-04-03T18:08:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.301-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Com Humor</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estava lendo um artigo sobre aborto e o sujeito mencionou o filme &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Juno&lt;/span&gt; por algum motivo. Resolvi ver. O filme é engraçadinho, e ainda não sei se isso é bom ou ruim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que nunca conheci uma menina que tenha ficado grávida aos 16 anos; provavelmente não conheço ninguém que conheça. Convivi por um ano com adolescentes americanos de 17, 18 anos mas era um grupo bem restrito. No filme, o que mais me espantou foi a reação da Juno ao descobrir que estava grávida. Ligou pra uma amiga e a amiga já foi perguntando se queria que ela ligasse pra clínica de aborto. Tudo mais ou menos natural e automático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvi ver o filme porque ouvi dizer que Juno desistia do aborto quando lhe diziam que um feto de 2/3 meses já deve ter unhas. Imaginei logo algum tipo de crise de consciência, uma exegesezinha moral ainda que em nível infanto-juvenil (parece que a roteirista ganhou o Oscar -- estaria eu exigindo muita coisa?). Haja burrice! É claro que não se sabe ao certo por que Juno desistiu da idéia (o filme não está interessado nisso), mas ela explica a decisão pra amiga lembrando que a clínica cheira a consultório odontológico e que a recepcionista é pervertida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso estar errado, mas esse é mais um daqueles filmes cuja mensagem principal se reduz a 'sejamos doidinhos e divertidos, mas com limites'. A idéia é que, por mais irresponsável que a pessoa seja, tudo vai dar certo no final se ela for do 'bem', tiver boas intenções etc. Juno é bem simpática, tem umas tiradas engraçadas; está claro que ela é do bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema com esse tipo de raciocínio é que, quanto mais ele avança, mais se perde a capacidade de definir critérios para o que é certo e errado, bom e ruim etc (ou, o que é pior, os critérios passam a ser de uma puerilidade assustadora, podendo ser substituídos sem muita cerimônia). Isso é visível no filme inteiro: o pai adotivo que Juno arranja pro seu filho é legal porque toca guitarra, gosta de filmes de terror e é simpático. A mãe adotiva, que é quem está realmente interessada na adoção e lê a torto e a direito sobre &lt;span style="font-style: italic;"&gt;parenting&lt;/span&gt;, aparece como um incômodo, uma esquisitona. Num momento emblemático do filme, em que Juno vai visitar o Mark, o pai adotivo, esse último declara aliviado: 'we're free', isto é, Vanessa, a mulher dele, não se encontra em casa. Já consigo perceber os olhares acusatórios: é exagero, paranóia, teoria da conspiração; Mark só quis dizer que estavam livres pra conversar bobagens. Pode até ser. Mas o restante do filme me permite essa extrapolação de picuinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A essa altura é natural perguntar: onde estão os pais de Juno, o que eles acham disso tudo? Juno fica ansiosa antes de contar tudo a eles; chega a implorar clemência! Não sei se isso foi a sério ou apenas uma genuflexão aos tempos em que esse medo todo realmente faria sentido. Depois de poucos segundos e alguns suspiros o pai de Juno já fazia piada com o pai do pequeno indesejado ('não imaginava que ele seria capaz...'). É isso aí: com humor a gente se ajeita.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-4515501690180961465?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/4515501690180961465/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/04/com-humor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/4515501690180961465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/4515501690180961465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/04/com-humor.html' title='Com Humor'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-8095677491353749007</id><published>2008-03-26T10:48:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.317-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><title type='text'>Em Má Companhia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A autoridade, ou a falta dela, é um dos atalhos mentais mais úteis que conheço. É claro que ninguém deve defender a pena de morte apenas porque Tomás de Aquino a defendia ou porque Mano Brown a repudia, mas ambas as constatações, ainda que isoladas, deveriam nos fazer desconfiar que há algo de interessante nela. Tudo bem que desconfiança apenas não é suficiente pra mudar de idéia, mas não deixa de ser necessária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam a situação do rock: eu mesmo gosto de muito rock antigo, mas depois que você vai a um show e se vê cercado de trogloditas imundos e vestidos de preto não há como não concluir que há algo de errado com o rock. Seria muito implausível supor que esse séquito bizarro é obra do acaso, que não há nada na essência do rock que nos leve diretamente a tanta bizarrice. E não adianta pensar 'poxa, por que eles não agem, pensam e se vestem decentemente como eu?'. Você que é a exceção. Você está errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei com vontade de ler o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Closing of the American Mind&lt;/span&gt;, do Allan Bloom, por causa de seus comentários sobre o rock, apesar de eles ocuparem poucas páginas do livro. Mais uma vez parti do princípio da autoridade: se tanto rockeiro chiou é porque ele devia estar certo. Lido o livro, concluo que estava mesmo. Adianto desde já que sou analfabeto em teoria musical (ao que tudo indica Bloom também era) e que isso é irrelevante nas críticas que seguem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falei críticas mas na realidade são todas facetas de uma mesma: o rock como gratificação imediata. O rockeiro está tão acostumado à satisfação imediata do ímpeto musical que geralmente se perde ou tem preguiça de acompanhar 'peças' com mais de 10 minutos. Se o clímax demora a chegar, perguntam logo: 'a música não vai começar?'. Já falei aqui do sujeito que gritou 'Toca Raul!' no show do Jethro Tull enquanto eles executavam uma versão mais longa e 'clássica' (com violinos) de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aqualung&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bloom observa que nunca antes a música esteve tão presente na vida do jovem; não é incomum ouvirmos declarações do tipo 'música é a minha vida etc.' E no entando essa música a que eles se referem é bem restrita, para não dizer rock/blues/jazz apenas. Isso fica fácil de verificar, pelo menos pra mim, quando vejo que conheço mais música clássica (e conheço pouca) do que alguns colegas que conhecem rudimentos de teoria musical e que sabem tocar até mais de um instrumento. A noção corrente é a de que música realmente boa é imediatamente reconhecível como tal; qualquer esforço envolvido significa falha na música, não nossa. Bloom reparou que geralmente era ele quem apresentava Mozart aos seus estudantes fascinados por música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual a relação, então, entre o rock e seus seguidores sinistros? Platão dizia que a música anima os impulsos mais bárbaros no ser humano; sendo assim, parece natural que a música seja tão mais 'bárbara' quanto menos tentar disciplinar esses impulsos. Já o rock pode ser definido como a ausência mesma de qualquer disciplina: uivos e grunhidos são aceitáveis caso se coadunem com o ritmo. O costume não é musicar a letra, é letrificar, de maneira inteligível ou não, a música:&lt;blockquote&gt;Rock music provides premature ecstasy and, in this respect, is like the drugs with which it is allied. It artificially induces the exaltation naturally attached to the completion of the greatest endeavors -- victory in a just war, consummated love, artistic creation, religious devotion and discovery of the truth. Without effort, without talent, without virtue, without exercise of the faculties, anyone and everyone is accorded the equal right to the enjoyment of their fruits.&lt;/blockquote&gt;Rockeiros mundo afora: estamos em má companhia. E isso pode significar mais do que parece.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-8095677491353749007?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/8095677491353749007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/03/em-ma-companhia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/8095677491353749007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/8095677491353749007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/03/em-ma-companhia.html' title='Em Má Companhia'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-5099834853839292199</id><published>2008-03-18T08:35:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.286-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Física'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><title type='text'>Resposta Cristã (2): O Caso Galileu</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/R-AJhiThsTI/AAAAAAAAAYY/VMhbjmIhsSw/s1600-h/galileo.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/R-AJhiThsTI/AAAAAAAAAYY/VMhbjmIhsSw/s320/galileo.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5179150043225108786" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Quando pedimos exemplos da 'histórica' oposição entre Igreja e ciência, é comum ouvirmos dois nomes: Giordano Bruno (1548-1600) e Galileu Galilei (1564-1642). Ainda que tivéssemos aí dois exemplos legítimos, já seria difícil explicar como uma oposição que se verifica apenas duas vezes pode ser histórica. Com o primeiro não será necessário perder muito tempo: Bruno foi condenado por questões teológicas (uma delas é que Bruno negava a divindade de Jesus Cristo), e não por defender o sistema heliocêntrico. Ainda que se conclua que sua condenação foi injusta, ela nada teve que ver com ciência. Já Galileu foi condenado a prisão domiciliar por um período e morreu com quase 78 anos, de causa naturais. Em que consistiu a 'perseguição' cristã nesse caso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto Dinesh D'Souza, no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;What's So Great About Christianity&lt;/span&gt;, quanto o Thomas E. Woods, no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;How the Cacholic Church Built Western Civilization&lt;/span&gt;, discutem detalhadamente a questão. Ao contrário do que todos imaginam, o trabalho de Galileu foi recebido com entusiasmo e admiração por autoridades da Igreja. De fato, astrônomos jesuítas  confirmaram, via telescópio, as descobertas de Galileu. Após visitar Roma, onde foi recebido pelo papa Paulo V em pessoa, escreveu a um amigo: "I have been received and shown favor by many illustrious cardinals, prelates, and princes of this city." Quando em 1612 Galileu defendeu pela primeira vez, por escrito, o sistema de Copérnico, recebeu cartas de congratulação do cardeal Maffeo Barberini, futuro papa Urbano VIII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre que as evidências então disponíveis, apesar de apontarem para o sistema de Copérnico como melhor hipótese (melhor nesse caso significa mais simples, mais elegante), não permitiam uma conclusão definitiva. A Igreja não se opôs à exposição das novas idéias contanto que fossem apresentadas como o que realmente eram: hipóteses plausíveis, não fato consumado.  Galileu não só acreditava que o sistema heliocêntrico tal como apresentado por ele era literalmente verdadeiro como fez questão de expô-lo nesses termos. Nesse processo acabou cometendo erros hoje considerados risíveis, como explicar o fenômeno das marés pelo movimento da Terra (quando em realidade é a Lua a responsável). Galileu tampouco conseguia responder à objeção geocêntrica segundo a qual, caso a Terra se movesse ao redor do sol, a paralaxe ficaria evidente em nossas observações das estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo o caso parece ficar reduzido a uma afobação intelectual por parte de Galileu. É como se Einstein declarasse que a velocidade da luz é sempre a mesma e constante e ponto final, e negasse que na realidade trata-se de uma hipótese necessária pra Teoria da Relatividade. Aliás, a Teoria da Relatividade conforma-se aos fatos assim como o sistema de Copérnico o faz, com a diferença de que nem sequer há uma teoria rival que se lhe aproxime em testabilidade empírica (o heliocentrismo, por outro lado, tinha o geocentrismo como oponente, que, apesar de menos prático, explicava através de combinações de epiciclos cada vez mais complicadas os movimentos dos astros). Ainda assim, qualquer professorzinho de ensino médio sabe que não se pode conferir caráter factual à hipótese da velocidade da luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quanto à alegação de que o heliocentrismo contradiz trechos bíblicos? Cardeal e um dos trinta e três doutores da Igreja, Roberto Bellarmino (1542-1621) declarou na época:&lt;blockquote&gt;If there were a real proof that the sun is in the center of the universe, that the earth is in the third heaven, and that the sun does not go around the earth but the earth round the sun, then we should have to proceed with great circumspection in explaining passages of Scripture which appear to teach the contrary, and rather admit that we did not understand them than declare an opinion to be false which is proved to be true. But as for myself, I shall not believe that there are such proofs until they are shown to me.&lt;/blockquote&gt;Eis que, curiosamente, o exemplo de conduta cientificamente idônea vem de um cardeal e não de Galileu. Tomás de Aquino já advertira alguns séculos antes que caso fique provado que uma interpretação bíblica contradiz a natureza, o erro está, obviamente, na interpretação. A verdade da Escritura é inviolável, mas não se pode dizer o mesmo das interpretações que dela aferimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1624, mesmo após desobedecer a recomendação da Igreja de tratar o heliocentrismo apenas como hipótese, Galileu foi novamente recebido em Roma, dessa vez pelo próprio Urbano VIII, de quem recebeu duas medalhas por mérito científico. "Urban VIII told the astronomer that the Church had never declared Copernicanism to be heretical, and that the Church would never do so." Galileu insistiu no mesmo erro em 1632, quando publicou um diálogo ridicularizando o geocentrismo (que era apoiado, até sua morte em 1601, pelo ainda célebre astrônomo Tycho Brahe). Só então a Igreja o proibiu de escrever sobre heliocentrismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A versão corrente segundo a qual Galileu teria sido torturado após enfrentar, sem sucesso, a intransigência ignara de autoridades eclesiásticas não passa de uma piada de mau gosto, como se vê. Os inimigos da Igreja parecem estar sempre incomodados com tanto 'revisionismo'. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Alas&lt;/span&gt;, o revisionismo só se faz necessário quando antes dele houve muito distorcionismo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-5099834853839292199?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/5099834853839292199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/03/resposta-crista-2-o-caso-galileu.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5099834853839292199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5099834853839292199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/03/resposta-crista-2-o-caso-galileu.html' title='Resposta Cristã (2): O Caso Galileu'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/R-AJhiThsTI/AAAAAAAAAYY/VMhbjmIhsSw/s72-c/galileo.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-4761060460092770115</id><published>2008-03-17T12:35:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:27.572-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religião'/><title type='text'>Resposta Cristã (1)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/R97x0SThsSI/AAAAAAAAAYQ/DR-fcBkm4TI/s1600-h/dsou190.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/R97x0SThsSI/AAAAAAAAAYQ/DR-fcBkm4TI/s320/dsou190.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5178842502091878690" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O lado positivo, se é que pode ser considerado assim, da onda de livros ateístas publicados recentemente é a resposta cristã a ela associada. Felizmente nem todo cristão é um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;liberal christian&lt;/span&gt;; há aqueles que ainda se dignam a defender a ortodoxia. Dinesh D'Souza (1961-), um indiano naturalizado americano, destaca-se entre eles por falar bem (Daniel Dennett foi pisoteado no debate na Tufts College, onde ensina; cheguei a ficar com pena do velhinho. Vejam no Youtube.) e por responder aos 'novos ateus' valendo-se apenas da lógica e de evidências científicas. Christopher Hitchens, apesar de ser mais articulado que o Dennett, também apanhou feio (ver &lt;a href="http://216.75.61.152/xstream/neproductions/tkc/debate.wmv"&gt;aqui&lt;/a&gt;). Richard Dawkins, talvez na que tenha sido a decisão mais prudente de sua vida, não aceitou debater com Paul Johnson; é razoável que também não aceite possíveis convites do D'Souza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que impressiona em D'Souza é sua capacidade de vencer os dois 'lados' dos debates: o lado propriamente intelectual, em que se analisa a lógica dos argumentos, a precisão dos dados etc., e o lado 'popular', em que se analisa somente a impressão deixada sobre o público. A verdade é que ele já parte em desvantagem dupla: não só o público é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a priori&lt;/span&gt; hostil ao argumento religioso como, provavelmente uma variante do mesmo problema, está despreparado para recebê-lo, mesmo quando não há hostilidade de fato. É preciso lançar mão de analogias, paralelos engraçadinhos e coisas do tipo pra compensar a falta de imaginação metafísica dos ouvintes. Por exemplo, quando D'Souza repete o argumento da contingência para a existência de Deus (algo que leitores de Aristóteles, Tomás de Aquino e Leibniz recebem com naturalidade) e surge a clássica pergunta 'mas quem criou Deus?', é preciso ilustrar a situação com algo mais 'palpável': a criação literária. Dostoievski, argumenta D'Souza, está num plano existencial distinto do de seus personagens; as regras que valem pra esses últimos não valem pra ele e por aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está claro que desse processo acabam surgindo generalizações um tanto apressadas ou simplificações indevidas, mas nada que se distancie da caricaturização inevitável em qualquer debate. O mesmo não se pode dizer de Dennett, que diz ser a religião culpada pelas atrocidades stalinistas porque, ora vejam, Stalin considerava-se a si mesmo um 'deus' (concluo daí que se ele se considerasse um grande industrial a culpa passaria a ser do capitalismo). Apesar de nem todos os novos ateus se expressarem com estupidez tão desabrida, é essa em essência a resposta que dão às observações sobre o comunismo. O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;What's So Great About Christianity&lt;/span&gt;, último livro do D'Souza, serve como espécie de compilação das respostas que tem dado a Hitchens, Dawkins, Dennett, Harris &amp;amp; cia. Gostaria de recordar aqui uma em particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela diz respeito ao argumento ontológico a favor da existência de Deus, sugerido pela primeira vez por Anselmo de Cantuária (1033-1109), escolástico italiano. Partindo da definição de que Deus é 'aquilo que não pode concebivelmente ser superado' e admitindo que a existência de fato é superior à existência apenas no mundo das idéias, Santo Anselmo declarou que a existência de Deus segue de sua própria definição. Ora, se Deus não existisse, 'aquilo que não pode concebivelmente ser superado' seria apenas uma idéia, e assim seria possível conceber algo superior: a idéia concretizada. A definição fica contradita; por absurdo, fica provado que Deus deve forçosamente existir. A questão aqui não consiste em aceitar ou não o argumento de Santo Anselmo (ele já recebeu boas críticas), mas sim observar a que nível de delinquência interpretativa chegou Christopher Hitchens ao tentar refutá-lo. 'Se perguntássemos a uma criança num livro de contos de fadas por que ela acredita em dragões', declara Hitchens, 'ela responderia que pode imaginar dragões, de onde segue que eles devem existir'. Mas Anselmo não provou que qualquer coisa imaginável existe, bolas! Ele provou que 'aquilo que não pode concebivelmente ser superado', e não qualquer outra coisa, existe necessariamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No exemplo acima fica clara a hipocrisia dos que, partindo de uma proposta racionalista, pretendem contestar a razoabilidade da religião. Se Hitchens, Dawkins e Dennett dizem utilizar apenas a razão, e ainda não a desenvolveram a ponto de conseguir diferençar Stalin de Deus ou de entender uma premissa lógica simples, o que lhes resta? Se não a tivessem rechaçado tão pomposamente, restaria a graça divina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos próximos posts falo sobre o caso Galileu, o antagonismo entre ciência e religião e outros absurdos correlatos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-4761060460092770115?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/4761060460092770115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/03/resposta-crista-1.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/4761060460092770115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/4761060460092770115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/03/resposta-crista-1.html' title='Resposta Cristã (1)'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/R97x0SThsSI/AAAAAAAAAYQ/DR-fcBkm4TI/s72-c/dsou190.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-5688958943778766565</id><published>2008-03-11T11:47:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.327-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>Há o Almoço</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Espanta-me a frequência com que tento imaginar o gosto da comida dos livros que leio. Pouco importa o nível de sofisticação: lembro ter fantasiado com o café da manhã dos retirantes de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Grapes of Wrath&lt;/span&gt; (café amargo em caneca surrada de alumínio, pão recém-cozido com manteiga etc.; as frutas da California me parecem deliciosas até hoje, apesar de eu não gostar muito de frutas) tanto quanto com os jantares suntuosos de Jacinto (lagosta, vinho caro, peixe da Dalmácia etc.) em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Cidade e as Serras&lt;/span&gt;. Realmente são muitas as referências a comida nesse último livro; em algum momento o narrador diz ser a vontade de almoçar a mais longeva das paixões. E é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos se lembram de como Bentinho jantou bem logo após receber notícia da morte do 'filho'. Come-se bem em velórios nos EUA; fui a um e a comida estava ótima. Em rituais expiatórios, quando a situação não é crítica e não há necessidade de sacrificar a mais bela virgem ou algo do tipo, oferece-se comida aos deuses. Parece que nem eles deixam de se animar com a perspectiva do almoço. Falando nisso, o mortal pagão podia conseguir a imortalidade comendo ambrosia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É curioso, então, que algo tão simples quanto comer carne seja encarado com desconfiança justamente numa época que se quer tão liberal. Parece que comer carne vermelha, mal passada e com aquela velha gordurinha, é aviltante para o corpo humano, mas ser sodomizado nem tanto. Algo que foi observado por todos os críticos da onda vegetariana é que, à medida que se procura alçar o animal ao nível moral do homem, resiste-se toscamente à tentação de rebaixar o homem ao nível atual do animal. É como no princípio dos vasos comunicantes, quando não há mais diferença de pressão entre os ramos: o nível mais alto desde e o mais baixo sobe para um nível intermediário. Eis aí uma conclusão insofismável: o fim do churrasco é sintoma de decadência moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais que um preconceito contra o consumo de carne, o vegetariano radical (desconheço a nomenclatura, façam-me o favor) parece se opor ao ato mesmo de comer. Quando o fazem -- até porque, ainda que não pareça, também sentem fome -- ficam encolhidos, como que dizendo "desculpem, é necessário, mas vejam que estou fazendo direitinho". Todos eles se opõem a redes como McDonald's e Burger King &lt;span style="font-style: italic;"&gt;with a vengeance&lt;/span&gt; porque, além de serem nojentas, entronizam bem o espírito capitalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um colega que acaba de retornar do interior de Nevada se diz assustado com a obesidade mórbida de muita gente de lá. Alguns são tão gordos que se deslocam em carrinhos motorizados, providos, é claro, de um espaço no painel para a bandeja do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;self-service&lt;/span&gt;. O fato de eles existirem não me assusta, já que a gula é tão velha quanto o homem; assusta o fato de eu já ter motivos para admirar-lhes a coragem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-5688958943778766565?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/5688958943778766565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/03/ha-o-almoco.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5688958943778766565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5688958943778766565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/03/ha-o-almoco.html' title='Há o Almoço'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-8101770559822346590</id><published>2008-03-09T11:05:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.006-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Exercício de Tradução (2)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já ia esquecendo que tinha feito um primeiro. Foi há mais de dois anos (ler &lt;a href="http://mtparnaso.blogspot.com/2006/02/exerccio-de-traduo-1.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;). Minha idéia, então, era a de escolher um trecho simples que pudesse apresentar dificuldades ao tradutor; dessa vez, a ênfase é no vocabulário. Além disso, inverto o sentido, que agora é do português para o inglês. Trata-se de uma das muitas passagens descritivas do excelente &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Cidade e as Serras&lt;/span&gt;, do Eça. Vejam o original:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Com que brilho e inspiração copiosa a compusera o divino Artista que faz as serras, e que tanto as cuidou, e tão ricamente as dotou, neste seu Portugal bem-amado! A grande zaigualava a graça. Para os vales, poderosamente cavados, desciam bandos de arvoredos, tão copados e redondos, dum verde tão moço, que eram como um musgo macio onde apatecia cair e rolar. Dos pendores, sobranceiros ao carreiro fragoso, largas ramarias estendiam o seu toldo amável, a que o esvoaçar leve dos pássaros sacudia a fragrância. Através dos muros seculares, que sustêm as terras liados pelas heras, rompiam grossas raízes coleantes a que mais hera se enroscava. Em todo o torrão, de cada fenda, brotavam flores silvestres. Brancas rochas, pelas encostas, alastravam a sólida nudez do seu ventre polido pelo vento e pelo sol; outras, vestidas de líquen e de silvados floridos, avançavam como proas de galeras enfeitadas; e, de entre as que se apinhavam nos cimos, algum casebre que para lá galgara, todo amachucado e torto, espreitava pelos postigos negros, sob as desgrenhadas farripas de verdura, que o vento lhe semeara nas telhas. Por toda a parte a água sussurrante, a água fecundante... Espertos regatinhos fugiam, rindo com os seixos, de entre as patas da égua e do burro; grossos ribeiros açodados saltavam com fragor de pedra em pedra; fios direitos e luzidios como cordas de prata vibravam e faiscavam das alturas aos barrancos; e muita fonte, posta à beira das veredas, jorrava por uma bica, beneficamente, à espera dos homens e dos gados... Todo um cabeço por vezes era uma seara, onde um vasto carvalho ancestral, solitário, dominava como seu senhor e seu guarda. Em socalcos verdejavam laranjais rescendentes. Caminhos de lajes soltas circundavam fartos prados com carneiros e vacas retouçando: -- ou mais estreiros, entalados em muros, penetravam sob ramadas de parra espessa, numa penumbra de repouso e frescura. Trepávamos então alguma ruazinha de aldeia, dez ou doze casebres, sumidos entre figueiras, onde se esgaçava, fugindo do lar pela telha vã, o fumo branco e cheiroso das pinhas. Nos cerros remotos, por cima da negrura pensativa dos pinheirais, branquejavam ermidas. O ar fino e puro entrava na alma, e na alma espalhava alegria e força. Um esparso tilintar de chocalhos de guizos morria pelas quebradas...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jacinto adiante, na sua égua ruça, murmurava:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;-- Que beleza!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixo a tradução:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;With what brilliance and copious inspiration composed it the divine Artist who also made the hills, and took so much care of them, and so richly adorned them, in this well-beloved Portugal of His! Its grandness equalled its grace. Toward the valleys, imponently deep, descended stands of trees, whose canopies were so big and round, so freshly green, that the stands resembled soft moss where it would be just as well to fall and roll on. From the slopes, disdainful of the rocky trails, wide foliages stretched out its lovely canopies, whose fragrance was shaken up by the light flutter of the birds. Through the secular walls, that sustain the land while girded by the creepers, thick tortuous roots, entangled with more creepers, broke out. In all the tract of land, from each chasm, wild flowers budded. White rocks, by the hillsides, spreaded out the solid nudity of its polished womb through the wind and through the sun; others, dressed up in carrageen moss and blooming silvae, advanced like stems of adorned galleys; and, from between those that heaped up in the summits, some cottage that stood there, all crooked and wasted, peeked through the bleak openings, below the dishevelled, scarce verdure that the wind sowed upon its roof. Everywhere the whispering water, the fertilizing water... Nimble little creeks escaped, laughing with pebbles, from between the paws of the mare and the donkey; thick hasty rivulets leaped with uproar from stone to stone; files straight and glittering like silver ropes tremulated and sparkled from the height of the gorges; and many a fountain, placed alongside the by-paths, sprang forth through a pipe, benevolently, awaiting men and cattle... Often times the whole of a hilltop was harvested, where an ancient, lonely oak tree dominated as if its lord and guardian. On greenish platforms stood the fragrant orange orchards. Pathways of loosened flagstones surrounded full meadows where sheep and cows grazed: -- or, being narrower, crammed in between walls, penetrated below thick grapevine foliages, in shades of repose and freshness. We then climbed some village by-street, ten or twelve hovels, hidden between fig trees, where the white and fragrant smoke from the sweetsops, escaping home through the cracked tile, hovered and vanished. On the remote hillocks, above the thoughtful darkness of the pine trees, appeared little white churches. The pure and fine air penetrated the soul, and upon the soul it mirrored joyfulness and strength. A dispersed jingle of cattle bells died out in the distance... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jacinto ahead, mounted on his grey mare, would murmur:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;-- How grand!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sugestões/correções são bem-vindas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-8101770559822346590?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/8101770559822346590/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/03/exercicio-de-traducao-2.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/8101770559822346590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/8101770559822346590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/03/exercicio-de-traducao-2.html' title='Exercício de Tradução (2)'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-550049484481936688</id><published>2008-02-27T12:14:00.000-08:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.339-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Poesia de Verdade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Falando em poesia de verdade, terminei há pouco de ler o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Collected Poems of W. B. Yeats&lt;/span&gt;, editado pelo Richard J. Finneran. Transcrevo abaixo alguns dos poemas de que gostei mais (e que não são tão longos):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;The Ballad of the Foxhunter&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        'Lay me in a cushioned chair;&lt;br /&gt;        Carry me, ye four,&lt;br /&gt;        With cushions here and cushions there,&lt;br /&gt;        To see the world once more.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        'To stable and to kennel go;&lt;br /&gt;        Bring what is there to bring;&lt;br /&gt;        Lead my Lollard to and fro,&lt;br /&gt;        Or gently in a ring.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        'Put the chair upon the grass:&lt;br /&gt;        Bring Rody and his hounds,&lt;br /&gt;        That I may contented pass&lt;br /&gt;        From these earthly bounds.'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        His eyelids droop, his head falls low,&lt;br /&gt;        His old eyes cloud with dreams;&lt;br /&gt;        The sun upon all things that grow&lt;br /&gt;        Falls in sleepy streams.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Brown Lollard treads upon the lawn,&lt;br /&gt;        And to the armchair goes,&lt;br /&gt;        And now the old man's dreams are gone,&lt;br /&gt;        He smooths the long brown nose.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        And now moves many a pleasant tongue&lt;br /&gt;        Upon his wasted hands,&lt;br /&gt;        For leading aged hounds and young&lt;br /&gt;        The huntsman near him stands.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        'Huntsmam Rody, blow the horn,&lt;br /&gt;        Make the hills reply.'&lt;br /&gt;        The huntsman loosens on the morn&lt;br /&gt;        A gay wandering cry.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Fire is in the old man's eyes,&lt;br /&gt;        His fingers move and sway,&lt;br /&gt;        And when the wandering music dies&lt;br /&gt;        They hear him feebly say,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        'Huntsman Rody, blow the horn,&lt;br /&gt;        Make the hills reply.'&lt;br /&gt;        'I cannot blow upon my horn,&lt;br /&gt;        I can but weep and sigh.'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Servants round his cushioned place&lt;br /&gt;        Are with new sorrow wrung;&lt;br /&gt;        Hounds are gazing on his face,&lt;br /&gt;        Aged hounds and young.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        One blind hound only lies apart&lt;br /&gt;        On the sun-smitten grass;&lt;br /&gt;        He holds deep commune with his heart:&lt;br /&gt;        The moments pass and pass:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        The blind hound with a mournful din&lt;br /&gt;        Lifts slow his wintry head;&lt;br /&gt;        The servants bear the body in;&lt;br /&gt;        The hounds wail for the dead.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;The Wild Swans at Coole&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;THE TREES are in their autumn beauty, &lt;br /&gt;The woodland paths are dry, &lt;br /&gt;Under the October twilight the water &lt;br /&gt;Mirrors a still sky; &lt;br /&gt;Upon the brimming water among the stones       &lt;br /&gt;Are nine and fifty swans. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The nineteenth Autumn has come upon me &lt;br /&gt;Since I first made my count; &lt;br /&gt;I saw, before I had well finished, &lt;br /&gt;All suddenly mount &lt;br /&gt;And scatter wheeling in great broken rings &lt;br /&gt;Upon their clamorous wings. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I have looked upon those brilliant creatures, &lt;br /&gt;And now my heart is sore. &lt;br /&gt;All’s changed since I, hearing at twilight, &lt;br /&gt;The first time on this shore, &lt;br /&gt;The bell-beat of their wings above my head, &lt;br /&gt;Trod with a lighter tread. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Unwearied still, lover by lover, &lt;br /&gt;They paddle in the cold, &lt;br /&gt;Companionable streams or climb the air; &lt;br /&gt;Their hearts have not grown old; &lt;br /&gt;Passion or conquest, wander where they will, &lt;br /&gt;Attend upon them still. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;But now they drift on the still water &lt;br /&gt;Mysterious, beautiful; &lt;br /&gt;Among what rushes will they build, &lt;br /&gt;By what lake’s edge or pool &lt;br /&gt;Delight men’s eyes, when I awake some day &lt;br /&gt;To find they have flown away? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;The Second Coming&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já tinha postado esse &lt;a href="http://mtparnaso.blogspot.com/2006/10/second-coming.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Meditations in Time of Civil War&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VII. I see Phantoms of Hatred and of the Heart's&lt;br /&gt;Fullness and of the Coming Emptiness&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I climb to the tower-top and lean upon broken stone,&lt;br /&gt;A mist that is like blown snow is sweeping over all,&lt;br /&gt;Valley, river, and elms, under the light of a moon&lt;br /&gt;That seems unlike itself, that seems unchangeable,&lt;br /&gt;A glittering sword out of the east. A puff of wind&lt;br /&gt;And those white glimmering fragments of the mist sweep by.&lt;br /&gt;Frenzies bewilder, reveries perturb the mind;&lt;br /&gt;Monstrous familiar images swim to the mind's eye.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Vengeance upon the murderers,' the cry goes up,&lt;br /&gt;'Vengeance for Jacques Molay.' In cloud-pale rags, or in lace,&lt;br /&gt;The rage-driven, rage-tormented, and rage-hungry troop,&lt;br /&gt;Trooper belabouring trooper, biting at arm or at face,&lt;br /&gt;Plunges towards nothing, arms and fingers spreading wide&lt;br /&gt;For the embrace of nothing; and I, my wits astray&lt;br /&gt;Because of all that senseless tumult, all but cried&lt;br /&gt;For vengeance on the murderers of Jacques Molay.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Their legs long, delicate and slender, aquamarine their eyes,&lt;br /&gt;Magical unicorns bear ladies on their backs.&lt;br /&gt;The ladies close their musing eyes. No prophecies,&lt;br /&gt;Remembered out of Babylonian almanacs,&lt;br /&gt;Have closed the ladies' eyes, their minds are but a pool&lt;br /&gt;Where even longing drowns under its own excess;&lt;br /&gt;Nothing but stillness can remain when hearts are full&lt;br /&gt;Of their own sweetness, bodies of their loveliness.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The cloud-pale unicorns, the eyes of aquamarine,&lt;br /&gt;The quivering half-closed eyelids, the rags of cloud or of lace,&lt;br /&gt;Or eyes that rage has brightened, arms it has made lean,&lt;br /&gt;Give place to an indifferent multitude, give place&lt;br /&gt;To brazen hawks.Nor self-delighting reverie,&lt;br /&gt;Nor hate of what's to come, nor pity for what's gone,&lt;br /&gt;Nothing but grip of claw, and the eye's complacency,&lt;br /&gt;The innumerable clanging wings that have put out the moon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I turn away and shut the door, and on the stair&lt;br /&gt;Wonder how many times I could have proved my worth&lt;br /&gt;In something that all others understand or share;&lt;br /&gt;But O! ambitious heart, had such a proof drawn forth&lt;br /&gt;A company of friends, a conscience set at ease,&lt;br /&gt;It had but made us pine the more. The abstract joy,&lt;br /&gt;The half-read wisdom of daemonic images,&lt;br /&gt;Suffice the ageing man as once the growing boy.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-550049484481936688?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/550049484481936688/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/02/poesia-de-verdade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/550049484481936688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/550049484481936688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/02/poesia-de-verdade.html' title='Poesia de Verdade'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-5722801263846760373</id><published>2008-02-16T09:46:00.000-08:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.375-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Memória Vermelha (2)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em entrevista à finada Primeira Leitura, Contardo Calligaris afirmava que seu pai (ou seu avô, não lembro mais) decidiu opor-se aos fascistas em Itália sem para tanto tornar-se comunista, como era o costume, porque os comunistas eram muito 'vulgares', ou algo do tipo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente o estudante de hoje, a não ser que não leia, não tem como justificar um fascínio pelo comunismo que vá alem de seus 18 anos; qualquer livrariazinha de esquina já traz pilhas de biografias descendo o pau em Stalin, Guevara, Mao etc. Mas e no começo do século passado, quando os regimes comunistas ainda não tinham perpetrado seus respectivos genocídios, como é que o cidadão médio, desinteressado em política, fazia pra afastar a idéia nefasta? Por uma sensibilidade estética. O pai do Calligaris que o diga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece meio surpreendente, então, que Graciliano Ramos, tão atento a sutilezas estilísticas, tenha sido um comuna. Tudo bem que jamais chegou a fazer parte do PC, mas isso foi graças ao seu temperamento, não a convicções ideológicas. De fato, no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Memórias do Cárcere&lt;/span&gt; ele chega a dizer coisas como&lt;blockquote&gt;Não me repugnava a idéia de fuzilar um proprietário por ser proprietário. Era razoável que a propriedade me castigasse as intenções.&lt;/blockquote&gt;Essa mania tosca, estilisticamente deplorável, de dar vida a substantivos como 'propriedade' ou 'capital' (parece que estamos lendo um jornalzinho marxista: 'a greve dos trabalhadores foi debelada, assim como queria o Capital') já deveria ser suficiente pra afastar qualquer escritor decente. O problema é que Graciliano, diferentemente do Calligaris-pai, parece ter uma visão binária das coisas: impossível opor-se ao fascismo tupinambá senão através do comunismo tupinambá. Aliar-se aos comunistas, até admirar essa gente, passa a ser visto como obrigação moral, e não como o que realmente é antes de mais nada: um gravíssimo erro de estilo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-5722801263846760373?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/5722801263846760373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/02/memoria-vermelha-2.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5722801263846760373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5722801263846760373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/02/memoria-vermelha-2.html' title='Memória Vermelha (2)'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-1042510272077232349</id><published>2008-02-12T16:10:00.000-08:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.354-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Memória Vermelha (1)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/R7JGysJ_MNI/AAAAAAAAAYI/u75X_j-IkHc/s1600-h/821.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/R7JGysJ_MNI/AAAAAAAAAYI/u75X_j-IkHc/s320/821.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5166269559207833810" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;Não caluniemos o nosso pequenino fascismo tupinambá: se o fizermos, perderemos qualquer vestígio de autoridade e, quando formos verazes, ninguém nos dará crédito. De fato ele não nos impediu escrever. Apenas nos suprimiu o desejo de entregar-nos a esse exercício.&lt;/blockquote&gt;Na edição que tenho em mãos (Record, 2004) do primeiro volume das &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Memórias do Cárcere&lt;/span&gt;, de Graciliano Ramos, há um prefácio bem desagradável, daqueles que muito provavelmente nem o autor do livro consentiria ver publicado, escrito por Nelson Werneck Sodré. Primeiro porque é escancaradamente hagiográfico. Segundo porque, a despeito do conselho de Graciliano citado acima, o fascismo tupinambá é nele pintado com cores exageradas e odientas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que a imagem Graciliano Ramos sai, pelas mãos do mesmo Graciliano, bastante acanalhada desse livro. Curioso isso, já que o tipo de sinceridade que aqui encontramos (a vida em presídios leva a episódios tão constrangedores que somente a proteção da tumba -- o livro é póstumo -- é capaz de nos animar a revelá-los) é sinal de grandeza de caráter. Sem dúvida que é. Ocorre que o estilo do Graciliano, já velho conhecido nosso, força-o a desrespeitar, também ele, seu próprio conselho. Ele tem uma inteligência que poderíamos chamar episódica: pequenos detalhes, sejam gestos, palavras, odores etc., aparentemente desimportantes, são comentados detidamente, enchem capítulos inteiros. A narrativa flui normalmente até que um pequeno incidente prende toda a atenção do escritor; há como que uma suspenção epifânica. Como observava Alvaro Lins, o tempo narrativo de Graciliano Ramos é adulterado. A promessa enunciada logo no comecinho é cumprida à risca:&lt;blockquote&gt;Posso andar para a direita e para a esquerda como um vagabundo, deter-me em longas paradas, saltar passagens desprovidas de interesse, passear, correr, voltar a lugares conhecidos. Omitirei acontecimentos essenciais ou mencioná-los-ei de relance, como se os enxergasse pelos vidros pequenos de um binóculo; ampliarei insignificâncias, repeti-las-ei até cansar, se isto me parecer conveniente.&lt;/blockquote&gt;Essa técnica funciona às maravilhas em romances como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Angústia&lt;/span&gt;, em que o narrador-protagonista fica assim livre pra enfileirar suas obsessões e delírios. Aqui a coisa é aborrecida porque dá ares de onipotência àquilo mesmo que ele desejava não exagerar, o fascismo tupinambá. Impossível ignorar que, por não se tratar de ficção, conhecemos os nomes dos bois, e a possibilidade de reduzir boa ficção a panfleto político é premente e desconcertante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há, é certo, ficção. E por mais que Graciliano se esforce para retratar com justeza seus algozes, as linhas sofridas, minguadas, como que espremidas do ritmo confessadamente lento do escritor, elevam as peregrinações do preso a um martírio quase que insuportável ao leitor. Acompanhamos enojados as perambulações pelo porão fétido do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Manaus&lt;/span&gt;, sentimos as picadas de percevejos escondidos num catre duro, o cheiro nauseabundo da ração macilenta etc. Essas temeridades, graças ao talento do narrador, se multiplicam, avultam, ganham proporções impensáveis, instransponíveis. O órgão perpetrador das iniquidades cresce proporcionalmente, e o preso (lamentamos tanto por saber seu nome!) sai arrasado, acanalhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis aí: o ótimo estilo de Graciliano Ramos lhe prestou (a ele e a nós) um grande desserviço.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-1042510272077232349?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/1042510272077232349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/02/memoria-vermelha-1.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/1042510272077232349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/1042510272077232349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/02/memoria-vermelha-1.html' title='Memória Vermelha (1)'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_D1v1wqvcS8I/R7JGysJ_MNI/AAAAAAAAAYI/u75X_j-IkHc/s72-c/821.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-673662913180805914</id><published>2008-02-07T12:42:00.000-08:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.390-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres'/><title type='text'>Diálogos Razoáveis (5)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-- Adoro ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Tipo o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Tipo Chico Buarque, Raduan Nassar e Michel Foucault.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Você também é pervertida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Onde fica o banheiro?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-673662913180805914?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/673662913180805914/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/02/dialogos-razoaveis-5.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/673662913180805914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/673662913180805914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/02/dialogos-razoaveis-5.html' title='Diálogos Razoáveis (5)'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-5167723831170954942</id><published>2008-02-07T12:34:00.000-08:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.402-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>Diálogos Razoáveis (4)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-- O São Paulo foi o melhor time do último brasileirão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não foi, foi o Flamengo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Mas o São Paulo terminou com uns 15 pontos a mais que o Flamengo. O Flamengo foi melhor no segundo turno, mas o campeonato tem dois turnos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- A tabela prejudicou o Flamengo. Se não tivesse prejudicado, o Flamengo teria sido campeão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Você está querendo desafiar um fato com uma especulação? São, digamos, níveis ontológicos diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- É fato que o Flamengo foi prejudicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Bem: o São Paulo foi o melhor time e o Flamengo foi o mais prejudicado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-5167723831170954942?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/5167723831170954942/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/02/dialogos-razoaveis-4.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5167723831170954942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/5167723831170954942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/02/dialogos-razoaveis-4.html' title='Diálogos Razoáveis (4)'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-8600405629219423342</id><published>2008-02-07T12:30:00.000-08:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.446-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><title type='text'>Diálogos Razoáveis (3)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-- A administração Lula foi a mais corrupta da história do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Administrações anteriores foram tão corruptas quanto (ou até mais que) a atual, acontece que delas nós não recebemos notícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Se nós não recebemos notícia, como você ficou sabendo?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-8600405629219423342?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/8600405629219423342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/02/dialogos-razoaveis-3.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/8600405629219423342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/8600405629219423342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/02/dialogos-razoaveis-3.html' title='Diálogos Razoáveis (3)'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-7313760431430043436</id><published>2008-02-07T11:41:00.000-08:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.430-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religião'/><title type='text'>Diálogos Razoáveis (2)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-- Você acredita em Deus?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- E você acredita que a nona sinfonia de Beethoven, a constante reduzida de Planck, o último teorema de Fermat, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os Lusíadas&lt;/span&gt;, a Golden Gate Bridge e alguém como você sejam consequência de um arranjo casual de partículas subatômicas?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-7313760431430043436?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/7313760431430043436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/02/dialogos-razoaveis-2.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/7313760431430043436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/7313760431430043436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/02/dialogos-razoaveis-2.html' title='Diálogos Razoáveis (2)'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-321911086983854725</id><published>2008-02-07T11:35:00.000-08:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.415-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><title type='text'>Diálogos Razoáveis (1)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-- Entenda, é carnaval, precisamos de uma música mais animada. Ouço rock, jazz, blues e bossa nova, mas isso agora deixaria a galera morgada, as meninas sonolentas, os velhos dormindo. Carnaval pede agito e animação. Coloca Ivete aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-321911086983854725?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/321911086983854725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/02/dialogos-razoaveis-1.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/321911086983854725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/321911086983854725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/02/dialogos-razoaveis-1.html' title='Diálogos Razoáveis (1)'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8473849245945310003.post-4941120456656617660</id><published>2008-01-29T20:38:00.000-08:00</published><updated>2009-07-27T11:49:28.462-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miscelânea'/><title type='text'>Blog Irracional</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A proliferação dos blogs pela internet testemunha, é claro, a necessidade de preencher certas lacunas do jornalismo 'oficial'. O sujeito que se julga insatisfeito com a cobertura dos jornais sobre a China pode ir lá e criar um blog só sobre os desmandos dos generais chineses; outro que não suporta mais a onda antitabagista (ouviram falar da moça que se maquiou pra simular um câncer de boca numa propaganda?) pode criar um blog pró-tabagismo; outro que não aguenta mais ver morenas altas e magrelas pode criar um blog com imagens de japonesas de biquini.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, creio eu, o verdadeiro charme por trás da idéia do blog tem a ver com o impulso irracionalista presente em todo ser humano (sim, sem exceção; seria racional demais procurar exceções agora). O blogueiro sabe mais do que ninguém que nós somos os nossos preconceitos. Que não se veja nisso preguiça mental, uma tentativa de escapar a análises pormenorizadas e com uma penca de referências sobre o que quer que seja. Ninguém seria suficientemente burro pra negar a importância do trabalho pesquisado com cuidado, ainda mais em se tratando de áreas que não abrem espaço pra divagação. Em pleno 2008, de fato não há mais muito sentido em escrever coisas do tipo 'creio que se trocássemos o material por uma liga de alto carbono o teto aguentaria'. Troca-se, testa-se e escreve-se o resultado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, ainda faz muito sentido dizer que pessoas que riem muito são desagradáveis e que calçar um tênis all-star é esteticamente degradante. Se fizessem um estudo científico e comprovassem que quem calça all-star realmente não entende nada de boa aparência, a coisa perderia toda a graça. Já posso até imaginar alguns entrevistados, ex-usuários do tênis, cabisbaixos, segurando um par pelos cadarços, declarando-se finalmente iluminados pela estatística ou pelo cálculo diferencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos colunistas atuais deixaram de dar o braço a torcer à lógica engomadinha dos jornais. O Pereira Coutinho na Folha de S. Paulo é uma exceção provável, mas é óbvio que jamais chegaria a escrever sobre all-star ou pessoas que fazem barulho ao comer. Bem que devia. Daria uma boa lição de jornalismo aos que se revoltam (vi alguns no orkut) com o fato de ele escrever sobre assuntos 'que não interessam a ninguém'. Se não interessassem a ninguém ninguém o leria, e se ninguém o lesse o problema seria da Folha, certo? Quase duas décadas depois da queda do muro de Berlin esse raciocínio protocapitalista ainda parece difícil de engolir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longe de representar uma espécie de modéstia epistemológica, essa mania de querer suprimir a escrita ensaística e pré-racional parte do pressuposto, obviamente falso, de que há explicação racional pra tudo aquilo que nos interessa e que por isso pode ser tema de crônica ou artigo. A idéia parece plausível a princípio: 'somos modestos, temos o bom senso de rejeitar todo e qualquer impulso que nos surja sem motivo bem aparente e documentado'. Mas em verdade há aí arrogância: a arrogância de achar que é sempre possível encontrar tais motivos. Passamos da modéstia ao gnosticismo num pulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Termino o post com uma listinha de coisas que me irritam nas pessoas, sem comentários adicionais, é claro. Se não me engano vi isso pela primeira vez no blog do Reinaldo Azevedo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dizer assistir ao BBB por motivos sociológicos/antropológicos;&lt;br /&gt;- Fazer questão de contar que odeia o BBB pra todo mundo;&lt;br /&gt;- Tênis all-star;&lt;br /&gt;- Barulho ao mastigar;&lt;br /&gt;- Dizer gostar de um filme por causa do roteiro ou do posicionamente das câmeras;&lt;br /&gt;- Gostar de U2 ou Los Hermanos ou Cordel do Fogo Encantado etc.;&lt;br /&gt;- Declarar-se eclético em qualquer área;&lt;br /&gt;- Fazer um 'V' com os dedos ao posar pra fotografias;&lt;br /&gt;- Demonstrar alegria exagerada;&lt;br /&gt;- Viajar pra países desconhecidos sem motivo especial, pela 'experiência';&lt;br /&gt;- Identificar-se com mais de dois dos itens acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8473849245945310003-4941120456656617660?l=mntparnaso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mntparnaso.blogspot.com/feeds/4941120456656617660/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/01/blog-irracional.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/4941120456656617660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8473849245945310003/posts/default/4941120456656617660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mntparnaso.blogspot.com/2008/01/blog-irracional.html' title='Blog Irracional'/><author><name>Igor Montenegro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11195192029397601561</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_9BKDJQH1Xrg/TEzCYP-Wj6I/AAAAAAAAACI/-ZEimRHnTTw/S220/igortooned.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
